Publicação
Evolução dos Acufenos em doentes com Surdez Súbita submetidos a Oxigenoterapia Hiperbárica
| Resumo: | Resumo Introdução: A surdez neuro-sensorial súbita está associada a acufenos em até 90% dos casos. Os acufenos constituem uma queixa subjetiva, tornando a sua avaliação difícil. A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é utilizada como terapêutica adjuvante nos casos refratários ou com resposta parcial a corticoterapia sistémica, mas o seu efeito no acufeno acompanhante está pouco estudado. Objectivos: Avaliar o efeito da OHB na evolução dos acufenos e dos limiares auditivos em doentes com surdez neuro-sensorial súbita e acufeno associado, refratários à corticoterapia sistémica. Métodos: Foi realizado um estudo prospetivo não controlado de forma a avaliar o efeito da OHB na evolução dos acufenos, aplicando o Tinnitus Handicap Inventory (THI) antes e após o tratamento com OHB. O estudo decorreu no Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica da Marinha Portuguesa, entre Maio e Dezembro de 2018. O protocolo de OHB incluiu em média 20 sessões a 2.5ATM durante 90 minutos. O trabalho de análise estatística foi realizado com recurso ao software IBM SPSS Statistics 26. Resultados: Foram incluídos no estudo 57 doentes, com idade entre 25-78 anos (média 51A), 50,8% do sexo feminino. O intervalo de tempo médio entre o aparecimento dos sintomas e início de OHB foi de 34,9 dias. Foi possível estabelecer uma relação inversa estatisticamente significativa entre o intervalo sintomas-tratamento e a melhoria auditiva (p=0,045). Verificou-se uma melhoria média de 17 dB na acuidade auditiva. Segundo os critérios de recuperação auditiva de Spiegel, verificou-se melhoria completa em 19% dos doentes, melhoria parcial em 23%, melhoria ligeira em 33% e ausência de melhoria em 25% dos doentes. Quanto ao acufeno, a maioria dos doentes (71%) obteve classificação 3 ou 4 antes do tratamento. Após tratamento, 77% dos doentes apresentaram THI de grau inferior a 3. Observou-se melhoria da classificação THI mesmo em doentes sem melhoria audiométrica. Conclusão: Estes dados permitem concluir que, além da melhoria na acuidade auditiva, a oxigenoterapia hiperbárica parece ter um efeito positivo na melhoria do impacto do acufeno na qualidade de vida dos doentes. Os doentes devem ser referenciados a tratamento com OHB assim que possível, uma vez que o intervalo entre sintomas e início de tratamento tem um efeito significativo na melhoria audiométrica. |
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| Autores principais: | Teles,Sofia |
| Outros Autores: | Freitas,Luís; Bernardo,Guilherme; Cardoso,Joana; Menezes,José; Amaro,Carla |
| Assunto: | Surdez súbita acufeno oxigenoterapia hiperbárica surdez neuro-sensorial |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Fundação para a Ciência e Tecnologia |
| Idioma: | português |
| Origem: | SciELO Portugal |
| Resumo: | Resumo Introdução: A surdez neuro-sensorial súbita está associada a acufenos em até 90% dos casos. Os acufenos constituem uma queixa subjetiva, tornando a sua avaliação difícil. A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é utilizada como terapêutica adjuvante nos casos refratários ou com resposta parcial a corticoterapia sistémica, mas o seu efeito no acufeno acompanhante está pouco estudado. Objectivos: Avaliar o efeito da OHB na evolução dos acufenos e dos limiares auditivos em doentes com surdez neuro-sensorial súbita e acufeno associado, refratários à corticoterapia sistémica. Métodos: Foi realizado um estudo prospetivo não controlado de forma a avaliar o efeito da OHB na evolução dos acufenos, aplicando o Tinnitus Handicap Inventory (THI) antes e após o tratamento com OHB. O estudo decorreu no Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica da Marinha Portuguesa, entre Maio e Dezembro de 2018. O protocolo de OHB incluiu em média 20 sessões a 2.5ATM durante 90 minutos. O trabalho de análise estatística foi realizado com recurso ao software IBM SPSS Statistics 26. Resultados: Foram incluídos no estudo 57 doentes, com idade entre 25-78 anos (média 51A), 50,8% do sexo feminino. O intervalo de tempo médio entre o aparecimento dos sintomas e início de OHB foi de 34,9 dias. Foi possível estabelecer uma relação inversa estatisticamente significativa entre o intervalo sintomas-tratamento e a melhoria auditiva (p=0,045). Verificou-se uma melhoria média de 17 dB na acuidade auditiva. Segundo os critérios de recuperação auditiva de Spiegel, verificou-se melhoria completa em 19% dos doentes, melhoria parcial em 23%, melhoria ligeira em 33% e ausência de melhoria em 25% dos doentes. Quanto ao acufeno, a maioria dos doentes (71%) obteve classificação 3 ou 4 antes do tratamento. Após tratamento, 77% dos doentes apresentaram THI de grau inferior a 3. Observou-se melhoria da classificação THI mesmo em doentes sem melhoria audiométrica. Conclusão: Estes dados permitem concluir que, além da melhoria na acuidade auditiva, a oxigenoterapia hiperbárica parece ter um efeito positivo na melhoria do impacto do acufeno na qualidade de vida dos doentes. Os doentes devem ser referenciados a tratamento com OHB assim que possível, uma vez que o intervalo entre sintomas e início de tratamento tem um efeito significativo na melhoria audiométrica. |
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