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Margem Sul no Jornal Público – representação de um espaço social que não existe no mapa geográfico

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Resumo:"A margem sul é um deserto (...) não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio" (...). (Mário Lino, 23 de maio de 2007, in Público online) Entendemos que a contribuição para um desenvolvimento sustentável e coeso das várias regiões do país é um papel importante dos governantes, mas também dos media no sentido em que difundem visões sobre os assuntos com um largo alcance. Definindo o território como um local onde existe uma base de sentido que permite o estranhamento do outro, interessou-nos perceber o modo como a Margem Sul, uma unidade territorial não oficial, foi enquadrada nas peças de um jornal de âmbito nacional que lhe dizem respeito. Questionámos, assim, a importância dos espaços físicos para a construção mediática deste território simbólico e vice-versa. No dia 23 de maio de 2007 o então ministro das Obras Públicas do primeiro governo de José Sócrates, Mário Lino, proferiu as afirmações citadas quando questionado sobre a possibilidade de ser construído um aeroporto na Margem Sul. Doze anos depois, em 2019, a discussão sobre a necessidade de combater o esgotamento da capacidade do atual aeroporto é retomada e, desta feita, o Montijo, situado na Margem Sul, surge como opção simultaneamente apresentada como viável e contestável para o efeito. Na mesma altura, uma intervenção policial no bairro “Jamaica” (Seixal) centra as atenções mediáticas. Trata-se de dois momentos em que a Margem Sul tem presença nos media portugueses de dimensão nacional e que dão o mote para responder a uma grande questão: Como foi representada a Margem Sul antes, durante e após dois picos de visibilidade no jornal Público? Através de metodologias quantitativas e qualitativas, o objetivo é analisar em que medida as peças onde a região tem destaque no tratamento jornalístico contribuem para uma visão integrada do território nacional, mostrando perspetivas diversas sobre a região em estudo, ou se limitam a reproduzir estigmas, como o revelado pelo ministro.
Autores principais:Lourenço, Raquel Filipa Morais
Assunto:Estudos do Jornalismo Margem Sul Público Representação Journalism Studies South Bay Representation Framing
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:"A margem sul é um deserto (...) não há cidades, não há gente, não há hospitais, nem hotéis nem comércio" (...). (Mário Lino, 23 de maio de 2007, in Público online) Entendemos que a contribuição para um desenvolvimento sustentável e coeso das várias regiões do país é um papel importante dos governantes, mas também dos media no sentido em que difundem visões sobre os assuntos com um largo alcance. Definindo o território como um local onde existe uma base de sentido que permite o estranhamento do outro, interessou-nos perceber o modo como a Margem Sul, uma unidade territorial não oficial, foi enquadrada nas peças de um jornal de âmbito nacional que lhe dizem respeito. Questionámos, assim, a importância dos espaços físicos para a construção mediática deste território simbólico e vice-versa. No dia 23 de maio de 2007 o então ministro das Obras Públicas do primeiro governo de José Sócrates, Mário Lino, proferiu as afirmações citadas quando questionado sobre a possibilidade de ser construído um aeroporto na Margem Sul. Doze anos depois, em 2019, a discussão sobre a necessidade de combater o esgotamento da capacidade do atual aeroporto é retomada e, desta feita, o Montijo, situado na Margem Sul, surge como opção simultaneamente apresentada como viável e contestável para o efeito. Na mesma altura, uma intervenção policial no bairro “Jamaica” (Seixal) centra as atenções mediáticas. Trata-se de dois momentos em que a Margem Sul tem presença nos media portugueses de dimensão nacional e que dão o mote para responder a uma grande questão: Como foi representada a Margem Sul antes, durante e após dois picos de visibilidade no jornal Público? Através de metodologias quantitativas e qualitativas, o objetivo é analisar em que medida as peças onde a região tem destaque no tratamento jornalístico contribuem para uma visão integrada do território nacional, mostrando perspetivas diversas sobre a região em estudo, ou se limitam a reproduzir estigmas, como o revelado pelo ministro.