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Protocolo de descanulação de traqueostomia num hospital pediátrico terciário

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Resumo Introdução - A traqueostomia pediátrica está associada a uma significativa morbilidade, sendo a descanulação o objetivo primordial, assim que a indicação subjacente para o procedimento se encontre resolvida. Existe grande variabilidade nos protocolos de descanulação pediátrica, tornando-se imperativo a criação de um protocolo que espelhe a realidade dos hospitais portugueses. Objetivos - Descrever o protocolo de descanulação do Hospital Dona Estefânia, destacando as etapas essenciais para a descanulação de doentes pediátricos com traqueostomias de longa duração. Discutir as observações preliminares sobre a segurança e eficácia deste protocolo. Material e Métodos - Realização de uma revisão bibliográfica sistemática nas bases de dados MEDLINE, Cochrane Central Register of Controlled Trials and Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature, baseada no modelo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), selecionando trabalhos publicados entre janeiro de 2011 e dezembro de 2021. Com base nesta revisão foi construído o protocolo de descanulação do Hospital Dona Estefânia. Resultados - Um total de 22 estudos foram revistos, incluindo 2387 doentes. As modificações da cânula de traqueostomia incluíram a utilização de tampa (n = 18, 82%), redução de tamanho (n = 12, 55%) e utilização de cânula fenestrada (n = 1, 5%). As medições das trocas de gases respiratórios prévias à descanulação incluíram oximetria (n = 9, 41%), capnografia (n = 3, 14%), gasimetria (n = 2, 9%) e polissonografia (n = 14, 64%). A laringotraqueoscopia foi utilizada rotineiramente em 21 dos 22 (95.5%) protocolos. Após a descanulação, os doentes são transferidos para a enfermaria ou unidade de cuidados intensivos, ficando a maioria em ar ambiente e cumprindo um período de observação não superior a 48 horas (77% dos protocolos). No protocolo proposto para o HDE, a criança considerada apta a descanulação deve-se encontrar sem necessidade de suporte ventilatório, a tolerar a diminuição do tamanho da cânula de traqueostomia e a utilização de tampa, sem dessaturações ou sinais de dificuldade respiratória, diurnos, noturnos ou em exercício. Conclusões - Linhas orientadoras baseadas na evidência que padronizem os cuidados com a traqueostomia pediátrica e o processo de descanulação continuam a ser uma prioridade.
Autores principais:Chantre,Tiago
Outros Autores:Moreira,Inês Alpoim; Barroso,Mafalda; Oliveira,Mariana; Sousa,Herédio
Assunto:descanulação traquestomia pediátrica protocolo
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:Resumo Introdução - A traqueostomia pediátrica está associada a uma significativa morbilidade, sendo a descanulação o objetivo primordial, assim que a indicação subjacente para o procedimento se encontre resolvida. Existe grande variabilidade nos protocolos de descanulação pediátrica, tornando-se imperativo a criação de um protocolo que espelhe a realidade dos hospitais portugueses. Objetivos - Descrever o protocolo de descanulação do Hospital Dona Estefânia, destacando as etapas essenciais para a descanulação de doentes pediátricos com traqueostomias de longa duração. Discutir as observações preliminares sobre a segurança e eficácia deste protocolo. Material e Métodos - Realização de uma revisão bibliográfica sistemática nas bases de dados MEDLINE, Cochrane Central Register of Controlled Trials and Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature, baseada no modelo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), selecionando trabalhos publicados entre janeiro de 2011 e dezembro de 2021. Com base nesta revisão foi construído o protocolo de descanulação do Hospital Dona Estefânia. Resultados - Um total de 22 estudos foram revistos, incluindo 2387 doentes. As modificações da cânula de traqueostomia incluíram a utilização de tampa (n = 18, 82%), redução de tamanho (n = 12, 55%) e utilização de cânula fenestrada (n = 1, 5%). As medições das trocas de gases respiratórios prévias à descanulação incluíram oximetria (n = 9, 41%), capnografia (n = 3, 14%), gasimetria (n = 2, 9%) e polissonografia (n = 14, 64%). A laringotraqueoscopia foi utilizada rotineiramente em 21 dos 22 (95.5%) protocolos. Após a descanulação, os doentes são transferidos para a enfermaria ou unidade de cuidados intensivos, ficando a maioria em ar ambiente e cumprindo um período de observação não superior a 48 horas (77% dos protocolos). No protocolo proposto para o HDE, a criança considerada apta a descanulação deve-se encontrar sem necessidade de suporte ventilatório, a tolerar a diminuição do tamanho da cânula de traqueostomia e a utilização de tampa, sem dessaturações ou sinais de dificuldade respiratória, diurnos, noturnos ou em exercício. Conclusões - Linhas orientadoras baseadas na evidência que padronizem os cuidados com a traqueostomia pediátrica e o processo de descanulação continuam a ser uma prioridade.