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Consulta multidisciplinar do pé diabético: avaliação dos fatores de mau prognóstico

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: A diabetes mellitus é responsável por 70% das amputações não traumáticas do membro inferior e 85% destas são precipitadas por úlceras. Objetivo - caracterização epidemiológica e resultado da intervenção dos utentes da consulta multidisciplinar do pé diabético. Materiais e métodos: Estudo observacional retrospetivo das primeiras consultas realizadas no âmbito da consulta multidisciplinar do pé diabético, durante um semestre. Revisão do processo clínico e avaliação das características epidemiológicas, investigação clínica realizada, meios complementares de diagnóstico e o resultado final (cicatrização da lesão, amputação major, não cicatrização em um ano ou morte). Resultados: Realizaram-se 361 primeiras consultas do pé diabético no período em estudo, 82,3% por ulceração (31,3% neuropáticos e 68,7% neuroisquémicos). Dos doentes seguidos, 78% obtiveram cicatrização das lesões (com ou sem amputação minor), 7,7% não obtiveram cicatrização da lesão após um ano de seguimento, 10,1% foram submetidos à amputação major e 4,2% faleceram durante o seguimento. Os doentes com doença arterial periférica apresentaram menor probabilidade de cicatrização (70,6 vs. 89,4%, p = 0,004) e risco aumentado de amputação major (15,7 vs. 1,5%, p = 0,003). A nefropatia diminuiu a probabilidade de cicatrização (50 vs. 82,6%, p = 0,008) e aumentou o risco de amputação major (29,1 vs. 6,9%, p = 0,008). Os doentes com dependência de terceiros apresentaram maior risco de amputação major (22,9 vs. 6,8%, p = 0,008). Conclusões: O tratamento eficaz das úlceras do pé diabético necessita uma abordagem multidisciplinar, intervindo nos vários componentes etiológicos. A doença arterial periférica, a insuficiência renal e a dependência de terceiros são fatores de mau prognóstico das úlceras do pé diabético. © 2014 Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. Publicado por Elsevier España, S.L.U. Todos os direitos reservados.
Autores principais:Ferreira,Vítor
Outros Autores:Martins,Joana; Loureiro,Luís; Loureiro,Tiago; Borges,Lisa; Silveira,Diogo; Teixeira,Sérgio; Rego,Duarte; Gonçalves,João; Teixeira,Gabriela; Carvalho,André; Freitas,Cláudia; Neto,Helena; Amaral,Cláudia; Gonçalves,Isabel; Muras,José; Carvalho,Rui; Almeida,Rui
Assunto:Úlcera do pé diabético Epidemiologia Neuropatia periférica Doença arterial periférica Consulta multidisciplinar
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:Introdução: A diabetes mellitus é responsável por 70% das amputações não traumáticas do membro inferior e 85% destas são precipitadas por úlceras. Objetivo - caracterização epidemiológica e resultado da intervenção dos utentes da consulta multidisciplinar do pé diabético. Materiais e métodos: Estudo observacional retrospetivo das primeiras consultas realizadas no âmbito da consulta multidisciplinar do pé diabético, durante um semestre. Revisão do processo clínico e avaliação das características epidemiológicas, investigação clínica realizada, meios complementares de diagnóstico e o resultado final (cicatrização da lesão, amputação major, não cicatrização em um ano ou morte). Resultados: Realizaram-se 361 primeiras consultas do pé diabético no período em estudo, 82,3% por ulceração (31,3% neuropáticos e 68,7% neuroisquémicos). Dos doentes seguidos, 78% obtiveram cicatrização das lesões (com ou sem amputação minor), 7,7% não obtiveram cicatrização da lesão após um ano de seguimento, 10,1% foram submetidos à amputação major e 4,2% faleceram durante o seguimento. Os doentes com doença arterial periférica apresentaram menor probabilidade de cicatrização (70,6 vs. 89,4%, p = 0,004) e risco aumentado de amputação major (15,7 vs. 1,5%, p = 0,003). A nefropatia diminuiu a probabilidade de cicatrização (50 vs. 82,6%, p = 0,008) e aumentou o risco de amputação major (29,1 vs. 6,9%, p = 0,008). Os doentes com dependência de terceiros apresentaram maior risco de amputação major (22,9 vs. 6,8%, p = 0,008). Conclusões: O tratamento eficaz das úlceras do pé diabético necessita uma abordagem multidisciplinar, intervindo nos vários componentes etiológicos. A doença arterial periférica, a insuficiência renal e a dependência de terceiros são fatores de mau prognóstico das úlceras do pé diabético. © 2014 Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular. Publicado por Elsevier España, S.L.U. Todos os direitos reservados.