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Immunomodulation in pregnancy and labor

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Resumo:RESUMO: A gravidez é um desafio para o sistema imunológico, porque tem de tolerar um feto geneticamente diferente e ao mesmo tempo proteger tanto a mãe como o feto contra ameaças biológicas. Isto requer uma regulação estreita dos vários tipos de células do sistema imunitário durante as diferentes fases da gravidez. Estudos recentes revelaram que determinadas subpopulações de células B e células T têm funções reguladoras e são essenciais para a manutenção da tolerância materno-fetal durante as fases iniciais da gravidez. No entanto, não está claro se as células do sistema imunológico materno, especialmente as recém descritas células reguladoras B (Breg) e T (Treg), também podem desempenhar um papel relevante no final da gravidez normal, no parto e no pós-parto. Com o objetivo de analisar o perfil imunológico desde o final da gravidez até ao pós-parto, foram efetuados três estudos observacionais que seguiram mulheres saudáveis, grávidas (n = 43) e não grávidas (como grupo controlo; n = 35), vigiadas na consulta externa do hospital CUF Descobertas. Em primeiro lugar, as contagens no sangue periférico das subpopulações de linfócitos B, considerando o perfil maturativo e incluindo as células Breg, foram analisadas em todas as mulheres grávidas durante o terceiro trimestre da gravidez, no dia do parto (imediatamente após o parto), e no pós-parto (pelo menos 6 semanas após o parto), e comparadas com as do grupo de mulheres não grávidas. Em segundo lugar, a evolução das subpopulações de células Treg foi avaliada no sangue periférico das mulheres grávidas nos mesmos pontos temporais do estudo anterior, e comparadas com as do grupo de controlo. Em terceiro lugar, o efeito do trabalho de parto sobre as subpopulações circulantes de células T, e sobre as subpopulações de células Treg e Breg, foi avaliado no dia do parto, comparando o subgrupo de mulheres grávidas que tiveram o parto por cesariana eletiva (sem trabalho de parto; n = 14), com as que tiveram um parto espontâneo vaginal (após o trabalho de parto; n = 18). A quantificação e a caracterização fenotípica de células B e células T foi efetuada por citometria de fluxo, de acordo com a expressão dos marcadores de superfície celular presentes nas suas diferentes subpopulações. Especificamente, as subpopulações de células B foram caracterizadas no sangue periférico pela expressão de CD19 (marcador de células B), e pela expressão de IgD e CD38 para identificar o perfil maturativo dos linfócitos B de acordo com o sistema de classificação Bm1-5: células B de transição, células B naïve, células B de memória não switched, células B de memória switched entretanto divididas em células pós centro germinativo e células de memória em repouso, e ainda plasmablastos. Os linfócitos Breg foram caracterizados através da expressão de CD24, CD27, CD38, e a produção de IL-10 foi avaliada após a estimulação com acetato de forbolmiristato (PMA), ionóforo de cálcio e lipopolissacárido (LPS) bacteriano. Relativamente às subpopulações de células T de sangue periférico, as células com expressão de CD3 (marcador de células T) que co-expressam CD4 (células T auxiliadoras) ou CD8 (células T citotóxicas) foram diferenciadas em naïve, memória central, memória efetoras, memória efetoras com diferenciação terminal utilizando os marcadores de superfície de células CD45RA e CD62L. A expressão de marcadores de ativação (HLA-DR e CD25) foi avaliada na população de linfócitos T totais e nas respetivas subpopulações de células T CD4 e CD8. Além disso, as células T natural killer (NKT)-like foram identificados pela co-expressão de CD3, CD16 e CD56. Finalmente, três estratégias analíticas foram utilizadas para caracterizar as células Treg (CD4DimCD25Hi, CD4+CD25HiCD127-/dim e CD4+CD25HiFoxp3+). Foi também efetuada a avaliação da expressão intracelular de Foxp3 na subpopulação de células Treg CD4DimCD25Hi. Os resultados mostraram que as contagens absolutas e percentuais dos linfócitos B foram significativamente mais baixas (p<0,05) nas mulheres grávidas no dia do parto, em comparação com as mulheres não grávidas. De uma forma geral, as contagens absolutas e percentagens da maioria das subpopulações de células B foram significativamente mais baixas (p<0,05) no terceiro trimestre da gravidez e no dia do parto. Além disso, essas contagens absolutas e percentuais das subpopulações de células B não tiveram diferenças significativas entre o período pós-parto e as mulheres não grávidas. No entanto, as exceções mais notáveis foram: as percentagens de células B naïve, que foram significativamente mais elevadas (p<0,05) no terceiro trimestre e no dia do parto do que no período pós-parto e o observado nas mulheres não grávidas; e as percentagens da subpopulação de células Breg CD24HiCD38Hi, que foram significativamente mais elevadas (p<0,05) no período pós-parto do que no terceiro trimestre, no dia do parto e no grupo das mulheres não grávidas. De um modo semelhante às células Breg, as contagens absolutas de todas as subpopulações de células Treg foram significativamente maiores (p<0,05) no período pós-parto, em comparação com o terceiro trimestre da gravidez e com o dia do parto. Além disso, a expressão intracelular do fator de transcrição Foxp3 na subpopulação de células Treg CD4DimCD25Hi diminuiu significativamente (p<0,001) no terceiro trimestre da gravidez e no dia do parto em comparação com o observado nas mulheres não grávidas; e aumentou significativamente (p<0,001) no período pósparto, comparativamente com o terceiro trimestre de gravidez e com o dia do parto. Finalmente, verificou-se que as contagens absolutas e percentagens das subpopulações de células Breg e Treg circulantes não foram significativamente diferentes entre as mulheres que tiveram cesarianas eletivas (sem trabalho de parto) e aquelas que tiveram partos vaginais espontâneos (após o trabalho de parto). No entanto, as contagens absolutas dos linfócitos B e das células NKT-like foram significativamente menores (p<0,05) no sangue periférico das mulheres que tiveram parto vaginal. Concluiu-se que no sangue periférico os compartimentos de células B e T sofrem alterações quantitativas do final da gravidez normal até ao período pós-parto. Particularmente, as subpopulações de células Breg e Treg aumentam no período pósparto. Além disso, o trabalho de parto não parece ter um impacto sobre as subpopulações de células T e sobre as subpopulações de células Breg e Treg no sangue periférico materno. Portanto, estes resultados podem permitir uma melhor compreensão da imunomodulação que ocorre durante a gravidez humana e fornecem algumas evidências para o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico e tratamento de patologias obstétricas. Estes resultados poderão contribuir para o estudo dos mecanismos de resposta materna à vacinação e à infeção.
Autores principais:Lima, Jorge Natalino Ramos
Assunto:Pregnancy Immune system
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO: A gravidez é um desafio para o sistema imunológico, porque tem de tolerar um feto geneticamente diferente e ao mesmo tempo proteger tanto a mãe como o feto contra ameaças biológicas. Isto requer uma regulação estreita dos vários tipos de células do sistema imunitário durante as diferentes fases da gravidez. Estudos recentes revelaram que determinadas subpopulações de células B e células T têm funções reguladoras e são essenciais para a manutenção da tolerância materno-fetal durante as fases iniciais da gravidez. No entanto, não está claro se as células do sistema imunológico materno, especialmente as recém descritas células reguladoras B (Breg) e T (Treg), também podem desempenhar um papel relevante no final da gravidez normal, no parto e no pós-parto. Com o objetivo de analisar o perfil imunológico desde o final da gravidez até ao pós-parto, foram efetuados três estudos observacionais que seguiram mulheres saudáveis, grávidas (n = 43) e não grávidas (como grupo controlo; n = 35), vigiadas na consulta externa do hospital CUF Descobertas. Em primeiro lugar, as contagens no sangue periférico das subpopulações de linfócitos B, considerando o perfil maturativo e incluindo as células Breg, foram analisadas em todas as mulheres grávidas durante o terceiro trimestre da gravidez, no dia do parto (imediatamente após o parto), e no pós-parto (pelo menos 6 semanas após o parto), e comparadas com as do grupo de mulheres não grávidas. Em segundo lugar, a evolução das subpopulações de células Treg foi avaliada no sangue periférico das mulheres grávidas nos mesmos pontos temporais do estudo anterior, e comparadas com as do grupo de controlo. Em terceiro lugar, o efeito do trabalho de parto sobre as subpopulações circulantes de células T, e sobre as subpopulações de células Treg e Breg, foi avaliado no dia do parto, comparando o subgrupo de mulheres grávidas que tiveram o parto por cesariana eletiva (sem trabalho de parto; n = 14), com as que tiveram um parto espontâneo vaginal (após o trabalho de parto; n = 18). A quantificação e a caracterização fenotípica de células B e células T foi efetuada por citometria de fluxo, de acordo com a expressão dos marcadores de superfície celular presentes nas suas diferentes subpopulações. Especificamente, as subpopulações de células B foram caracterizadas no sangue periférico pela expressão de CD19 (marcador de células B), e pela expressão de IgD e CD38 para identificar o perfil maturativo dos linfócitos B de acordo com o sistema de classificação Bm1-5: células B de transição, células B naïve, células B de memória não switched, células B de memória switched entretanto divididas em células pós centro germinativo e células de memória em repouso, e ainda plasmablastos. Os linfócitos Breg foram caracterizados através da expressão de CD24, CD27, CD38, e a produção de IL-10 foi avaliada após a estimulação com acetato de forbolmiristato (PMA), ionóforo de cálcio e lipopolissacárido (LPS) bacteriano. Relativamente às subpopulações de células T de sangue periférico, as células com expressão de CD3 (marcador de células T) que co-expressam CD4 (células T auxiliadoras) ou CD8 (células T citotóxicas) foram diferenciadas em naïve, memória central, memória efetoras, memória efetoras com diferenciação terminal utilizando os marcadores de superfície de células CD45RA e CD62L. A expressão de marcadores de ativação (HLA-DR e CD25) foi avaliada na população de linfócitos T totais e nas respetivas subpopulações de células T CD4 e CD8. Além disso, as células T natural killer (NKT)-like foram identificados pela co-expressão de CD3, CD16 e CD56. Finalmente, três estratégias analíticas foram utilizadas para caracterizar as células Treg (CD4DimCD25Hi, CD4+CD25HiCD127-/dim e CD4+CD25HiFoxp3+). Foi também efetuada a avaliação da expressão intracelular de Foxp3 na subpopulação de células Treg CD4DimCD25Hi. Os resultados mostraram que as contagens absolutas e percentuais dos linfócitos B foram significativamente mais baixas (p<0,05) nas mulheres grávidas no dia do parto, em comparação com as mulheres não grávidas. De uma forma geral, as contagens absolutas e percentagens da maioria das subpopulações de células B foram significativamente mais baixas (p<0,05) no terceiro trimestre da gravidez e no dia do parto. Além disso, essas contagens absolutas e percentuais das subpopulações de células B não tiveram diferenças significativas entre o período pós-parto e as mulheres não grávidas. No entanto, as exceções mais notáveis foram: as percentagens de células B naïve, que foram significativamente mais elevadas (p<0,05) no terceiro trimestre e no dia do parto do que no período pós-parto e o observado nas mulheres não grávidas; e as percentagens da subpopulação de células Breg CD24HiCD38Hi, que foram significativamente mais elevadas (p<0,05) no período pós-parto do que no terceiro trimestre, no dia do parto e no grupo das mulheres não grávidas. De um modo semelhante às células Breg, as contagens absolutas de todas as subpopulações de células Treg foram significativamente maiores (p<0,05) no período pós-parto, em comparação com o terceiro trimestre da gravidez e com o dia do parto. Além disso, a expressão intracelular do fator de transcrição Foxp3 na subpopulação de células Treg CD4DimCD25Hi diminuiu significativamente (p<0,001) no terceiro trimestre da gravidez e no dia do parto em comparação com o observado nas mulheres não grávidas; e aumentou significativamente (p<0,001) no período pósparto, comparativamente com o terceiro trimestre de gravidez e com o dia do parto. Finalmente, verificou-se que as contagens absolutas e percentagens das subpopulações de células Breg e Treg circulantes não foram significativamente diferentes entre as mulheres que tiveram cesarianas eletivas (sem trabalho de parto) e aquelas que tiveram partos vaginais espontâneos (após o trabalho de parto). No entanto, as contagens absolutas dos linfócitos B e das células NKT-like foram significativamente menores (p<0,05) no sangue periférico das mulheres que tiveram parto vaginal. Concluiu-se que no sangue periférico os compartimentos de células B e T sofrem alterações quantitativas do final da gravidez normal até ao período pós-parto. Particularmente, as subpopulações de células Breg e Treg aumentam no período pósparto. Além disso, o trabalho de parto não parece ter um impacto sobre as subpopulações de células T e sobre as subpopulações de células Breg e Treg no sangue periférico materno. Portanto, estes resultados podem permitir uma melhor compreensão da imunomodulação que ocorre durante a gravidez humana e fornecem algumas evidências para o desenvolvimento de novas estratégias de diagnóstico e tratamento de patologias obstétricas. Estes resultados poderão contribuir para o estudo dos mecanismos de resposta materna à vacinação e à infeção.