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Darkness Visible - reflexão sobre poesia gótica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Tornar perceptível o imperceptível e o invisível visível será talvez um dos papeis mais importantes da arte em geral e da poesia em particular. Darkness Visible, a conhecida expressão usada por John Milton em Paradise Lost (1667), poderá intervir neste sentido, ou não tivesse sido também usada por Fernando Pessoa como epígrafe em A Hora do Diabo. Trata-se, então, de captar na poesia gótica certos reflexos que expõem a sua ambivalência, duplicidade e complexidade que iluminarão o seu reino das trevas, onde se deverá penetrar se houver interesse em reconhecer a grandeza do seu desespero, especialmente na época em que vivemos, tão pós-espiritual e de heroica resistência humana como aquela que produziu Manfred, o célebre poema dramático de Lord Byron. Assim, caminharemos das trevas para a luz entre demónios e anjos, guiados por uma espécie de iluminismo invertido que tantos poetas tem orientado desde John Donne a Sylvia Plath ou desde Coleridge a Edgar Allan Poe. Calculamos, como Milton, que nessas “trevas visíveis” poderemos apenas descobrir “sighs of woe / Regions of sorrow, doleful shades, where peace / And rest can never dwell, hope never comes”, mas não desistiremos, pois, como Rilke, sabemos que a verdadeira arte surge daqueles que confrontaram o perigo e que atingiram um certo ponto além do qual nenhum ser humano passou. Enfrentar este poder das trevas passará, assim, pelo inevitável confronto com tradição da estética gótica, pois como Catherine Spooner bem nos lembra em Contemporary Gothic: “Gothic has a greater degree of self-consciousness about its nature, cannibalistically consuming the dead body of its own tradition.”
Autores principais:Lima, Antonia
Assunto:Poesia Gótico
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:palestra
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Évora
Idioma:português
Origem:Repositório Científico da Universidade de Évora
Descrição
Resumo:Tornar perceptível o imperceptível e o invisível visível será talvez um dos papeis mais importantes da arte em geral e da poesia em particular. Darkness Visible, a conhecida expressão usada por John Milton em Paradise Lost (1667), poderá intervir neste sentido, ou não tivesse sido também usada por Fernando Pessoa como epígrafe em A Hora do Diabo. Trata-se, então, de captar na poesia gótica certos reflexos que expõem a sua ambivalência, duplicidade e complexidade que iluminarão o seu reino das trevas, onde se deverá penetrar se houver interesse em reconhecer a grandeza do seu desespero, especialmente na época em que vivemos, tão pós-espiritual e de heroica resistência humana como aquela que produziu Manfred, o célebre poema dramático de Lord Byron. Assim, caminharemos das trevas para a luz entre demónios e anjos, guiados por uma espécie de iluminismo invertido que tantos poetas tem orientado desde John Donne a Sylvia Plath ou desde Coleridge a Edgar Allan Poe. Calculamos, como Milton, que nessas “trevas visíveis” poderemos apenas descobrir “sighs of woe / Regions of sorrow, doleful shades, where peace / And rest can never dwell, hope never comes”, mas não desistiremos, pois, como Rilke, sabemos que a verdadeira arte surge daqueles que confrontaram o perigo e que atingiram um certo ponto além do qual nenhum ser humano passou. Enfrentar este poder das trevas passará, assim, pelo inevitável confronto com tradição da estética gótica, pois como Catherine Spooner bem nos lembra em Contemporary Gothic: “Gothic has a greater degree of self-consciousness about its nature, cannibalistically consuming the dead body of its own tradition.”