Publicação

IMPACTO DA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA NA INCIDÊNCIA DE CARCINOMAS ESPINOCELULARES

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:RESUMO Introdução /Objetivos Mais de 500 milhões de pessoas trabalham ao ar livre com significativa exposição solar e, consequentemente, a radiação Ultravioleta. Esta foi classificada pela International Agency for Research on Cancer como um agente carcinogéneo para os seres humanos. Não obstante, até à data, não foram estabelecidos métodos adequados para estimar a exposição a longo prazo a este agente físico, não tendo sido definido nenhum valor limite de exposição. Sabe-se, no entanto, que contribui para o aparecimento de 65-90% dos cancros de pele, com impacto particular na incidência dos carcinomas espinocelulares pela exposição cumulativa, muitas vezes decorrente da atividade ocupacional. O objetivo deste trabalho consiste em identificar, numa amostra de pacientes com o diagnóstico anatomopatológico desta patologia, seguidos em consulta de Dermatologia, quais as suas atividades profissionais, caraterizar a exposição solar ocupacional e aferir a sua relação com a doença. Métodos Integraram este estudo 105 pacientes com este diagnóstico anatomopatológico em 2022 e que foram seguidos em consulta de Dermatologia num hospital central de Portugal. A colheita de dados realizou-se através da consulta de processos clínicos e entrevistas orientadas por questionário, presenciais, em contexto de consulta, assim como telefonicamente, para o esclarecimento de informações adicionais. Foi efetuada análise estatística descritiva e aplicaram-se os testes estatísticos: Χ2, Teste exato de Fisher, tstudent e Regressão logística. Resultados A média de idades da amostra é de 81 anos. 89 (85%) indivíduos apresentam fototipo 1 e 2. Cerca de 68% dos participantes referem ter tido exposição solar ocupacional significativa. Entre as atividades profissionais mais expostas, destacam-se, a agricultura (n=24; 23%), construção civil (n=18; 17%), condução de veículos (n=12; 11%) bem como limpeza e trabalhos domésticos (n=7; 7%). A média de idades ao diagnóstico é de 79 anos. Por cada ano de exposição ocupacional a radiação UV, o risco aumentou em 1,18 vezes (IC 95% 1.102-1,272). Discussão/Conclusão Do nosso conhecimento, este é o único estudo português que avaliou, para uma amostra de população portuguesa, o impacto da exposição a radiação ultravioleta ocupacional no aparecimento de Carcinomas Espinocelulares. Evidenciou, assim, a necessidade de maior investimento em medidas de promoção da saúde e de prevenção, coletivas: como a evicção do trabalho ao sol em horas de maior intensidade, a realização de pausas laborais, o trabalho sob sombras, assim como individuais: uso de equipamento de proteção individual, como óculos de sol, chapéus de aba larga, roupa adequada, além do uso de protetor solar.
Autores principais:Pinela,A
Outros Autores:Mestre,P; Troper,K; Lima,A; Cunha,A; Martinho,T
Assunto:Radiação Ultravioleta Exposição ocupacional Risco Carcinoma Espinocelular Segurança e Saúde do trabalho Medicina do trabalho.
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:RESUMO Introdução /Objetivos Mais de 500 milhões de pessoas trabalham ao ar livre com significativa exposição solar e, consequentemente, a radiação Ultravioleta. Esta foi classificada pela International Agency for Research on Cancer como um agente carcinogéneo para os seres humanos. Não obstante, até à data, não foram estabelecidos métodos adequados para estimar a exposição a longo prazo a este agente físico, não tendo sido definido nenhum valor limite de exposição. Sabe-se, no entanto, que contribui para o aparecimento de 65-90% dos cancros de pele, com impacto particular na incidência dos carcinomas espinocelulares pela exposição cumulativa, muitas vezes decorrente da atividade ocupacional. O objetivo deste trabalho consiste em identificar, numa amostra de pacientes com o diagnóstico anatomopatológico desta patologia, seguidos em consulta de Dermatologia, quais as suas atividades profissionais, caraterizar a exposição solar ocupacional e aferir a sua relação com a doença. Métodos Integraram este estudo 105 pacientes com este diagnóstico anatomopatológico em 2022 e que foram seguidos em consulta de Dermatologia num hospital central de Portugal. A colheita de dados realizou-se através da consulta de processos clínicos e entrevistas orientadas por questionário, presenciais, em contexto de consulta, assim como telefonicamente, para o esclarecimento de informações adicionais. Foi efetuada análise estatística descritiva e aplicaram-se os testes estatísticos: Χ2, Teste exato de Fisher, tstudent e Regressão logística. Resultados A média de idades da amostra é de 81 anos. 89 (85%) indivíduos apresentam fototipo 1 e 2. Cerca de 68% dos participantes referem ter tido exposição solar ocupacional significativa. Entre as atividades profissionais mais expostas, destacam-se, a agricultura (n=24; 23%), construção civil (n=18; 17%), condução de veículos (n=12; 11%) bem como limpeza e trabalhos domésticos (n=7; 7%). A média de idades ao diagnóstico é de 79 anos. Por cada ano de exposição ocupacional a radiação UV, o risco aumentou em 1,18 vezes (IC 95% 1.102-1,272). Discussão/Conclusão Do nosso conhecimento, este é o único estudo português que avaliou, para uma amostra de população portuguesa, o impacto da exposição a radiação ultravioleta ocupacional no aparecimento de Carcinomas Espinocelulares. Evidenciou, assim, a necessidade de maior investimento em medidas de promoção da saúde e de prevenção, coletivas: como a evicção do trabalho ao sol em horas de maior intensidade, a realização de pausas laborais, o trabalho sob sombras, assim como individuais: uso de equipamento de proteção individual, como óculos de sol, chapéus de aba larga, roupa adequada, além do uso de protetor solar.