Publicação
O impacto do sono no funcionamento cognitivo
| Resumo: | O sono é um processo natural e essencial, com um papel preponderante em inúmeras funções neurobiológicas, necessário para a manutenção da saúde física e cognitiva do ser humano. Tem sido, também, o protagonista das queixas mais frequentes nos adultos mais velhos. Mudanças fisiológicas e psicológicas procedentes do processo de senescência podem efetivamente ser observadas na qualidade do sono destes adultos com consequente declínio cognitivo. São diversos os estudos que evidenciam o papel do sono no desempenho cognitivo no envelhecimento. De forma a contribuir para esta temática, o presente estudo tem como objetivo central averiguar a existência de uma relação entre a qualidade do sono e a função cognitiva em adultos mais velhos, dando posterior ênfase ao estudo da relação entre a idade e o a cognição agregando a qualidade do sono subjetiva como potencial mediador. Foram também considerados como potenciais moderadores, a sintomatologia depressiva e ansiosa, na relação entre a qualidade do sono subjetiva e a cognição. Para o efeito, foram avaliados 95 participantes, 43 do sexo masculino e 52 do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 50 e os 83 anos, sendo a média de idades de 62 anos. Aplicou-se o MoCA, o teste de fluência verbal (semântica), os subtestes Memória de Dígitos e Semelhanças da WAIS-III, o AVLT, e o TMT (Parte A e B). Para além das provas neuropsicológicas, foram aplicados dois questionários para avaliar a qualidade do sono (IQSP e o ESE), e um para aferir os níveis de ansiedade e depressão (HADS). Tal como hipotetizado, constatou-se a presença de uma relação entre a qualidade do sono e o funcionamento cognitivo global (capacidades visuoespaciais/funções executivas, na nomeação e na linguagem). Os resultados também conferiram que a qualidade do sono tem um papel relevante na relação entre a idade e as habilidades cognitivas globais. Contudo, não foi observada uma relação significativa entre a qualidade do sono e a função cognitiva global entre os participantes com níveis mais elevados de sintomas depressivos e ansiosos. Assim, podemos concluir que a qualidade do sono percebida tem um impacto negativo no desempenho cognitivo global. Também se verificou que quanto maior a idade, menor a qualidade do sono e o desempenho cognitivo global. No entanto, os resultados não permitiram confirmar o papel moderador da sintomatologia ansiosa e depressiva na relação entre a qualidade do sono e o desempenho cognitivo. |
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| Autores principais: | Martins, Ana Francisca Valente |
| Assunto: | Qualidade do sono Desempenho cognitivo Envelhecimento Sintomatologia ansiosa Sintomatologia depressiva IQSP MoCa |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Algarve |
| Idioma: | português |
| Origem: | Sapientia - Universidade do Algarve |
| Resumo: | O sono é um processo natural e essencial, com um papel preponderante em inúmeras funções neurobiológicas, necessário para a manutenção da saúde física e cognitiva do ser humano. Tem sido, também, o protagonista das queixas mais frequentes nos adultos mais velhos. Mudanças fisiológicas e psicológicas procedentes do processo de senescência podem efetivamente ser observadas na qualidade do sono destes adultos com consequente declínio cognitivo. São diversos os estudos que evidenciam o papel do sono no desempenho cognitivo no envelhecimento. De forma a contribuir para esta temática, o presente estudo tem como objetivo central averiguar a existência de uma relação entre a qualidade do sono e a função cognitiva em adultos mais velhos, dando posterior ênfase ao estudo da relação entre a idade e o a cognição agregando a qualidade do sono subjetiva como potencial mediador. Foram também considerados como potenciais moderadores, a sintomatologia depressiva e ansiosa, na relação entre a qualidade do sono subjetiva e a cognição. Para o efeito, foram avaliados 95 participantes, 43 do sexo masculino e 52 do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 50 e os 83 anos, sendo a média de idades de 62 anos. Aplicou-se o MoCA, o teste de fluência verbal (semântica), os subtestes Memória de Dígitos e Semelhanças da WAIS-III, o AVLT, e o TMT (Parte A e B). Para além das provas neuropsicológicas, foram aplicados dois questionários para avaliar a qualidade do sono (IQSP e o ESE), e um para aferir os níveis de ansiedade e depressão (HADS). Tal como hipotetizado, constatou-se a presença de uma relação entre a qualidade do sono e o funcionamento cognitivo global (capacidades visuoespaciais/funções executivas, na nomeação e na linguagem). Os resultados também conferiram que a qualidade do sono tem um papel relevante na relação entre a idade e as habilidades cognitivas globais. Contudo, não foi observada uma relação significativa entre a qualidade do sono e a função cognitiva global entre os participantes com níveis mais elevados de sintomas depressivos e ansiosos. Assim, podemos concluir que a qualidade do sono percebida tem um impacto negativo no desempenho cognitivo global. Também se verificou que quanto maior a idade, menor a qualidade do sono e o desempenho cognitivo global. No entanto, os resultados não permitiram confirmar o papel moderador da sintomatologia ansiosa e depressiva na relação entre a qualidade do sono e o desempenho cognitivo. |
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