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Mobilar o Estado. A Encomenda Pública de Mobiliário e o seu Impacto na Indústria Nacional (1940-1974)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Comissão para a Aquisição de Mobiliário (CAM), estrutura de carácter eventual criada no âmbito da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), em 1940, foi o primeiro organismo inteiramente dedicado ao estudo e aquisição de mobiliário e equipamento fixo para edifícios públicos. A DGEMN, enquanto serviço da administração central responsável pelo estudo, projeto e construção de edifícios públicos por todo o país, entendeu necessária a concentração numa só estrutura de tudo o que ao mobiliário, decoração e equipamentos fixos dissesse respeito. A CAM, que devia intervir apenas em construções de raiz ou em edifícios profundamente remodelados, surgiu como uma referência para os restantes departamentos e serviços, dentro e fora do organograma da DGEMN, procurando definir e agilizar procedimentos, desenvolvendo ferramentas e recursos que garantissem o “respeito e a disciplina” que devia ser vivido e sentido nos serviços públicos. Não obstante a sua pertinência, intensa e longa atividade (foi extinta apenas em 1980), esta comissão não foi o único agente neste quadro de responsabilidades, mesmo no seio da DGEMN. Outras entidades, como a Delegação das Novas Instalações para Serviço Públicos (DNISP), a Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias, das Guardas Republicana, Fiscal e das Alfândegas (DOECGRFA) e os serviços regionais, tiveram intervenções nos edifícios sob sua administração, definindo os seus interiores e procedendo à aquisição do seu mobiliário e equipamento fixo. Nesse sentido, conhecer o mais aprofundadamente possível cada um destes intervenientes, e algumas das suas obras, será essencial para compreender como o Estado, através da DGEMN, se posicionou neste plano e quais os fatores que conformaram eventuais decisões, definindo a sua prática. A análise destes processos dará a conhecer também novos protagonistas – públicos e privados, individuais e coletivos – com relevância para esta área de estudo, destacando certos autores que permaneceram anónimos e que importa, por isso, valorizar. Por outro lado, a encomenda oficial, pela sua dimensão e escala, terá certamente influenciado a produção industrial de mobiliário, mas os exatos contornos dessa transferência permanecem por clarificar. Nesse sentido, o estudo dos processos de aquisição e fornecimento de mobiliário para edifícios públicos poderá contribuir para um melhor conhecimento sobre este setor da indústria nacional, identificando os principais participantes, registando a capacidade de resposta dos fabricantes adjudicatários, os seus produtos e meios de produção, mas também as suas fragilidades e idiossincrasias. Na impossibilidade de empreender recolhas quantitativas, estes processos dão acesso a uma dimensão qualitativa igualmente enriquecedora e relevante. Conhecer os interiores dos edifícios públicos, os objetos que os compõem, os seus processos de aquisição e os seus protagonistas, é da maior importância para a história do design, das instituições e da indústria de mobiliário, mas também para a salvaguarda e patrimonialização daquela cultura material.
Autores principais:Diniz, Sofia Isabel Plácido dos Santos
Assunto:História da indústria do mobiliário Encomenda pública Estado Novo Mobiliário Serviços públicos Design Indústria Furniture Public services Industry
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A Comissão para a Aquisição de Mobiliário (CAM), estrutura de carácter eventual criada no âmbito da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), em 1940, foi o primeiro organismo inteiramente dedicado ao estudo e aquisição de mobiliário e equipamento fixo para edifícios públicos. A DGEMN, enquanto serviço da administração central responsável pelo estudo, projeto e construção de edifícios públicos por todo o país, entendeu necessária a concentração numa só estrutura de tudo o que ao mobiliário, decoração e equipamentos fixos dissesse respeito. A CAM, que devia intervir apenas em construções de raiz ou em edifícios profundamente remodelados, surgiu como uma referência para os restantes departamentos e serviços, dentro e fora do organograma da DGEMN, procurando definir e agilizar procedimentos, desenvolvendo ferramentas e recursos que garantissem o “respeito e a disciplina” que devia ser vivido e sentido nos serviços públicos. Não obstante a sua pertinência, intensa e longa atividade (foi extinta apenas em 1980), esta comissão não foi o único agente neste quadro de responsabilidades, mesmo no seio da DGEMN. Outras entidades, como a Delegação das Novas Instalações para Serviço Públicos (DNISP), a Delegação nas Obras de Edifícios de Cadeias, das Guardas Republicana, Fiscal e das Alfândegas (DOECGRFA) e os serviços regionais, tiveram intervenções nos edifícios sob sua administração, definindo os seus interiores e procedendo à aquisição do seu mobiliário e equipamento fixo. Nesse sentido, conhecer o mais aprofundadamente possível cada um destes intervenientes, e algumas das suas obras, será essencial para compreender como o Estado, através da DGEMN, se posicionou neste plano e quais os fatores que conformaram eventuais decisões, definindo a sua prática. A análise destes processos dará a conhecer também novos protagonistas – públicos e privados, individuais e coletivos – com relevância para esta área de estudo, destacando certos autores que permaneceram anónimos e que importa, por isso, valorizar. Por outro lado, a encomenda oficial, pela sua dimensão e escala, terá certamente influenciado a produção industrial de mobiliário, mas os exatos contornos dessa transferência permanecem por clarificar. Nesse sentido, o estudo dos processos de aquisição e fornecimento de mobiliário para edifícios públicos poderá contribuir para um melhor conhecimento sobre este setor da indústria nacional, identificando os principais participantes, registando a capacidade de resposta dos fabricantes adjudicatários, os seus produtos e meios de produção, mas também as suas fragilidades e idiossincrasias. Na impossibilidade de empreender recolhas quantitativas, estes processos dão acesso a uma dimensão qualitativa igualmente enriquecedora e relevante. Conhecer os interiores dos edifícios públicos, os objetos que os compõem, os seus processos de aquisição e os seus protagonistas, é da maior importância para a história do design, das instituições e da indústria de mobiliário, mas também para a salvaguarda e patrimonialização daquela cultura material.

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