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Monitorização da ocorrência de parasitas intestinais numa população hospitalar de crianças (0-10 anos), na ilha de Santiago, Cabo Verde

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Resumo:As infeções parasitárias intestinais encontram-se entre as infeções mais frequentes a nível mundial, sendo as crianças em idade pré-escolar e escolar um dos principais grupos de risco da população. Estima-se que cerca de 3,5 mil milhões de indivíduos estejam infetados, e que cerca de 450 milhões se encontrem doentes. A distribuição e a prevalência das espécies de parasitas intestinais variam de região para região, afetando maioritariamente os países de baixa renda, com clima tropical ou subtropical e com baixo grau de saneamento. O objetivo principal deste trabalho foi determinar a ocorrência de infeções parasitárias intestinais em crianças (sintomáticas e assintomáticas) dos 0 aos 10 anos, seguidas em ambulatório ou no internamento do Hospital Agostinho Neto (HAN), na cidade da Praia (Cabo Verde), e a sua relação com fatores sociodemográficos e clínicos. No HAN, a recolha de dados clínicos, epidemiológicos, sociodemográficos e a colheita das amostras fecais, decorreram nos meses de novembro e dezembro de 2015, e janeiro de 2016, e no Laboratório do Grupo de Protozoários Oportunistas/VIH e Outros Protozoários, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), foi efetuado o diagnóstico parasitológico e molecular. Para a deteção de DNA dos seguintes parasitas: Giardia duodenalis, Cryptosporidium spp. e do microsporídeo- Enterocytozoon bieneusi foram utilzadas as técnicas de nested-PCR. No presente estudo, no total das técnicas aplicadas, verificou-se que o número de crianças parasitadas foi bastante superior (74,0%) ao número de crianças não parasitadas (26,0%). Das espécies encontradas nas amostras fecais, Blastocystis hominis foi a espécie observada em maior percentagem (69.3%), seguida por G. duodenalis (10.7%), E. bieneusi (5.3%), Ascaris lumbricoides (4.7%), Entamoeba coli (4%), Hemynolepis nana (3.3%), Entamoeba histolytica/dispar (2.7%), Cryptosporidium spp. (1.3%) e Enteromonas hominis e Iodamoeba butschlii (0.7% cada). Os potenciais fatores de risco observados durante o estudo foram: idade, tipo de abastecimento de água e hábitos de defecação da criança. Do total de crianças parasitadas constatou-se que 7,2% encontravam-se infetadas por rotavírus. Os resultados e os dados epidemiológicos obtidos, neste estudo, reforçam a importância do diagnóstico e controlo das enteroparasitoses na população infantil de Cabo Verde.
Autores principais:GOMES, Livonilda da Luz Lopes
Assunto:Parasitologia médica Parasitas intestinais Hospitais Crianças Cabo Verde
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:As infeções parasitárias intestinais encontram-se entre as infeções mais frequentes a nível mundial, sendo as crianças em idade pré-escolar e escolar um dos principais grupos de risco da população. Estima-se que cerca de 3,5 mil milhões de indivíduos estejam infetados, e que cerca de 450 milhões se encontrem doentes. A distribuição e a prevalência das espécies de parasitas intestinais variam de região para região, afetando maioritariamente os países de baixa renda, com clima tropical ou subtropical e com baixo grau de saneamento. O objetivo principal deste trabalho foi determinar a ocorrência de infeções parasitárias intestinais em crianças (sintomáticas e assintomáticas) dos 0 aos 10 anos, seguidas em ambulatório ou no internamento do Hospital Agostinho Neto (HAN), na cidade da Praia (Cabo Verde), e a sua relação com fatores sociodemográficos e clínicos. No HAN, a recolha de dados clínicos, epidemiológicos, sociodemográficos e a colheita das amostras fecais, decorreram nos meses de novembro e dezembro de 2015, e janeiro de 2016, e no Laboratório do Grupo de Protozoários Oportunistas/VIH e Outros Protozoários, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), foi efetuado o diagnóstico parasitológico e molecular. Para a deteção de DNA dos seguintes parasitas: Giardia duodenalis, Cryptosporidium spp. e do microsporídeo- Enterocytozoon bieneusi foram utilzadas as técnicas de nested-PCR. No presente estudo, no total das técnicas aplicadas, verificou-se que o número de crianças parasitadas foi bastante superior (74,0%) ao número de crianças não parasitadas (26,0%). Das espécies encontradas nas amostras fecais, Blastocystis hominis foi a espécie observada em maior percentagem (69.3%), seguida por G. duodenalis (10.7%), E. bieneusi (5.3%), Ascaris lumbricoides (4.7%), Entamoeba coli (4%), Hemynolepis nana (3.3%), Entamoeba histolytica/dispar (2.7%), Cryptosporidium spp. (1.3%) e Enteromonas hominis e Iodamoeba butschlii (0.7% cada). Os potenciais fatores de risco observados durante o estudo foram: idade, tipo de abastecimento de água e hábitos de defecação da criança. Do total de crianças parasitadas constatou-se que 7,2% encontravam-se infetadas por rotavírus. Os resultados e os dados epidemiológicos obtidos, neste estudo, reforçam a importância do diagnóstico e controlo das enteroparasitoses na população infantil de Cabo Verde.