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Entre a revolução e a “normalização”: A cabeça de Salazar

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Resumo A partir dos acontecimentos de que foi alvo a estátua de Salazar em Santa Comba Dão em 1975 e 1978, procuraremos refletir sobre como a “normalização” democrática se traduziu numa narrativa assente na reconciliação e pacificação, na desvalorização da Revolução e na ideia de que fora o 25 de Novembro, e não aquela, a garantir a democratização e a pacificação automática do país. A forma de evocar o passado e os seus usos públicos é fundamental no combate político na viragem da década de 1970 para 1980 - período de maior tensão e confrontação do que normalmente é percecionado e de charneira no que concerne à violência política - sobretudo, em 1978, ano decisivo no “ajuste de contas” com o passado. As representações desse mesmo passado, especialmente da Revolução, eram essenciais na legitimação do status quo pós 25 de Novembro que não encerrara completamente o debate sobre o modelo de sociedade.
Autores principais:Ruivo,Francisco Bairrão
Assunto:Memória Revolução Normalização Democrática Estatuária Violência
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:Resumo A partir dos acontecimentos de que foi alvo a estátua de Salazar em Santa Comba Dão em 1975 e 1978, procuraremos refletir sobre como a “normalização” democrática se traduziu numa narrativa assente na reconciliação e pacificação, na desvalorização da Revolução e na ideia de que fora o 25 de Novembro, e não aquela, a garantir a democratização e a pacificação automática do país. A forma de evocar o passado e os seus usos públicos é fundamental no combate político na viragem da década de 1970 para 1980 - período de maior tensão e confrontação do que normalmente é percecionado e de charneira no que concerne à violência política - sobretudo, em 1978, ano decisivo no “ajuste de contas” com o passado. As representações desse mesmo passado, especialmente da Revolução, eram essenciais na legitimação do status quo pós 25 de Novembro que não encerrara completamente o debate sobre o modelo de sociedade.