Publicação
Análise das trajetórias de descarbonização do setor da construção e o impacto do CBAM - Carbon Border Adjustment Mechanism
| Resumo: | A crescente ambição climática da União Europeia (UE), trouxe novos desafios para setores intensivos em emissões de gases com efeito de estufa (GEE). O Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM) surge como um instrumento destinado a mitigar a fuga de carbono e a promover a concorrência justa entre produtores europeus e países terceiros. No entanto, o impacto do CBAM sobre o setor da construção em Portugal, parcialmente dependente da importação de materiais como o ferro, o aço e o cimento, ainda não se encontra devidamente avaliado. A construção depende de subsetores (cimento e aço) com uma elevada intensidade carbónica, sendo assim essenciais para a transição climática. Com a introdução do CBAM, espera-se que os custos associados aos materiais de construção importados aumentem, afetando a competitividade das empresas e a estrutura de custos das obras públicas e privadas. Analisar o impacto deste mecanismo é, portanto, fundamental para compreender como o setor português pode conciliar a sustentabilidade ambiental e a viabilidade económica num contexto regulatório em rápida transformação. O estudo desenvolveu uma análise quantitativa dos impactos do CBAM sobre os materiais de construção importados por Portugal (cimento e ferro/aço), considerando diferentes cenários de preço. Foram avaliados os efeitos económicos (variação nos custos de importação) e ambientais (redução de emissões incorporadas), bem como as implicações para empresas de diferentes dimensões. O trabalho apoiou-se em dados da UE, dados de emissões e em literatura sobre a descarbonização no setor da construção. Os resultados mostram que o CBAM terá impactos económicos moderados, mas relevantes, podendo atingir um valor de certificados a pagar de 10,12 milhões de euros por ano, num cenário que considera o último preço registado no CELE, e de 13,01 milhões de euros no cenário de preço CBAM mais elevado. As micro e pequenas empresas de construção revelam maior vulnerabilidade, podendo atingir preços de 11 e 1,5 milhões de euros, respetivamente, enquanto as médias e grandes empresas dispõem de maior capacidade de adaptação. Verifica-se ainda que o mecanismo pode estimular a inovação tecnológica, a adoção de materiais com menor pegada carbónica e o reforço da competitividade do setor. |
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| Autores principais: | Silva, Rita Jorge Roberto da |
| Assunto: | Carbon Border Adjustment Mechanism Construção Descarbonização Emissões incorporadas Cimento Ferro |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A crescente ambição climática da União Europeia (UE), trouxe novos desafios para setores intensivos em emissões de gases com efeito de estufa (GEE). O Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM) surge como um instrumento destinado a mitigar a fuga de carbono e a promover a concorrência justa entre produtores europeus e países terceiros. No entanto, o impacto do CBAM sobre o setor da construção em Portugal, parcialmente dependente da importação de materiais como o ferro, o aço e o cimento, ainda não se encontra devidamente avaliado. A construção depende de subsetores (cimento e aço) com uma elevada intensidade carbónica, sendo assim essenciais para a transição climática. Com a introdução do CBAM, espera-se que os custos associados aos materiais de construção importados aumentem, afetando a competitividade das empresas e a estrutura de custos das obras públicas e privadas. Analisar o impacto deste mecanismo é, portanto, fundamental para compreender como o setor português pode conciliar a sustentabilidade ambiental e a viabilidade económica num contexto regulatório em rápida transformação. O estudo desenvolveu uma análise quantitativa dos impactos do CBAM sobre os materiais de construção importados por Portugal (cimento e ferro/aço), considerando diferentes cenários de preço. Foram avaliados os efeitos económicos (variação nos custos de importação) e ambientais (redução de emissões incorporadas), bem como as implicações para empresas de diferentes dimensões. O trabalho apoiou-se em dados da UE, dados de emissões e em literatura sobre a descarbonização no setor da construção. Os resultados mostram que o CBAM terá impactos económicos moderados, mas relevantes, podendo atingir um valor de certificados a pagar de 10,12 milhões de euros por ano, num cenário que considera o último preço registado no CELE, e de 13,01 milhões de euros no cenário de preço CBAM mais elevado. As micro e pequenas empresas de construção revelam maior vulnerabilidade, podendo atingir preços de 11 e 1,5 milhões de euros, respetivamente, enquanto as médias e grandes empresas dispõem de maior capacidade de adaptação. Verifica-se ainda que o mecanismo pode estimular a inovação tecnológica, a adoção de materiais com menor pegada carbónica e o reforço da competitividade do setor. |
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