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ERITEMA PALMAR, PRIMEIRO INDÍCIO DE UMA NOVA DERMATOSE OCUPACIONAL? - RELATO DE CASO

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Resumo:RESUMO Introdução: O Eritema Palmar é uma condição dermatológica caracterizada pela ruborização das palmas das mãos, podendo ser primário ou secundário a diversas condições médicas. As causas secundárias incluem doenças hepáticas, autoimunes, uso de medicamentos e exposição a fatores ambientais/ocupacionais. No contexto ocupacional, pode ser induzido por pressão e por exposição a fatores físicos repetitivos, exigindo uma avaliação clínica detalhada que considere as manifestações dermatológicas e as possíveis causas subjacentes. A investigação do ambiente de trabalho, das tarefas executadas e do uso adequado de equipamentos de proteção é fundamental para compreender o impacto e a causa desta condição. O objetivo deste caso é aumentar a conscientização sobre uma possível dermatose ocupacional pouco conhecida, enfatizando a importância da deteção precoce, da rotatividade de tarefas e da otimização dos equipamentos para prevenir o aparecimento/cronicidade das lesões e evitar a necessidade de mudança de posto de trabalho. Descrição do caso clínico: Mulher de 79 anos, aposentada, consultou um dermatologista devido a sinais suspeitos nas costas e queda de cabelo. Durante o exame, foi observado um eritema palmar bilateral na região hipotenar, bem delimitado e com ligeira hiperestesia. A paciente relatou que esta condição surgiu aos 50 anos, durante sua jornada de trabalho, tornando-se permanente aos 60 anos. Apesar de ter consultado vários médicos, nunca obteve um diagnóstico claro. A paciente tem histórico de hipertensão, dislipidemia, insónia e gastrite crónica, negando agravamento da condição com a medicação atual. Trabalhou por mais de 35 anos numa empresa de eletrodomésticos, utilizando principalmente uma "pinadeira" para fixar as estruturas dos eletrodomésticos. A área do eritema corresponde ao local onde apoiava a mão na máquina e exercia força. Embora destra, usava ambas as mãos devido às longas horas de trabalho. A paciente informou que, apesar de ter relatado os sintomas ao médico do trabalho, nunca lhe foi sugerida mudança de função ou rotatividade de tarefas. Discussão/Conclusão: Este caso descreve uma dermatose ocupacional causada pelo uso prolongado de equipamentos ergonomicamente inadequados, semelhante aos casos de "computer hands" relatados na literatura (lesão por pressão de estágio I, resultante da pressão crónica na área hipotenar das palmas quando apoiadas por longos períodos sobre um teclado ou mesa). Estas lesões, resultantes de pressão crónica na área hipotenar das palmas, podem levar a alterações vasculares irreversíveis. A condição é frequentemente subdiagnosticada devido à sua natureza inicialmente assintomática. O caso apresentado destaca a possível irreversibilidade das lesões, mesmo após quinze anos sem exposição ocupacional, e a possibilidade de desenvolvimento de sintomas adicionais, como hiperestesia. Estas situações devem ser averiguadas logo na fase inicial da sintomatologia de forma a evitar a cronicidade das lesões relatadas e mudança do posto de trabalho, dando enfoque na rotatividade de tarefas e otimização dos equipamentos a utilizar.
Autores principais:Miranda,G
Outros Autores:Meneses,J; Silva,P; Ribeiro,A; Cunha,M; Silva,A
Assunto:Eritema Palmar Dermatose Ocupacional Pressão Medicina do Trabalho Enfermagem do Trabalho
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:relatório
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Fundação para a Ciência e Tecnologia
Idioma:português
Origem:SciELO Portugal
Descrição
Resumo:RESUMO Introdução: O Eritema Palmar é uma condição dermatológica caracterizada pela ruborização das palmas das mãos, podendo ser primário ou secundário a diversas condições médicas. As causas secundárias incluem doenças hepáticas, autoimunes, uso de medicamentos e exposição a fatores ambientais/ocupacionais. No contexto ocupacional, pode ser induzido por pressão e por exposição a fatores físicos repetitivos, exigindo uma avaliação clínica detalhada que considere as manifestações dermatológicas e as possíveis causas subjacentes. A investigação do ambiente de trabalho, das tarefas executadas e do uso adequado de equipamentos de proteção é fundamental para compreender o impacto e a causa desta condição. O objetivo deste caso é aumentar a conscientização sobre uma possível dermatose ocupacional pouco conhecida, enfatizando a importância da deteção precoce, da rotatividade de tarefas e da otimização dos equipamentos para prevenir o aparecimento/cronicidade das lesões e evitar a necessidade de mudança de posto de trabalho. Descrição do caso clínico: Mulher de 79 anos, aposentada, consultou um dermatologista devido a sinais suspeitos nas costas e queda de cabelo. Durante o exame, foi observado um eritema palmar bilateral na região hipotenar, bem delimitado e com ligeira hiperestesia. A paciente relatou que esta condição surgiu aos 50 anos, durante sua jornada de trabalho, tornando-se permanente aos 60 anos. Apesar de ter consultado vários médicos, nunca obteve um diagnóstico claro. A paciente tem histórico de hipertensão, dislipidemia, insónia e gastrite crónica, negando agravamento da condição com a medicação atual. Trabalhou por mais de 35 anos numa empresa de eletrodomésticos, utilizando principalmente uma "pinadeira" para fixar as estruturas dos eletrodomésticos. A área do eritema corresponde ao local onde apoiava a mão na máquina e exercia força. Embora destra, usava ambas as mãos devido às longas horas de trabalho. A paciente informou que, apesar de ter relatado os sintomas ao médico do trabalho, nunca lhe foi sugerida mudança de função ou rotatividade de tarefas. Discussão/Conclusão: Este caso descreve uma dermatose ocupacional causada pelo uso prolongado de equipamentos ergonomicamente inadequados, semelhante aos casos de "computer hands" relatados na literatura (lesão por pressão de estágio I, resultante da pressão crónica na área hipotenar das palmas quando apoiadas por longos períodos sobre um teclado ou mesa). Estas lesões, resultantes de pressão crónica na área hipotenar das palmas, podem levar a alterações vasculares irreversíveis. A condição é frequentemente subdiagnosticada devido à sua natureza inicialmente assintomática. O caso apresentado destaca a possível irreversibilidade das lesões, mesmo após quinze anos sem exposição ocupacional, e a possibilidade de desenvolvimento de sintomas adicionais, como hiperestesia. Estas situações devem ser averiguadas logo na fase inicial da sintomatologia de forma a evitar a cronicidade das lesões relatadas e mudança do posto de trabalho, dando enfoque na rotatividade de tarefas e otimização dos equipamentos a utilizar.