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Sun, Sand, Sea and (of course) Sex*: Práticas e representações da sexualidade e da intimidade em contexto turístico no Algarve

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A literatura é relativamente unânime sobre a componente sexual do turismo. O sexo faz parte da vida e se as pessoas praticam sexo quando estão em casa, então deve-se esperar que também o pratiquem quando viajam. Na verdade, deve-se esperar que tenham mais experiências sexuais, devido à natureza liminar do turismo ou, pelo menos, deve-se esperar que essas experiências sejam mais intensas, devido ao afrouxamento do controlo social e anonimato providenciados pelo destino. A maioria dos estudos produzidos sob a relação entre turismo e sexualidade tem incidido de forma desproporcional sobre o chamado turismo sexual, a prostituição orientada para turistas, o tráfico de pessoas para fins sexuais, as desigualdades de género, a violação dos direitos humanos e a propagação do VIH como resultado do turismo sexual. Apesar da importância destes estudos, que ajudam a compreender e denunciar situações legítimas, a comercialização do sexo é apenas uma pequena parte do espectro total do comportamento sexual humano em contexto turístico. Para muitas pessoas, especialmente casais ou famílias em férias, as relações sexuais acontecem na continuação das suas vidas «normais», embora possam ganhar em frequência e intensidade. Na verdade, a grande maioria das pessoas que praticam sexo durante as viagens turísticas, fazem-nos com os parceiros habituais ou com novos parceiros, em relacionamentos que podem ser de curta duração, mas que são consensuais, gratificantes e não pecuniários. O objetivo desta pesquisa é examinar as representações e as práticas dos turistas relacionadas com o sexo e o romance, num dos destinos turísticos de «sol e praia» mais reconhecidos da Europa, o Algarve (sul de Portugal). O Algarve não é um destino de turismo sexual. É um destino para famílias, casais e amigos em férias, onde o sexo desempenha um papel central, longe de casa e dos constrangimentos do quotidiano. Portanto, é necessário compreender os comportamentos sexuais dos turistas fora do paradigma do turismo sexual. A pesquisa utiliza uma metodologia mista, em que os turistas que fazem férias no Algarve são convidados a participar, através da resposta a um inquérito por questionário e uma entrevista em profundidade. No total, foram gravadas 29 entrevistas e validados 1.015 inquéritos por questionário. Os resultados mostram uma forte relação entre as férias e os encontros românticos e sexuais, seja no âmbito de novos relacionamentos ou no fortalecimento de relações pré-estabelecidas. A natureza liminar do turismo oferece novas oportunidades para os indivíduos se envolverem em relações sexuais ou de romance, criando boas memórias sobre as experiências vividas e sobre o Algarve. Além disso, os resultados mostram comportamentos diferentes de acordo com o género e outras características sociodemográficas. O duplo padrão sexual, embora atenuado, continua a restringir as representações e as práticas sexuais, especialmente no caso das mulheres. O sexo ocasional faz parte sobretudo do imaginário masculino, enquanto as mulheres percebem a viagem turística como possibilidade para dedicar mais tempo a(o) parceiro(a) habitual, investindo nesses relacionamentos. Em simultâneo, evidenciam-se comportamentos sexuais de risco que importa analisar para neles intervir.
Autores principais:Lança, Milene Margarida Gonçalves
Assunto:Sexo Romance Intimidade Turismo Liminaridade Algarve Metodologia mista
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Algarve
Idioma:português
Origem:Sapientia - Universidade do Algarve
Descrição
Resumo:A literatura é relativamente unânime sobre a componente sexual do turismo. O sexo faz parte da vida e se as pessoas praticam sexo quando estão em casa, então deve-se esperar que também o pratiquem quando viajam. Na verdade, deve-se esperar que tenham mais experiências sexuais, devido à natureza liminar do turismo ou, pelo menos, deve-se esperar que essas experiências sejam mais intensas, devido ao afrouxamento do controlo social e anonimato providenciados pelo destino. A maioria dos estudos produzidos sob a relação entre turismo e sexualidade tem incidido de forma desproporcional sobre o chamado turismo sexual, a prostituição orientada para turistas, o tráfico de pessoas para fins sexuais, as desigualdades de género, a violação dos direitos humanos e a propagação do VIH como resultado do turismo sexual. Apesar da importância destes estudos, que ajudam a compreender e denunciar situações legítimas, a comercialização do sexo é apenas uma pequena parte do espectro total do comportamento sexual humano em contexto turístico. Para muitas pessoas, especialmente casais ou famílias em férias, as relações sexuais acontecem na continuação das suas vidas «normais», embora possam ganhar em frequência e intensidade. Na verdade, a grande maioria das pessoas que praticam sexo durante as viagens turísticas, fazem-nos com os parceiros habituais ou com novos parceiros, em relacionamentos que podem ser de curta duração, mas que são consensuais, gratificantes e não pecuniários. O objetivo desta pesquisa é examinar as representações e as práticas dos turistas relacionadas com o sexo e o romance, num dos destinos turísticos de «sol e praia» mais reconhecidos da Europa, o Algarve (sul de Portugal). O Algarve não é um destino de turismo sexual. É um destino para famílias, casais e amigos em férias, onde o sexo desempenha um papel central, longe de casa e dos constrangimentos do quotidiano. Portanto, é necessário compreender os comportamentos sexuais dos turistas fora do paradigma do turismo sexual. A pesquisa utiliza uma metodologia mista, em que os turistas que fazem férias no Algarve são convidados a participar, através da resposta a um inquérito por questionário e uma entrevista em profundidade. No total, foram gravadas 29 entrevistas e validados 1.015 inquéritos por questionário. Os resultados mostram uma forte relação entre as férias e os encontros românticos e sexuais, seja no âmbito de novos relacionamentos ou no fortalecimento de relações pré-estabelecidas. A natureza liminar do turismo oferece novas oportunidades para os indivíduos se envolverem em relações sexuais ou de romance, criando boas memórias sobre as experiências vividas e sobre o Algarve. Além disso, os resultados mostram comportamentos diferentes de acordo com o género e outras características sociodemográficas. O duplo padrão sexual, embora atenuado, continua a restringir as representações e as práticas sexuais, especialmente no caso das mulheres. O sexo ocasional faz parte sobretudo do imaginário masculino, enquanto as mulheres percebem a viagem turística como possibilidade para dedicar mais tempo a(o) parceiro(a) habitual, investindo nesses relacionamentos. Em simultâneo, evidenciam-se comportamentos sexuais de risco que importa analisar para neles intervir.