Publicação
O agenciamento redes-ruas nos perfis de Facebook das "Ocupações Secundaristas" do Brasil: Performatividade, subjetividade e comunicação net-ativista
| Resumo: | O problema de pesquisa que orienta essa tese busca compreender como os movimentos net-ativistas que ocupam espaços públicos, nomeadamente em um estudo a partir do movimento das Ocupações Secundaristas de 2015 a 2017 no Brasil, estão a configurar suas reivindicações através das redes sociais digitais. Secundaristas é uma das nomenclaturas para denominar, no Brasil, o grupo de estudantes que se encontram no Ensino Secundário, a última etapa do ensino básico brasileiro, e que, entre 2015 e 2017, protagonizaram a ocupação de mais de mil instituições de ensino no país como modo de reivindicação e visibilidade para demandas muito diversas. Abordamos o fenômeno a partir das perspectivas do acontecimento e do agenciamento deleuze-guattarianos, inscrevendo nossa perspectiva epistemológica em um pensamento pós-estruturalista que privilegia a produção da diferença e a dimensão relacional entre multiplicidades. O objetivo é compreender os modos comunicativos e performativos que se realizam no agenciamento entre redes digitais, corpos e ruas nesses movimentos. Com isso, o netativismo, a performatividade e os modos de produção de subjetividade são os eixos teóricos que permitem uma configuração micropolítica de nosso objeto de estudo voltada aos seus aspectos comunicacionais. Propomos no trabalho um percurso teóricometodológico inspirado nos conceitos de rizoma e cartografia de Deleuze e Guattari, enquanto abordagens que orientam a privilegiar as conexões, a heterogeneidade e multiplicidade e os sistemas não hierárquicos e não centrados. Nesse processo, elegemos perfis de Facebook criados pelos estudantes do movimento de ocupação como elemento principal de nosso corpus empírico de análise. Nossa análise busca conectar esses posts de forma qualitativa, aberta aos processos de produção de subjetividade e aos fluxos de desejo comunicados nesses perfis. Sem estabelecer categorias rígidas, compusemos constelações nas quais sublinhamos o hibridismo entre redes digitais e ruas como operador comum. O movimento das Ocupações Secundaristas demonstrou incorporar os códigos do net-ativismo, assim como novas dimensões de um agir comunicativo em rede. Entre os agenciamentos analisados, destacamos os limites e fronteiras entre os códigos do net-ativismo e do diálogo representativo político como um dos problemas diretamente da ordem da comunicação; o caráter multitudinário que se expressa em enunciados estratégicos que desnaturalizam uma universalidade identitária; o exercício transubjetivo do poder performativo que conecta sujeitos, dispositivos, fluxos informativos e territorialidades; e a potência de inoperosidade enquanto modo de subjetivação singular. O trabalho intenciona, portanto, contribuir para os estudos sobre o net-ativismo no campo da comunicação, a partir de uma perspectiva não centrada no sujeito, nem puramente na dimensão tecnológica dos dispositivos de comunicação contemporâneos. Priorizamos, desse modo, uma dinâmica relacional em que as mutações no cenário comunicativo se expressam nas redes, mas também em transformações radicais em toda a ecologia dos protestos e dos novos modos de conflitualidade e produção de subjetividades. |
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| Autores principais: | Silva, Danielle Miranda da |
| Assunto: | Movimentos Occupy Ocupações Secundaristas Net-ativismo Net-activism Secondary Students Occupations Occupy Movements |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | O problema de pesquisa que orienta essa tese busca compreender como os movimentos net-ativistas que ocupam espaços públicos, nomeadamente em um estudo a partir do movimento das Ocupações Secundaristas de 2015 a 2017 no Brasil, estão a configurar suas reivindicações através das redes sociais digitais. Secundaristas é uma das nomenclaturas para denominar, no Brasil, o grupo de estudantes que se encontram no Ensino Secundário, a última etapa do ensino básico brasileiro, e que, entre 2015 e 2017, protagonizaram a ocupação de mais de mil instituições de ensino no país como modo de reivindicação e visibilidade para demandas muito diversas. Abordamos o fenômeno a partir das perspectivas do acontecimento e do agenciamento deleuze-guattarianos, inscrevendo nossa perspectiva epistemológica em um pensamento pós-estruturalista que privilegia a produção da diferença e a dimensão relacional entre multiplicidades. O objetivo é compreender os modos comunicativos e performativos que se realizam no agenciamento entre redes digitais, corpos e ruas nesses movimentos. Com isso, o netativismo, a performatividade e os modos de produção de subjetividade são os eixos teóricos que permitem uma configuração micropolítica de nosso objeto de estudo voltada aos seus aspectos comunicacionais. Propomos no trabalho um percurso teóricometodológico inspirado nos conceitos de rizoma e cartografia de Deleuze e Guattari, enquanto abordagens que orientam a privilegiar as conexões, a heterogeneidade e multiplicidade e os sistemas não hierárquicos e não centrados. Nesse processo, elegemos perfis de Facebook criados pelos estudantes do movimento de ocupação como elemento principal de nosso corpus empírico de análise. Nossa análise busca conectar esses posts de forma qualitativa, aberta aos processos de produção de subjetividade e aos fluxos de desejo comunicados nesses perfis. Sem estabelecer categorias rígidas, compusemos constelações nas quais sublinhamos o hibridismo entre redes digitais e ruas como operador comum. O movimento das Ocupações Secundaristas demonstrou incorporar os códigos do net-ativismo, assim como novas dimensões de um agir comunicativo em rede. Entre os agenciamentos analisados, destacamos os limites e fronteiras entre os códigos do net-ativismo e do diálogo representativo político como um dos problemas diretamente da ordem da comunicação; o caráter multitudinário que se expressa em enunciados estratégicos que desnaturalizam uma universalidade identitária; o exercício transubjetivo do poder performativo que conecta sujeitos, dispositivos, fluxos informativos e territorialidades; e a potência de inoperosidade enquanto modo de subjetivação singular. O trabalho intenciona, portanto, contribuir para os estudos sobre o net-ativismo no campo da comunicação, a partir de uma perspectiva não centrada no sujeito, nem puramente na dimensão tecnológica dos dispositivos de comunicação contemporâneos. Priorizamos, desse modo, uma dinâmica relacional em que as mutações no cenário comunicativo se expressam nas redes, mas também em transformações radicais em toda a ecologia dos protestos e dos novos modos de conflitualidade e produção de subjetividades. |
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