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A evolução da al-Shabaab entre 2006 e 2021

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Resumo:Desde os atentados terroristas a 11 de setembro de 2001 que a temática do terrorismo tem dominado as esferas política, económica, cultural e securitária da vida em sociedade, devido à contínua eclosão e crescente complexidade de grupos terroristas. Tendo em conta o seu impacto, este fenómeno provocou um aumento de literatura sobre o tema, surgindo duas vertentes de estudo distintas: os Estudos do Terrorismo (ET), o ramo mais mainstream, que visualiza movimentos terroristas como uma ameaça securitária aos Estados que tem de ser erradicada; e os Estudos Críticos do Terrorismo (ECT), que permite uma desconstrução do conhecimento pré-adquirido sobre a temática e refletir criticamente sobre as intervenções contraterroristas e sua relação simbiótica com terrorismo. Entre os vários grupos extremistas que têm surgido, o movimento Al-Shabaab (AS) tem-se destacado particularmente. Surgido no final de 2006 na Somália, este grupo tem sido responsável pela realização de ataques devastadores, pelo que a Missão da União Africana (AMISOM) de manutenção de paz foi criada em 2007, alicerçada na ótica de problem-sloving generalista característica dos ET, com o intuito de erradicar o grupo e defender o governo somali. No entanto, após mais de uma década de intervenções, a AS não só continua a executar ataques, como conseguiu expandir-se em termos de tamanho, financiamento, recrutamento e alcance territorial, bem como utiliza diversos meios de comunicação para promover a sua narrativa. Neste sentido, a presente dissertação tem como objetivo compreender a evolução da Al-Shabaab desde 2007 até 2021. Para atingir este objetivo, procedemos à aferição da eficácia do governo somali e das componentes militar, policial e civil da AMISOM no combate ao grupo, à análise das capacidades de recrutamento, financiamento e expansão territorial do movimento terrorista, e à reflexão sobre a capacidade propagandística e de utilização de meios de comunicação para promover a sua narrativa da AS. Através da análise executada ao longo da dissertação, é possível concluir-se que a evolução da Al-Shabaab deve-se, sobretudo, à capacidade de adaptação e do grupo perante um cenário político e militar em constante mudança, ajustando as suas estratégicas de execução de ataques, expansão territorial, financiamento e recrutamento consoante as necessidades do grupo no momento. Por outro lado, as próprias operações contraterroristas e forças governamentais, têm contribuído para a contínua radicalização e antagonismo da população somali, devido à falta de confiança e cooperação entre as entidades envolvidas, a incidentes de corrupção, à dificuldade em fornecer bens e serviços e à ocorrência abusos de direitos humanos. Estas situações não só minam a reputação destes atores como são consecutivamente exploradas em campanhas de propaganda da Al-Shabaab, as quais são transmitidas por um vasto leque de meios de comunicação.
Autores principais:Silva, Inês Sabino da
Assunto:Terrorismo Contraterrorismo Narrativa Al-Shabaab AMISOM Somália Terrorism Counterterrorism Narrative Somalia
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Desde os atentados terroristas a 11 de setembro de 2001 que a temática do terrorismo tem dominado as esferas política, económica, cultural e securitária da vida em sociedade, devido à contínua eclosão e crescente complexidade de grupos terroristas. Tendo em conta o seu impacto, este fenómeno provocou um aumento de literatura sobre o tema, surgindo duas vertentes de estudo distintas: os Estudos do Terrorismo (ET), o ramo mais mainstream, que visualiza movimentos terroristas como uma ameaça securitária aos Estados que tem de ser erradicada; e os Estudos Críticos do Terrorismo (ECT), que permite uma desconstrução do conhecimento pré-adquirido sobre a temática e refletir criticamente sobre as intervenções contraterroristas e sua relação simbiótica com terrorismo. Entre os vários grupos extremistas que têm surgido, o movimento Al-Shabaab (AS) tem-se destacado particularmente. Surgido no final de 2006 na Somália, este grupo tem sido responsável pela realização de ataques devastadores, pelo que a Missão da União Africana (AMISOM) de manutenção de paz foi criada em 2007, alicerçada na ótica de problem-sloving generalista característica dos ET, com o intuito de erradicar o grupo e defender o governo somali. No entanto, após mais de uma década de intervenções, a AS não só continua a executar ataques, como conseguiu expandir-se em termos de tamanho, financiamento, recrutamento e alcance territorial, bem como utiliza diversos meios de comunicação para promover a sua narrativa. Neste sentido, a presente dissertação tem como objetivo compreender a evolução da Al-Shabaab desde 2007 até 2021. Para atingir este objetivo, procedemos à aferição da eficácia do governo somali e das componentes militar, policial e civil da AMISOM no combate ao grupo, à análise das capacidades de recrutamento, financiamento e expansão territorial do movimento terrorista, e à reflexão sobre a capacidade propagandística e de utilização de meios de comunicação para promover a sua narrativa da AS. Através da análise executada ao longo da dissertação, é possível concluir-se que a evolução da Al-Shabaab deve-se, sobretudo, à capacidade de adaptação e do grupo perante um cenário político e militar em constante mudança, ajustando as suas estratégicas de execução de ataques, expansão territorial, financiamento e recrutamento consoante as necessidades do grupo no momento. Por outro lado, as próprias operações contraterroristas e forças governamentais, têm contribuído para a contínua radicalização e antagonismo da população somali, devido à falta de confiança e cooperação entre as entidades envolvidas, a incidentes de corrupção, à dificuldade em fornecer bens e serviços e à ocorrência abusos de direitos humanos. Estas situações não só minam a reputação destes atores como são consecutivamente exploradas em campanhas de propaganda da Al-Shabaab, as quais são transmitidas por um vasto leque de meios de comunicação.