Publicação
A SITUAÇÃO ALIMENTAR E NUTRICIONAL NO SUL DE ANGOLA - UMA REVISÃO DA EVOLUÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL E DAS PRÁTICAS ALIMENTARES NA INFÂNCIA
| Resumo: | RESUMO A evidência científica mostra que práticas alimentares inadequadas nos primeiros 2 anos de vida têm efeitos negativos no estado nutricional e prejudicam um desenvolvimento adequado e a saúde no ciclo de vida. A insegurança alimentar é uma das principais causas de desnutrição. O sul de Angola apresenta níveis inadequados de insegurança alimentar, pelo que é relevante caracterizar a situação alimentar e nutricional das crianças na região. Realizou-se uma revisão narrativa para analisar a evolução da situação alimentar e nutricional das crianças < 5 anos na região do sul de Angola, nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe. Foi revista a melhor evidência publicada nos últimos 15 anos em relatórios de inquéritos populacionais realizados por entidades públicas angolanas e por organizações que atuam na região. No sul de Angola, as prevalências de desnutrição aguda global, de desnutrição crónica global e de baixo peso global aparentam estar a aumentar, com exceção da desnutrição aguda global no Cunene. Dados de 2021 mostraram valores de desnutrição aguda global de 9,0%, superiores aos targets definidos internacionalmente de < 5%. A desnutrição crónica global na região classifica-se como “muito alta”, apresentando um valor de 47,1%, sendo superior na Huíla e no Cunene. A região apresenta também valores elevados de baixo peso global (28,5%). Já o excesso de peso apresenta valores baixos (1,1%) e a prevalência de aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses parece também ter uma evolução positiva em toda a região. Apesar da escassez de informação sobre o consumo alimentar individual, os dados ao nível do agregado familiar apontam para a diminuição da diversidade e da frequência alimentar das crianças dos 6 aos 23 meses. Em conclusão, os resultados mostram a necessidade de monitorização periódica da situação alimentar e nutricional das crianças menores de 5 anos na região. Recomenda-se o fortalecimento de estratégias de monitorização do estado nutricional e das práticas alimentares na infância e um reforço da capacitação dos profissionais de saúde na área da nutrição, com vista ao desenvolvimento de programas para a mitigação da situação atual para consequente melhoria do estado nutricional e de saúde, e redução da mortalidade infantil. |
|---|---|
| Autores principais: | Viana,Isa |
| Outros Autores: | Luís,Rita Pereira; Torres,Duarte; Francisco,Ketha; Granja,Liliana; Rodrigues,Sofia; Lopes,Carla |
| Assunto: | África Desnutrição aguda Desnutrição crónica Estado nutricional Práticas alimentares na infância Sul de Angola |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Fundação para a Ciência e Tecnologia |
| Idioma: | português |
| Origem: | SciELO Portugal |
| Resumo: | RESUMO A evidência científica mostra que práticas alimentares inadequadas nos primeiros 2 anos de vida têm efeitos negativos no estado nutricional e prejudicam um desenvolvimento adequado e a saúde no ciclo de vida. A insegurança alimentar é uma das principais causas de desnutrição. O sul de Angola apresenta níveis inadequados de insegurança alimentar, pelo que é relevante caracterizar a situação alimentar e nutricional das crianças na região. Realizou-se uma revisão narrativa para analisar a evolução da situação alimentar e nutricional das crianças < 5 anos na região do sul de Angola, nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe. Foi revista a melhor evidência publicada nos últimos 15 anos em relatórios de inquéritos populacionais realizados por entidades públicas angolanas e por organizações que atuam na região. No sul de Angola, as prevalências de desnutrição aguda global, de desnutrição crónica global e de baixo peso global aparentam estar a aumentar, com exceção da desnutrição aguda global no Cunene. Dados de 2021 mostraram valores de desnutrição aguda global de 9,0%, superiores aos targets definidos internacionalmente de < 5%. A desnutrição crónica global na região classifica-se como “muito alta”, apresentando um valor de 47,1%, sendo superior na Huíla e no Cunene. A região apresenta também valores elevados de baixo peso global (28,5%). Já o excesso de peso apresenta valores baixos (1,1%) e a prevalência de aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses parece também ter uma evolução positiva em toda a região. Apesar da escassez de informação sobre o consumo alimentar individual, os dados ao nível do agregado familiar apontam para a diminuição da diversidade e da frequência alimentar das crianças dos 6 aos 23 meses. Em conclusão, os resultados mostram a necessidade de monitorização periódica da situação alimentar e nutricional das crianças menores de 5 anos na região. Recomenda-se o fortalecimento de estratégias de monitorização do estado nutricional e das práticas alimentares na infância e um reforço da capacitação dos profissionais de saúde na área da nutrição, com vista ao desenvolvimento de programas para a mitigação da situação atual para consequente melhoria do estado nutricional e de saúde, e redução da mortalidade infantil. |
|---|