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Lados B — uma coleção de histórias de cientistas

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Resumo:A comunicação de ciência é sempre fundamental, mais ainda num contexto em que negar a ciência passou a ser uma prática instalada. Os exemplos e atores são vários, entre os quais os populismos crescentes no mundo, que veem os cientistas como parte do status quo do sistema democrático que querem colocar em causa e os não especialistas que se equiparam a especialistas, amplificando a sua mensagem através das redes sociais, terreno fértil para a desinformação e para o obscurantismo. Além disso, saliente-se as motivações económicas que alavancam estes movimentos, cuja ação não é inócua. Um dos efeitos dessa ação é claro: negar as evidências sobre o impacto humano nas alterações climáticas, é contribuir para negar o futuro às próximas gerações. O desafio é grande. A narrativa, as histórias de não-ficção e o storytelling de longo formato constituem uma forma eficaz de comunicar ciência, retratando a ciência e os cientistas de uma forma próxima à experiência humana e cativando o público para um envolvimento mais profundo com o conteúdo científico. Os benefícios destes formatos são claros para a (comunicação de) ciência: captam a atenção, o que é fundamental num contexto em que esta se dispersa por milhares de fontes de informação e de conteúdo produzido a todo o instante; aumentam o envolvimento ativo, que é o que se pretende no paradigma atual da comunicação bidirecional; desenvolvem a compreensão; suscitam o interesse e estimulam a diversão, fornecendo aos comunicadores de ciência ferramentas que se adequam aos objetivos a cumprir a cada momento. Um livro de ciência amplia esses benefícios, não sem apresentar desafios, que oferecem outras possibilidades. A construção de significados a partir da leitura de um livro é sempre contextual, edificando-se a partir do ponto e do momento em que o leitor se encontra. A geração desse significado não é espontânea, surgindo num contínuo que é a vida e a experiência desse leitor que, muitas vezes, carrega ideias estereotipadas sobre o que é a ciência e o que é ser cientista. Esta é, por isso, uma oportunidade para desafiar essa visão, apresentando diferentes representações de cientistas. Olhar para a dimensão humana dos cientistas, sem a sua glorificação, permite também criar uma maior identificação com os leitores e adesão aos objetivos de comunicação. Este trabalho de projeto consiste na construção do livro Lados B — uma coleção de histórias de cientistas, informado pela literatura, técnicas jornalísticas e práticas de escrita sobre ciência. Baseado nessa tríade, avança para o protótipo do livro, apresenta dois capítulos, e propõe as coordenadas para mapear o desenvolvimento de um livro de ciência.
Autores principais:Grilo, Manuel Castro
Assunto:Ciência Comunicação de ciência Cientistas Livro Histórias Não-ficção Science Science communication Scientists Book Stories Non-fiction Trabalho de projeto
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A comunicação de ciência é sempre fundamental, mais ainda num contexto em que negar a ciência passou a ser uma prática instalada. Os exemplos e atores são vários, entre os quais os populismos crescentes no mundo, que veem os cientistas como parte do status quo do sistema democrático que querem colocar em causa e os não especialistas que se equiparam a especialistas, amplificando a sua mensagem através das redes sociais, terreno fértil para a desinformação e para o obscurantismo. Além disso, saliente-se as motivações económicas que alavancam estes movimentos, cuja ação não é inócua. Um dos efeitos dessa ação é claro: negar as evidências sobre o impacto humano nas alterações climáticas, é contribuir para negar o futuro às próximas gerações. O desafio é grande. A narrativa, as histórias de não-ficção e o storytelling de longo formato constituem uma forma eficaz de comunicar ciência, retratando a ciência e os cientistas de uma forma próxima à experiência humana e cativando o público para um envolvimento mais profundo com o conteúdo científico. Os benefícios destes formatos são claros para a (comunicação de) ciência: captam a atenção, o que é fundamental num contexto em que esta se dispersa por milhares de fontes de informação e de conteúdo produzido a todo o instante; aumentam o envolvimento ativo, que é o que se pretende no paradigma atual da comunicação bidirecional; desenvolvem a compreensão; suscitam o interesse e estimulam a diversão, fornecendo aos comunicadores de ciência ferramentas que se adequam aos objetivos a cumprir a cada momento. Um livro de ciência amplia esses benefícios, não sem apresentar desafios, que oferecem outras possibilidades. A construção de significados a partir da leitura de um livro é sempre contextual, edificando-se a partir do ponto e do momento em que o leitor se encontra. A geração desse significado não é espontânea, surgindo num contínuo que é a vida e a experiência desse leitor que, muitas vezes, carrega ideias estereotipadas sobre o que é a ciência e o que é ser cientista. Esta é, por isso, uma oportunidade para desafiar essa visão, apresentando diferentes representações de cientistas. Olhar para a dimensão humana dos cientistas, sem a sua glorificação, permite também criar uma maior identificação com os leitores e adesão aos objetivos de comunicação. Este trabalho de projeto consiste na construção do livro Lados B — uma coleção de histórias de cientistas, informado pela literatura, técnicas jornalísticas e práticas de escrita sobre ciência. Baseado nessa tríade, avança para o protótipo do livro, apresenta dois capítulos, e propõe as coordenadas para mapear o desenvolvimento de um livro de ciência.