Publicação

CATARATA SUBCAPSULAR POSTERIOR EM ANESTESIOLOGISTA COM EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A RADIAÇÃO IONIZANTE

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:RESUMO Introdução A radiação ionizante desempenha um papel indispensável na prática médica moderna, sendo amplamente utilizada, mas pode causar dois tipos principais de efeitos sobre a saúde humana: determinísticos e estocásticos. Estes resultam de danos extensivos em células e tecidos, alterações aleatórias no ácido desoxirribonucleico celular, podendo resultar em mutações genéticas. A catarata rádica tem sido classificada como um efeito determinístico, caraterizado pela opacificação progressiva do cristalino do olho. O cristalino é uma estrutura avascular, composta por células epiteliais altamente organizadas que não possuem capacidade de regeneração. A formação da catarata induzida pela radiação ionizante depende de fatores como a dose total acumulada, o padrão de exposição e a sensibilidade individual. O tempo de latência entre a exposição e o surgimento clínico da catarata varia entre cinco e quinze anos, dependendo da dose e da frequência da exposição. Descrição do caso clínico Trata-se de um caso de um médico especialista em anestesiologia, sexo masculino, 48 anos. Apresentava, no exame periódico de medicina do trabalho, queixas de visão turva e dificuldade em ambientes com pouca luz, com um ano de evolução; alteração da visão do olho direito, com "imagens onduladas com duração entre 5 e 15 minutos". Trabalhava desde há 23 anos com exposição a radiação ionizante. Referia não ter, nem nunca ter utilizado, óculos plumbíferos. A avaliação por oftalmologia revelou opacidades subcapsulares posteriores no olho direito, com diminuição da acuidade visual desse lado, apenas “conta dedos”. Foi submetido a cirurgia de facoemulsificação com implante de lente intraocular e apresentou melhoria significativa na acuidade visual do olho direito. Foi participada a catarata como Doença Profissional e solicitada nova avaliação de riscos do posto de trabalho, tendo sido proposta a aquisição de óculos plumbíferos e a implementação de dosimetria do cristalino. Recomendou-se ministrar (in)formação a todos os trabalhadores. Discussão/conclusão A catarata induzida pela radiação ionizante representa um risco ocupacional significativo e amplamente reconhecido entre profissionais de saúde expostos. Este efeito resulta da exposição cumulativa no cristalino, mesmo em doses inferiores aos limites anteriormente estabelecidos. A adesão ao uso de Equipamentos de Proteção Individual, especialmente no que respeita aos óculos plumbíferos, permanece inconsistente entre os profissionais de saúde, sendo o risco de desenvolver catarata até três vezes superior entre os trabalhadores expostos. Além dos dispositivos físicos, a implementação de práticas operacionais otimizadas desempenha um papel crítico na redução da dose ocupacional. Um programa de vigilância adequado da saúde dos trabalhadores expostos a radiação ionizante, com identificação precoce de danos ao cristalino, e a sua orientação, permite reduzir o absentismo, melhorar a capacidade de trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores.
Autores principais:Duarte,M
Outros Autores:Mendanha,P; Pina,J; Almeida,M; Miranda,M
Assunto:Radiação ionizante Catara rádica Medicina do Trabalho Segurança no Trabalho Proteção radiológica.
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:relatório
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:RESUMO Introdução A radiação ionizante desempenha um papel indispensável na prática médica moderna, sendo amplamente utilizada, mas pode causar dois tipos principais de efeitos sobre a saúde humana: determinísticos e estocásticos. Estes resultam de danos extensivos em células e tecidos, alterações aleatórias no ácido desoxirribonucleico celular, podendo resultar em mutações genéticas. A catarata rádica tem sido classificada como um efeito determinístico, caraterizado pela opacificação progressiva do cristalino do olho. O cristalino é uma estrutura avascular, composta por células epiteliais altamente organizadas que não possuem capacidade de regeneração. A formação da catarata induzida pela radiação ionizante depende de fatores como a dose total acumulada, o padrão de exposição e a sensibilidade individual. O tempo de latência entre a exposição e o surgimento clínico da catarata varia entre cinco e quinze anos, dependendo da dose e da frequência da exposição. Descrição do caso clínico Trata-se de um caso de um médico especialista em anestesiologia, sexo masculino, 48 anos. Apresentava, no exame periódico de medicina do trabalho, queixas de visão turva e dificuldade em ambientes com pouca luz, com um ano de evolução; alteração da visão do olho direito, com "imagens onduladas com duração entre 5 e 15 minutos". Trabalhava desde há 23 anos com exposição a radiação ionizante. Referia não ter, nem nunca ter utilizado, óculos plumbíferos. A avaliação por oftalmologia revelou opacidades subcapsulares posteriores no olho direito, com diminuição da acuidade visual desse lado, apenas “conta dedos”. Foi submetido a cirurgia de facoemulsificação com implante de lente intraocular e apresentou melhoria significativa na acuidade visual do olho direito. Foi participada a catarata como Doença Profissional e solicitada nova avaliação de riscos do posto de trabalho, tendo sido proposta a aquisição de óculos plumbíferos e a implementação de dosimetria do cristalino. Recomendou-se ministrar (in)formação a todos os trabalhadores. Discussão/conclusão A catarata induzida pela radiação ionizante representa um risco ocupacional significativo e amplamente reconhecido entre profissionais de saúde expostos. Este efeito resulta da exposição cumulativa no cristalino, mesmo em doses inferiores aos limites anteriormente estabelecidos. A adesão ao uso de Equipamentos de Proteção Individual, especialmente no que respeita aos óculos plumbíferos, permanece inconsistente entre os profissionais de saúde, sendo o risco de desenvolver catarata até três vezes superior entre os trabalhadores expostos. Além dos dispositivos físicos, a implementação de práticas operacionais otimizadas desempenha um papel crítico na redução da dose ocupacional. Um programa de vigilância adequado da saúde dos trabalhadores expostos a radiação ionizante, com identificação precoce de danos ao cristalino, e a sua orientação, permite reduzir o absentismo, melhorar a capacidade de trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores.