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Aurélia de Souza, autorrepresentação e autorretrato: deslocações e subjetividades

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Resumo:A presente dissertação aborda o trabalho de autorrepresentação de Aurélia de Souza - no qual se inserem os seus autorretratos e outras obras em que representa mulheres - usando a noção alargada de autorrepresentação de José Gil (1994) - a partir das perspetivas do género e do corpo. Estas perspetivas têm particular relevância no caso singular da pintura Santo António, visto que para a sua execução Aurélia recorreu à fotografia, ao disfarce e ao crossdressing - práticas que foram sendo progressivamente adotadas por artistas mulheres no final do século XIX e que são, aqui, analisadas. Nesta dissertação faz-se uma sintética contextualização histórica da luta pela libertação das mulheres, que ganha maior expressão na passagem do século XIX para o século XX, e trata-se a progressiva integração da crítica feminista nos discursos da história da arte ocidental, assim como a produção de algumas artistas que se assumiram como matéria das suas obras, de que a fotógrafa contemporânea Cindy Sherman é um dos melhores exemplos. O corpo, geralmente central na autorrepresentação em pintura, é lugar de negociação de normais sociais atribuídas aos géneros. Na obra de Aurélia, corpo, o gesto e a roupa, resistem, muitas vezes, a fixações redutoras num estado, num papel ou numa visão de si. Algumas das suas obras, com uma dimensão espiritual e até mística, operam numa tensão entre materialidade e imaterialidade, criando uma qualidade de transitoriedade de corpos e rostos e das suas manifestações em vias de aparecer ou desaparecer.
Autores principais:Marques, David José dos Santos
Assunto:Autorrepresentação Autorretrato Género Encenação Fotografia Self-representation Self-portrait Gender Staging Photography
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A presente dissertação aborda o trabalho de autorrepresentação de Aurélia de Souza - no qual se inserem os seus autorretratos e outras obras em que representa mulheres - usando a noção alargada de autorrepresentação de José Gil (1994) - a partir das perspetivas do género e do corpo. Estas perspetivas têm particular relevância no caso singular da pintura Santo António, visto que para a sua execução Aurélia recorreu à fotografia, ao disfarce e ao crossdressing - práticas que foram sendo progressivamente adotadas por artistas mulheres no final do século XIX e que são, aqui, analisadas. Nesta dissertação faz-se uma sintética contextualização histórica da luta pela libertação das mulheres, que ganha maior expressão na passagem do século XIX para o século XX, e trata-se a progressiva integração da crítica feminista nos discursos da história da arte ocidental, assim como a produção de algumas artistas que se assumiram como matéria das suas obras, de que a fotógrafa contemporânea Cindy Sherman é um dos melhores exemplos. O corpo, geralmente central na autorrepresentação em pintura, é lugar de negociação de normais sociais atribuídas aos géneros. Na obra de Aurélia, corpo, o gesto e a roupa, resistem, muitas vezes, a fixações redutoras num estado, num papel ou numa visão de si. Algumas das suas obras, com uma dimensão espiritual e até mística, operam numa tensão entre materialidade e imaterialidade, criando uma qualidade de transitoriedade de corpos e rostos e das suas manifestações em vias de aparecer ou desaparecer.