Publicação
Um conceito em movimento : a dimensão intersubjetiva da comunidade de investigação filosófica
| Resumo: | A presente dissertação é o resultado de uma investigação na qual nos propusemos pensar a noção de comunidade de investigação filosófica à luz do paradigma da intersubjetividade do filósofo alemão Jürgen Habermas, percorrendo um caminho teórico-prático entre os conceitos de intersubjetividade e comunidade de investigação filosófica e a prática de sessões de filosofia para crianças. Argumentamos que há uma relação de potenciação entre a comunidade de investigação filosófica e a racionalidade comunicativa, tal como foi desenvolvida ao abrigo do paradigma da intersubjetividade de Jürgen Habermas, e pode ser encontrada em diversos registos desta investigação: na nossa prática real do diálogo filosófico com crianças, no cruzamento de diferentes perspetivas dos especialistas na área, no modo como essas perspetivas se construíram a partir de diálogos que esses especialistas mantiveram, eles próprios, com crianças, e até no encontro entre essas perspetivas e as ideias que as crianças ventilam nas sessões. O conceito de comunidade de investigação filosófica, nascido no âmbito do programa educativo de Lipman e Sharp, instaurou uma comunidade que pensa a sua própria prática e, através dessa autorreflexão, se pensa a si mesma. A divulgação do programa e o crescimento da área para lá dos limites curriculares do Institute for the Advancement of Philosophy for Children, permitiu a emergência de um novo fenómeno: ao pensar a sua própria prática e, através dela, ao pensar-se a si própria, a comunidade de investigação abriu a porta para a sua reflexão enquanto noção filosófica. Clarificando, instaurou-se um movimento contínuo de ligação entre a prática e teoria, em que a primeira convocou a segunda e esta, como que ganhando uma vida própria, foi fecundar noções filosóficas já estabelecidas. É o caso da noção habermasiana de intersubjetividade. Neste sentido, defendemos que o modo como diferentes filósofos e praticantes refletiram e dialogaram acerca do conceito de comunidade de investigação filosófica é já um exemplo da prática de uma racionalidade comunicativa. O conceito de comunidade de investigação filosófica pressupõe, ele mesmo, uma ação comunicativa e, sendo um movimento do pensar que teve o seu início com Lipman e Sharp, continua a fazer caminho: trata-se, em nosso entender, de um conceito em movimento. |
|---|---|
| Autores principais: | Vieira, Paula Alexandra Louro de Sousa Pereira |
| Assunto: | Jürgen Habermas (1929-....) Comunidade de Investigação Científica Filosofia para Crianças Intersubjectividade Racionalidade Comunicativa Community of Philosophical Inquiry Communicative Rationality Intersubjectivity |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade dos Açores |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade dos Açores |
| Resumo: | A presente dissertação é o resultado de uma investigação na qual nos propusemos pensar a noção de comunidade de investigação filosófica à luz do paradigma da intersubjetividade do filósofo alemão Jürgen Habermas, percorrendo um caminho teórico-prático entre os conceitos de intersubjetividade e comunidade de investigação filosófica e a prática de sessões de filosofia para crianças. Argumentamos que há uma relação de potenciação entre a comunidade de investigação filosófica e a racionalidade comunicativa, tal como foi desenvolvida ao abrigo do paradigma da intersubjetividade de Jürgen Habermas, e pode ser encontrada em diversos registos desta investigação: na nossa prática real do diálogo filosófico com crianças, no cruzamento de diferentes perspetivas dos especialistas na área, no modo como essas perspetivas se construíram a partir de diálogos que esses especialistas mantiveram, eles próprios, com crianças, e até no encontro entre essas perspetivas e as ideias que as crianças ventilam nas sessões. O conceito de comunidade de investigação filosófica, nascido no âmbito do programa educativo de Lipman e Sharp, instaurou uma comunidade que pensa a sua própria prática e, através dessa autorreflexão, se pensa a si mesma. A divulgação do programa e o crescimento da área para lá dos limites curriculares do Institute for the Advancement of Philosophy for Children, permitiu a emergência de um novo fenómeno: ao pensar a sua própria prática e, através dela, ao pensar-se a si própria, a comunidade de investigação abriu a porta para a sua reflexão enquanto noção filosófica. Clarificando, instaurou-se um movimento contínuo de ligação entre a prática e teoria, em que a primeira convocou a segunda e esta, como que ganhando uma vida própria, foi fecundar noções filosóficas já estabelecidas. É o caso da noção habermasiana de intersubjetividade. Neste sentido, defendemos que o modo como diferentes filósofos e praticantes refletiram e dialogaram acerca do conceito de comunidade de investigação filosófica é já um exemplo da prática de uma racionalidade comunicativa. O conceito de comunidade de investigação filosófica pressupõe, ele mesmo, uma ação comunicativa e, sendo um movimento do pensar que teve o seu início com Lipman e Sharp, continua a fazer caminho: trata-se, em nosso entender, de um conceito em movimento. |
|---|