Publicação
Parasitas intestinais em crianças internadas dos 0 aos 59 meses, com desnutrição severa, no Hospital Central de Nampula, Moçambique
| Resumo: | Introdução: A infecção por parasitas intestinais e a desnutrição, especialmente nos países em desenvolvimento, são um importante problema de Saúde Infantil, por poderem comprometer o desenvolvimento global da criança. Esta temática tem sido estudada, embora, em contexto hospitalar, poucos estudos tenham sido realizados. Assim, o objectivo deste estudo consistiu em determinar a frequência de parasitas intestinais em crianças dos 0 aos 59 meses, e a sua relação com a desnutrição severa, no Serviço de Pediatria no Hospital Central de Nampula, Moçambique. Material e Métodos: O estudo realizou-se durante os meses de Março, Abril e Maio de 2011, obtendo-se uma amostra de 189 crianças com desnutrição aguda severa (zscore peso para comprimento ou estatura <-3, perímetro braquial <115mm e/ou edema). Além da desnutrição aguda, foram também avaliados os indicadores para a desnutrição crónica e o baixo peso, e recolheu-se um conjunto de informações clínicas sobre as crianças avaliadas. Efectuou-se análise microscópica de uma amostra de fezes para a detecção de parasitas intestinais. A relação entre a infecção por parasitas intestinais e a desnutrição aguda severa foi analisada recorrendo a métodos estatísticos. Resultados: Em 189 crianças, 50,3% (95/189) eram do sexo masculino e 49,7% (94/189) do sexo feminino, apresentando uma média de idades de 19 meses. Como forma clínica de desnutrição aguda severa, 49,2% (93/189) das crianças apresentava Marasmo, 29,6% (56/189) Kwashiorkor e 21,2% (40/189) Kwashiorkor Marasmático. As crianças com edema apresentaram uma mediana de idade (22 meses) superior à mediana das crianças sem edema (15,54 meses) (p<0.001). A anemia foi a patologia associada mais frequente, afectando 91,2% (166/182) das crianças, e a média dos valores de hemoglobina foi menor nas crianças com edema (7,65g/l) (p<0.001). O tempo de internamento variou entre um e 22 dias, com as crianças com edema a permanecerem mais tempo internadas (6 dias) (p=0.021). O exame parasitológico das fezes identificou que 22,8% (43/189) das crianças estavam infectadas por parasitas intestinais patogénicos. Identificou-se Giardia duodenalis em 13,2% (25/189) das crianças da amostra. No grupo dos helmintas o mais frequentemente identificado foi Strongyloides stercoralis, em 6,4% (12/189) das crianças. A frequência de parasitas intestinais patogénicos foi maior nas crianças entre os 24 e os 48 meses (p<0.001). Não foi encontrada associação estatisticamente significativa entre a infecção por parasitas intestinais patogénicos e as formas clínicas de desnutrição aguda severa nas crianças em estudo. Discussão e Conclusões: Neste estudo não se encontrou associação entre a infecção por parasitas intestinais e as formas clínicas de desnutrição aguda severa. No entanto, os resultados mostram que a forma clínica de desnutrição aguda com edema e que a infecção por parasitas intestinais patogénicos foi mais frequente nas crianças entre os 24 e os 48 meses. As crianças com edema apresentam valores de hemoglobina mais baixos e permanecem mais tempo internadas. Contudo, apesar do número limitado da amostra e da escassez de informação sobre esta temática, este estudo contribuiu para a continuidade desta investigação em futuros estudos de base hospitalar. |
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| Autores principais: | SILVA, Carina Daniela Castro e |
| Assunto: | Parasitologia médica Medicina tropical Desnutrição severa Moçambique Parasitas intestinais Crianças Hospital Central de Nampula |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Introdução: A infecção por parasitas intestinais e a desnutrição, especialmente nos países em desenvolvimento, são um importante problema de Saúde Infantil, por poderem comprometer o desenvolvimento global da criança. Esta temática tem sido estudada, embora, em contexto hospitalar, poucos estudos tenham sido realizados. Assim, o objectivo deste estudo consistiu em determinar a frequência de parasitas intestinais em crianças dos 0 aos 59 meses, e a sua relação com a desnutrição severa, no Serviço de Pediatria no Hospital Central de Nampula, Moçambique. Material e Métodos: O estudo realizou-se durante os meses de Março, Abril e Maio de 2011, obtendo-se uma amostra de 189 crianças com desnutrição aguda severa (zscore peso para comprimento ou estatura <-3, perímetro braquial <115mm e/ou edema). Além da desnutrição aguda, foram também avaliados os indicadores para a desnutrição crónica e o baixo peso, e recolheu-se um conjunto de informações clínicas sobre as crianças avaliadas. Efectuou-se análise microscópica de uma amostra de fezes para a detecção de parasitas intestinais. A relação entre a infecção por parasitas intestinais e a desnutrição aguda severa foi analisada recorrendo a métodos estatísticos. Resultados: Em 189 crianças, 50,3% (95/189) eram do sexo masculino e 49,7% (94/189) do sexo feminino, apresentando uma média de idades de 19 meses. Como forma clínica de desnutrição aguda severa, 49,2% (93/189) das crianças apresentava Marasmo, 29,6% (56/189) Kwashiorkor e 21,2% (40/189) Kwashiorkor Marasmático. As crianças com edema apresentaram uma mediana de idade (22 meses) superior à mediana das crianças sem edema (15,54 meses) (p<0.001). A anemia foi a patologia associada mais frequente, afectando 91,2% (166/182) das crianças, e a média dos valores de hemoglobina foi menor nas crianças com edema (7,65g/l) (p<0.001). O tempo de internamento variou entre um e 22 dias, com as crianças com edema a permanecerem mais tempo internadas (6 dias) (p=0.021). O exame parasitológico das fezes identificou que 22,8% (43/189) das crianças estavam infectadas por parasitas intestinais patogénicos. Identificou-se Giardia duodenalis em 13,2% (25/189) das crianças da amostra. No grupo dos helmintas o mais frequentemente identificado foi Strongyloides stercoralis, em 6,4% (12/189) das crianças. A frequência de parasitas intestinais patogénicos foi maior nas crianças entre os 24 e os 48 meses (p<0.001). Não foi encontrada associação estatisticamente significativa entre a infecção por parasitas intestinais patogénicos e as formas clínicas de desnutrição aguda severa nas crianças em estudo. Discussão e Conclusões: Neste estudo não se encontrou associação entre a infecção por parasitas intestinais e as formas clínicas de desnutrição aguda severa. No entanto, os resultados mostram que a forma clínica de desnutrição aguda com edema e que a infecção por parasitas intestinais patogénicos foi mais frequente nas crianças entre os 24 e os 48 meses. As crianças com edema apresentam valores de hemoglobina mais baixos e permanecem mais tempo internadas. Contudo, apesar do número limitado da amostra e da escassez de informação sobre esta temática, este estudo contribuiu para a continuidade desta investigação em futuros estudos de base hospitalar. |
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