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TRABALHO POR TURNOS, SÍNDROME METABÓLICA E RISCO CARDIOVASCULAR: UMA REVISÃO SOBRE OS IMPACTOS DA DESREGULAÇÃO CIRCADIANA NA SAÚDE OCUPACIONAL

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Resumo:RESUMO Introdução e objetivo: O trabalho por turnos, especialmente noturno e rotativo, é cada vez mais frequente em setores como saúde, transportes e indústria, levantando preocupações relevantes em saúde ocupacional. A desregulação dos ritmos circadianos compromete a homeostase do organismo, promovendo alterações hormonais, metabólicas e cardiovasculares. Esta revisão teve como objetivo analisar a evidência publicada entre 2020-2025 sobre a associação entre trabalho por turnos, síndrome metabólica e as doenças cardiovasculares, explorando os mecanismos fisiopatológicos subjacentes e discutindo implicações práticas para a saúde ocupacional. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura com pesquisa nas bases de dados Medline (via PubMed), Scielo e Cochrane em abril de 2025. Foram incluídos artigos publicados em português e inglês entre 2020-2025. Revisões sistemáticas e narrativas foram consideradas como fontes secundárias. Estudos clássicos anteriores foram usados apenas para enquadramento conceptual. A qualidade da evidência foi avaliada segundo a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT). Resultados: Foram inicialmente identificados 38 artigos, dos quais 10 cumpriram os critérios de inclusão e foram analisados. A evidência aponta para risco acrescido de Síndroma Metabólica (OR ~1,5) e Doença Cardiovascular (RR ~1,2), com prevalência global até 33% em motoristas profissionais. Estudos longitudinais revelaram uma relação dose-resposta em exposições ≥10 anos e diferenças de género, com risco aumentado em mulheres. Os principais desfechos incluíram obesidade abdominal, hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina e maior incidência de eventos cardiovasculares. A Síndroma Metabólica foi definida de forma variável, segundo critérios do National Cholesterol Education Program - Adult Treatment Panel III, International Diabetes Federation e da Organização Mundial de Saúde. Para além da síntese internacional, esta revisão articula os resultados com investigações nacionais publicadas na Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional, reforçando a relevância prática destes achados no contexto português. Discussão e Conclusão: A evidência sugere que o trabalho por turnos é um fator de risco modificável para Síndroma Metabólica e Doença Cardiovascular, mediado por cronodisrupção e alterações hormonais e comportamentais. Apesar da consistência dos achados, limitações metodológicas (como predominância de estudos transversais, dados autorrelatados e heterogeneidade nas definições de turno) comprometem a generalização. Futuras coortes de longa duração devem adotar métricas padronizadas e integrar avaliação circadiana objetiva. Do ponto de vista ocupacional, recomenda-se rastreio periódico de indicadores cardiometabólicos, promoção de sono e estilos de vida saudáveis e adaptação dos turnos de acordo com o cronotipo individual, para potenciar a satisfação laboral e produtividade.
Autores principais:Brandão,M
Outros Autores:Gonçalves,D; Fernandes,A; Pinheiro,M
Assunto:Trabalho por turnos Ritmo circadiano Síndroma metabólica Doenças cardiovasculares Saúde ocupacional Medicina do Trabalho Enfermagem do Trabalho
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:RESUMO Introdução e objetivo: O trabalho por turnos, especialmente noturno e rotativo, é cada vez mais frequente em setores como saúde, transportes e indústria, levantando preocupações relevantes em saúde ocupacional. A desregulação dos ritmos circadianos compromete a homeostase do organismo, promovendo alterações hormonais, metabólicas e cardiovasculares. Esta revisão teve como objetivo analisar a evidência publicada entre 2020-2025 sobre a associação entre trabalho por turnos, síndrome metabólica e as doenças cardiovasculares, explorando os mecanismos fisiopatológicos subjacentes e discutindo implicações práticas para a saúde ocupacional. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura com pesquisa nas bases de dados Medline (via PubMed), Scielo e Cochrane em abril de 2025. Foram incluídos artigos publicados em português e inglês entre 2020-2025. Revisões sistemáticas e narrativas foram consideradas como fontes secundárias. Estudos clássicos anteriores foram usados apenas para enquadramento conceptual. A qualidade da evidência foi avaliada segundo a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT). Resultados: Foram inicialmente identificados 38 artigos, dos quais 10 cumpriram os critérios de inclusão e foram analisados. A evidência aponta para risco acrescido de Síndroma Metabólica (OR ~1,5) e Doença Cardiovascular (RR ~1,2), com prevalência global até 33% em motoristas profissionais. Estudos longitudinais revelaram uma relação dose-resposta em exposições ≥10 anos e diferenças de género, com risco aumentado em mulheres. Os principais desfechos incluíram obesidade abdominal, hipertensão, dislipidemia, resistência à insulina e maior incidência de eventos cardiovasculares. A Síndroma Metabólica foi definida de forma variável, segundo critérios do National Cholesterol Education Program - Adult Treatment Panel III, International Diabetes Federation e da Organização Mundial de Saúde. Para além da síntese internacional, esta revisão articula os resultados com investigações nacionais publicadas na Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional, reforçando a relevância prática destes achados no contexto português. Discussão e Conclusão: A evidência sugere que o trabalho por turnos é um fator de risco modificável para Síndroma Metabólica e Doença Cardiovascular, mediado por cronodisrupção e alterações hormonais e comportamentais. Apesar da consistência dos achados, limitações metodológicas (como predominância de estudos transversais, dados autorrelatados e heterogeneidade nas definições de turno) comprometem a generalização. Futuras coortes de longa duração devem adotar métricas padronizadas e integrar avaliação circadiana objetiva. Do ponto de vista ocupacional, recomenda-se rastreio periódico de indicadores cardiometabólicos, promoção de sono e estilos de vida saudáveis e adaptação dos turnos de acordo com o cronotipo individual, para potenciar a satisfação laboral e produtividade.