Publicação
Alunagem, Novo Espaço-Fronteira e Falência do Corpo em “Efemérides” (1999) e de “A síndroma de Abraão” (2009) de João Barreiros
| Resumo: | Quando J.F. Kennedy declarou “escolhemos ir à Lua”, na Universidade Rice, Houston, em 1962, o Presidente norte-americano elevou o programa Apollo da NASA, patrocinado pelo seu governo, a um desígnio nacional, indo ao encontro do imaginário norte-americano e centrando-se no espírito pioneiro e no cruzamento de novas fronteiras. Na sequência da alunagem da primeira nave espacial tripulada a 20 de julho de 1969, apenas cinco outras missões espaciais se seguiram, tendo a última, Apollo 17, ocorrido em 1972. Não obstante esta interrupção, a exploração do espaço e a colonização da Lua e de novos planetas têm ocupado uma posição central na ciência espacial e na temática de ficção científica. No século XX, alguns pensadores, escritores e cientistas, tal como Carl Sagan (1934-96), viram no espaço sideral uma alternativa para a progressiva destruição do planeta Terra, aliviando os males humanos, não obstante ser igualmente o século em que muitos anunciaram o “fim das utopias”. O presente artigo enquadra os pequenos contos “Efemérides” (1999) e “A síndroma de Abraão” (2009) de João Barreiros, reunidos na sua coletânea Se acordar antes de morrer (2010), na perspetiva de uma crise do imaginário utópico, argumentando que a colonização da Lua não constitui um espaço de configuração de utopia. Nos contos, a distopia desenha-se quando a utopia sai da órbita terrestre. A apropriação do espaço extraterrestre constitui o princípio da falência da configuração do corpo humano ao mesmo tempo que no espaço terrestre, se desenha a configuração do Outro alienígena quando o humano depende incondicionalmente da máquina. |
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| Autores principais: | Rendeiro, Margarida |
| Assunto: | João Barreiros Distopia Corpo Espaço Lua Dystopia Body Space Moon |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Quando J.F. Kennedy declarou “escolhemos ir à Lua”, na Universidade Rice, Houston, em 1962, o Presidente norte-americano elevou o programa Apollo da NASA, patrocinado pelo seu governo, a um desígnio nacional, indo ao encontro do imaginário norte-americano e centrando-se no espírito pioneiro e no cruzamento de novas fronteiras. Na sequência da alunagem da primeira nave espacial tripulada a 20 de julho de 1969, apenas cinco outras missões espaciais se seguiram, tendo a última, Apollo 17, ocorrido em 1972. Não obstante esta interrupção, a exploração do espaço e a colonização da Lua e de novos planetas têm ocupado uma posição central na ciência espacial e na temática de ficção científica. No século XX, alguns pensadores, escritores e cientistas, tal como Carl Sagan (1934-96), viram no espaço sideral uma alternativa para a progressiva destruição do planeta Terra, aliviando os males humanos, não obstante ser igualmente o século em que muitos anunciaram o “fim das utopias”. O presente artigo enquadra os pequenos contos “Efemérides” (1999) e “A síndroma de Abraão” (2009) de João Barreiros, reunidos na sua coletânea Se acordar antes de morrer (2010), na perspetiva de uma crise do imaginário utópico, argumentando que a colonização da Lua não constitui um espaço de configuração de utopia. Nos contos, a distopia desenha-se quando a utopia sai da órbita terrestre. A apropriação do espaço extraterrestre constitui o princípio da falência da configuração do corpo humano ao mesmo tempo que no espaço terrestre, se desenha a configuração do Outro alienígena quando o humano depende incondicionalmente da máquina. |
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