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Dançando com a dor: um estudo qualitativo sobre a experiência de bailarinas de dança clássica

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Resumo:A presente dissertação pretende compreender qual o significado que a dor assume no discurso de um grupo de bailarinas de dança clássica. Para tal acedemos às suas experiências e vivências através de uma entrevista semiestruturada de forma a entender a dor que faz parte do seu dia antes, durante e após estarem a dançar. Para tal, recorreu-se a uma abordagem de carácter qualitativo, na medida em que esta metodologia permite analisar a experiência de ser bailarina de dança clássica, nas suas múltiplas dimensões. Os resultados aqui apresentados referem-se à vivência do binómio dor-dança, e são fruto da aplicação de uma entrevista semiestruturada a um grupo de dez bailarinas, com mais de seis anos de formação, selecionadas através do processo bola de neve. A opção da presente investigação por um estudo qualitativo foi enquadrada por um interesse na descrição e na compreensão do processo de experienciar a dor, por parte de bailarinas clássicas, permitindo aceder à complexidade e diversidade da realidade em estudo, de forma contextualizada e enriquecida pelos significados que lhe são atribuídos pelos participantes (Marques, 2005), neste caso, jovens bailarinas de dança clássica. O método para aceder aos significados providenciados pelos seus discursos foi a Grounded Analysis ou Análise Sustentada nos Dados que consiste num conjunto de procedimentos sistemáticos e flexíveis, de recolha e análise de dados qualitativos, com o objetivo de construir uma teoria fundada nos dados emergentes, através de um processo indutivo (Fernandes & Maia, 2001). A análise dos discursos recolhidos revelou que com o tempo surgem dificuldades e aumentam as exigências experienciadas pelas bailarinas, paralelamente ao desejo de querer permanecer no mundo do espetáculo, e de corresponder às expetativas de professores, coreógrafos e mestres que acreditam que apenas os melhores podem fazer parte deste grupo de elite. Assim são os treinos excessivos e os movimentos repetitivos que fazem surgir a dor e as lesões, que são ocultadas, negadas de modo a poder continuar no foco de querer alcançar a perfeição. O encantamento com a dança faz com que esta surja como parte integradora das suas identidades. Metaforicamente, para os bailarinos dançar faz parte do seu esqueleto. Deste modo, quando imaginam ter que parar por uma eventual dor ou lesão anteveem isso com preocupação, porque sentem-se perdidas. Em geral, os resultados obtidos salientam a paixão pela dança que configura a dor como aliada desta prática, e obriga as bailarinas a várias estratégias de confronto. Paralelamente a dor liga-se ao medo da lesão, ao fim do percurso como bailarina e ao abdicar de sonho que organizou a sua existência muitas vezes desde a infância.
Autores principais:Costa, Cátia Vanessa Fernandes
Assunto:Dança Dor Lesão Grounded Analysis Dance Pain Injury
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Fernando Pessoa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional - Universidade Fernando Pessoa
Descrição
Resumo:A presente dissertação pretende compreender qual o significado que a dor assume no discurso de um grupo de bailarinas de dança clássica. Para tal acedemos às suas experiências e vivências através de uma entrevista semiestruturada de forma a entender a dor que faz parte do seu dia antes, durante e após estarem a dançar. Para tal, recorreu-se a uma abordagem de carácter qualitativo, na medida em que esta metodologia permite analisar a experiência de ser bailarina de dança clássica, nas suas múltiplas dimensões. Os resultados aqui apresentados referem-se à vivência do binómio dor-dança, e são fruto da aplicação de uma entrevista semiestruturada a um grupo de dez bailarinas, com mais de seis anos de formação, selecionadas através do processo bola de neve. A opção da presente investigação por um estudo qualitativo foi enquadrada por um interesse na descrição e na compreensão do processo de experienciar a dor, por parte de bailarinas clássicas, permitindo aceder à complexidade e diversidade da realidade em estudo, de forma contextualizada e enriquecida pelos significados que lhe são atribuídos pelos participantes (Marques, 2005), neste caso, jovens bailarinas de dança clássica. O método para aceder aos significados providenciados pelos seus discursos foi a Grounded Analysis ou Análise Sustentada nos Dados que consiste num conjunto de procedimentos sistemáticos e flexíveis, de recolha e análise de dados qualitativos, com o objetivo de construir uma teoria fundada nos dados emergentes, através de um processo indutivo (Fernandes & Maia, 2001). A análise dos discursos recolhidos revelou que com o tempo surgem dificuldades e aumentam as exigências experienciadas pelas bailarinas, paralelamente ao desejo de querer permanecer no mundo do espetáculo, e de corresponder às expetativas de professores, coreógrafos e mestres que acreditam que apenas os melhores podem fazer parte deste grupo de elite. Assim são os treinos excessivos e os movimentos repetitivos que fazem surgir a dor e as lesões, que são ocultadas, negadas de modo a poder continuar no foco de querer alcançar a perfeição. O encantamento com a dança faz com que esta surja como parte integradora das suas identidades. Metaforicamente, para os bailarinos dançar faz parte do seu esqueleto. Deste modo, quando imaginam ter que parar por uma eventual dor ou lesão anteveem isso com preocupação, porque sentem-se perdidas. Em geral, os resultados obtidos salientam a paixão pela dança que configura a dor como aliada desta prática, e obriga as bailarinas a várias estratégias de confronto. Paralelamente a dor liga-se ao medo da lesão, ao fim do percurso como bailarina e ao abdicar de sonho que organizou a sua existência muitas vezes desde a infância.