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O Geocaching como Fonte de Dados para a Modelação de Percepções Territoriais de Áreas Protegidas

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Resumo:O desenvolvimento e aplicação de Instrumentos de Gestão Territorial (IGT) carece tanto de informações de base válidas e actuais, como de conhecimentos técnicos e científicos que suportem as estratégias e decisões tomadas, sendo ao mesmo tempo capazes de avaliar os seus efeitos e resultados. No mundo actual, tendo em conta a complexidade do funcionamento territorial, as ferramentas de modelação geográfica são instrumentos indispensáveis e largamente utilizadas nos domínios das ciências da geografia como a demografia, o planeamento, a cartografia e o uso do solo, mas relativamente pouco exploradas no que diz respeito aos usos lúdicos e às percepções das populações em relação ao território. No âmbito da disciplina de ecologia recreativa, as ferramentas de modelação e planeamento têm sido cada vez mais utilizadas para a gestão do território, mas sobretudo à escala local. Por exemplo, no mapeamento de usos recreativos de uma Área Protegida (AP), ou na gestão dos seus impactos ecológicos e sociais tendo e conta os condicionamentos do seu plano de ordenamento. No entanto, face às especificidades quer das próprias AP ou dos territórios em que se inserem, quer das próprias actividades ou dos seus praticantes, raramente estas análises se fazem à escala regional ou nacional. Por exemplo a gestão das bicicletas de todo o terreno ou da corrida num parque natural de uma área metropolitana, dificilmente se poderá comparar com a gestão das mesmas modalidades numa AP de Montanha ou Estuarina. Investigações recentes deram atenção ao Geocaching, uma actividade recreativa com quase duas décadas, onde 7 milhões de praticantes registaram mais de 550 milhões de interacções com as 3 milhões de Geocaches espalhadas pelo mundo. A cada interacção corresponde no mínimo um par de coordenadas, um momento no tempo e um texto voluntariamente produzido pelos próprios Geocachers que pode ainda incluir fotografias. Este artigo explora a base de dados do Geocaching em Portugal (75 mil Geocaches) no sentido de modelar o uso lúdico do Pais à escala continental tendo em conta a demografia, ocupação do solo e o Sistema Nacional de Áreas Classificadas. Os resultados demonstram que locais de vistas largas e próximo de planos de água são aqueles onde as interacções são mais elaboradas (com mais fotografia e registos maiores), havendo uma correlação entre esta actividade e os locais mais turísticos do País, sugerindo que o Geocaching pode ser uma fonte de informação de base válida para alguns IGT.
Autores principais:Nogueira Mendes, Ricardo Manuel
Outros Autores:Santos, Teresa; Julião, Rui Pedro; FARÍAS TORBIDONI, Estela; Silva, Carlos Pereira da
Assunto:Modelação Geográfica Usos Recreativos Geocaching Instrumentos de Gestão Territorial
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:O desenvolvimento e aplicação de Instrumentos de Gestão Territorial (IGT) carece tanto de informações de base válidas e actuais, como de conhecimentos técnicos e científicos que suportem as estratégias e decisões tomadas, sendo ao mesmo tempo capazes de avaliar os seus efeitos e resultados. No mundo actual, tendo em conta a complexidade do funcionamento territorial, as ferramentas de modelação geográfica são instrumentos indispensáveis e largamente utilizadas nos domínios das ciências da geografia como a demografia, o planeamento, a cartografia e o uso do solo, mas relativamente pouco exploradas no que diz respeito aos usos lúdicos e às percepções das populações em relação ao território. No âmbito da disciplina de ecologia recreativa, as ferramentas de modelação e planeamento têm sido cada vez mais utilizadas para a gestão do território, mas sobretudo à escala local. Por exemplo, no mapeamento de usos recreativos de uma Área Protegida (AP), ou na gestão dos seus impactos ecológicos e sociais tendo e conta os condicionamentos do seu plano de ordenamento. No entanto, face às especificidades quer das próprias AP ou dos territórios em que se inserem, quer das próprias actividades ou dos seus praticantes, raramente estas análises se fazem à escala regional ou nacional. Por exemplo a gestão das bicicletas de todo o terreno ou da corrida num parque natural de uma área metropolitana, dificilmente se poderá comparar com a gestão das mesmas modalidades numa AP de Montanha ou Estuarina. Investigações recentes deram atenção ao Geocaching, uma actividade recreativa com quase duas décadas, onde 7 milhões de praticantes registaram mais de 550 milhões de interacções com as 3 milhões de Geocaches espalhadas pelo mundo. A cada interacção corresponde no mínimo um par de coordenadas, um momento no tempo e um texto voluntariamente produzido pelos próprios Geocachers que pode ainda incluir fotografias. Este artigo explora a base de dados do Geocaching em Portugal (75 mil Geocaches) no sentido de modelar o uso lúdico do Pais à escala continental tendo em conta a demografia, ocupação do solo e o Sistema Nacional de Áreas Classificadas. Os resultados demonstram que locais de vistas largas e próximo de planos de água são aqueles onde as interacções são mais elaboradas (com mais fotografia e registos maiores), havendo uma correlação entre esta actividade e os locais mais turísticos do País, sugerindo que o Geocaching pode ser uma fonte de informação de base válida para alguns IGT.