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Lamotrigina, da farmacocinética à farmacodinâmica

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A epilepsia é uma doença caracterizada por crises espontâneas que podem ser convulsivas ou não, originadas por descargas anormais, excessivas e hipersincrónicas dos neurónios. Mais de 80% dos indivíduos com epilepsia vivem em países subdesenvolvidos, onde 60 a 90% dos pacientes permanece sem tratamento devido às deficiências do sistema de saúde interno e ao estigma social presente. Existem diversas hipóteses explicativas para a causa da epilepsia. A classificação das crises epilépticas está dividida em dois grupos principais, segundo o mecanismo biológico específico envolvido nas convulsões e de acordo com a sua localização anatómica, bem como em três subgrupos: as crises isoladas ou autolimitadas; as contínuas configurando status epilepticus e os fatores precipitantes envolvidos nas crises reflexas, que podem desencadear crises focais ou generalizadas. O tratamento farmacológico passa pela utilização da Lamotrigina (LTG), antiepiléptico com eficácia no controlo de crises parciais, com ou sem generalização secundária, de crises tónico-clónicas primariamente generalizadas, de ausências e de crises atónicas. A elevada biodisponibilidade, baixa ligação às proteínas plasmáticas, eficiente penetração da barreira hematoencefálica, tempo de semi-vida compatível com a administração de uma ou duas doses diária, cinética de eliminação linear, biotransformação pouco extensa e ausência de fenómenos de autoindução, demonstram o perfil cinético favorável da LTG. O principal mecanismo de ação da LTG é a inibição da libertação de glutamato, prolongando o seu estado de inativação, estabilizando a membrana pré-sináptica, prevenindo assim a libertação excessiva dos aminoácidos excitatórios. Apesar dos estudos clínico evidenciarem que a LTG é bem tolerada pela maioria dos pacientes, ainda existem constrangimentos no estabelecimento de uma relação bem definida entre os níveis plasmáticos obtidos e a resposta farmacológica desencadeada.
Autores principais:Sousa, Sara Filipa Marques Caetano de
Assunto:Lamotrigina Epilepsia Farmacocinética Farmacodinâmica Lamotrigine Epilepsy Pharmacokinetics Pharmacodynamics
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade Fernando Pessoa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional - Universidade Fernando Pessoa
Descrição
Resumo:A epilepsia é uma doença caracterizada por crises espontâneas que podem ser convulsivas ou não, originadas por descargas anormais, excessivas e hipersincrónicas dos neurónios. Mais de 80% dos indivíduos com epilepsia vivem em países subdesenvolvidos, onde 60 a 90% dos pacientes permanece sem tratamento devido às deficiências do sistema de saúde interno e ao estigma social presente. Existem diversas hipóteses explicativas para a causa da epilepsia. A classificação das crises epilépticas está dividida em dois grupos principais, segundo o mecanismo biológico específico envolvido nas convulsões e de acordo com a sua localização anatómica, bem como em três subgrupos: as crises isoladas ou autolimitadas; as contínuas configurando status epilepticus e os fatores precipitantes envolvidos nas crises reflexas, que podem desencadear crises focais ou generalizadas. O tratamento farmacológico passa pela utilização da Lamotrigina (LTG), antiepiléptico com eficácia no controlo de crises parciais, com ou sem generalização secundária, de crises tónico-clónicas primariamente generalizadas, de ausências e de crises atónicas. A elevada biodisponibilidade, baixa ligação às proteínas plasmáticas, eficiente penetração da barreira hematoencefálica, tempo de semi-vida compatível com a administração de uma ou duas doses diária, cinética de eliminação linear, biotransformação pouco extensa e ausência de fenómenos de autoindução, demonstram o perfil cinético favorável da LTG. O principal mecanismo de ação da LTG é a inibição da libertação de glutamato, prolongando o seu estado de inativação, estabilizando a membrana pré-sináptica, prevenindo assim a libertação excessiva dos aminoácidos excitatórios. Apesar dos estudos clínico evidenciarem que a LTG é bem tolerada pela maioria dos pacientes, ainda existem constrangimentos no estabelecimento de uma relação bem definida entre os níveis plasmáticos obtidos e a resposta farmacológica desencadeada.