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Alfred Métraux: antropologia aplicada e lusotropicalismo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O artigo explora um fragmento da longa trajetória de Alfred Métraux (1902-1963): sua relação ambígua com o legado intelectual de Gilberto Freyre. O locus desta relação se situa num momento específico da sua carreira, quando, no início da década de 1950, Métraux participa da coordenação do famoso projeto de pesquisa, promovido pela UNESCO, sobre “relações raciais” no Brasil. Métraux costumava se autodefinir como um etnógrafo e como um “homem de terreno”. Mesmo confiando no papel que as ciências sociais deviam assumir na luta contra o racismo, em algumas circunstâncias chegou a expressar certo ceticismo diante da suposta eficácia da antropologia aplicada. Por outro lado, ciente da importância da pesquisa empírica, soube desconfiar da ideologia lusotropicalista e, portanto, das narrativas em torno da chamada “democracia racial”. Contudo, seu diálogo com a antropologia cultural norte-americana o fez permanecer alerta diante da possibilidade de que as “relações raciais” no Brasil operassem no quadro de um “caráter nacional” singular e irredutível.
Autores principais:Macagno,Lorenzo
Assunto:Alfred Métraux antropologia aplicada lusotropicalismo Brasil
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:O artigo explora um fragmento da longa trajetória de Alfred Métraux (1902-1963): sua relação ambígua com o legado intelectual de Gilberto Freyre. O locus desta relação se situa num momento específico da sua carreira, quando, no início da década de 1950, Métraux participa da coordenação do famoso projeto de pesquisa, promovido pela UNESCO, sobre “relações raciais” no Brasil. Métraux costumava se autodefinir como um etnógrafo e como um “homem de terreno”. Mesmo confiando no papel que as ciências sociais deviam assumir na luta contra o racismo, em algumas circunstâncias chegou a expressar certo ceticismo diante da suposta eficácia da antropologia aplicada. Por outro lado, ciente da importância da pesquisa empírica, soube desconfiar da ideologia lusotropicalista e, portanto, das narrativas em torno da chamada “democracia racial”. Contudo, seu diálogo com a antropologia cultural norte-americana o fez permanecer alerta diante da possibilidade de que as “relações raciais” no Brasil operassem no quadro de um “caráter nacional” singular e irredutível.