Publicação
Fibrose retroperitoneal secundária à colocação de stents aorto-ilíacos: a propósito de 2 casos clínicos
| Resumo: | A fibrose retroperitoneal (FR) é uma doença rara, caracterizada por inflamação e fibrose na periferia da aorta abdominal com disseminação ao longo do espaço retroperitoneal, invadindo estruturas contíguas. Em cerca de dois terços dos casos esta condição é idiopática havendo uma etiologia definida nos restantes. Mais frequentemente as formas secundárias estão associadas a fármacos e neoplasias, no entanto outras situações podem levar ao desenvolvimento da doença. Na última década tem surgido alguma evidência de que a FR está associada à angioplastia, stenting ou implantação de endoprótese nos eixos aortoilíacos, no entanto a literatura publicada é muito escassa. Apresentamos a nossa experiência com dois doentes com isquemia grau IIb, um com estenose pré-oclusiva da artéria ilíaca comum esquerda tendo sido submetido angioplastia e stenting da lesão, outro com estenose morfologicamente significativa da aorta abdominal infrarrenal tendo sido submetido a angioplastia e colocação de dois stents cobertas aortoilíacos sob a forma de kissing stent. Ambos os doentes desenvolveram dor lombar marcada tendo sido visualizado em angio-TC um processo inflamatório periaórtico sugestivo de fibrose retroperitoneal que posteriormente evoluiu para aneurisma inflamatório da aorta abdominal. O mecanismo fisiopatológico desta alteração não se encontra descrito, no entanto, poderemos supor que a angioplastia e stenting poderá levar a rotura da integridade da placa aterosclerótica com exposição de antigénios contidos no seu interior desencadeando uma resposta inflamatória local. Por outro lado, poderá existir uma reação imunológica diretamente contra o stent. É importante pensar nesta possível complicação, uma vez que existe uma notável resposta à corticoterapia e pela possibilidade de desenvolvimento de aneurisma da aorta inflamatório. |
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| Autores principais: | Mendes,Daniel |
| Outros Autores: | Machado,Rui; Rego,Duarte; Ferreira,Vitor; Gonçalves,João; Teixeira,Gabriela; Antunes,Inês; Veiga,Carlos; Almeida,Rui |
| Assunto: | Fibrose retroperitoneal Stent Endoprótese Aneurisma da aorta abdominal |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | relatório |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Fundação para a Ciência e Tecnologia |
| Idioma: | português |
| Origem: | SciELO Portugal |
| Resumo: | A fibrose retroperitoneal (FR) é uma doença rara, caracterizada por inflamação e fibrose na periferia da aorta abdominal com disseminação ao longo do espaço retroperitoneal, invadindo estruturas contíguas. Em cerca de dois terços dos casos esta condição é idiopática havendo uma etiologia definida nos restantes. Mais frequentemente as formas secundárias estão associadas a fármacos e neoplasias, no entanto outras situações podem levar ao desenvolvimento da doença. Na última década tem surgido alguma evidência de que a FR está associada à angioplastia, stenting ou implantação de endoprótese nos eixos aortoilíacos, no entanto a literatura publicada é muito escassa. Apresentamos a nossa experiência com dois doentes com isquemia grau IIb, um com estenose pré-oclusiva da artéria ilíaca comum esquerda tendo sido submetido angioplastia e stenting da lesão, outro com estenose morfologicamente significativa da aorta abdominal infrarrenal tendo sido submetido a angioplastia e colocação de dois stents cobertas aortoilíacos sob a forma de kissing stent. Ambos os doentes desenvolveram dor lombar marcada tendo sido visualizado em angio-TC um processo inflamatório periaórtico sugestivo de fibrose retroperitoneal que posteriormente evoluiu para aneurisma inflamatório da aorta abdominal. O mecanismo fisiopatológico desta alteração não se encontra descrito, no entanto, poderemos supor que a angioplastia e stenting poderá levar a rotura da integridade da placa aterosclerótica com exposição de antigénios contidos no seu interior desencadeando uma resposta inflamatória local. Por outro lado, poderá existir uma reação imunológica diretamente contra o stent. É importante pensar nesta possível complicação, uma vez que existe uma notável resposta à corticoterapia e pela possibilidade de desenvolvimento de aneurisma da aorta inflamatório. |
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