Publicação
Circuitos Curtos Agroalimentares: Desafios e Intervenções para uma Economia Resiliente e Sustentável
| Resumo: | Os Circuitos Curtos agroalimentares (CCA) são uma forma sustentável e socialmente justa de produzir e consumir alimentos. Esta forma de organização da distribuição alimentar pode contribuir positivamente para a criação de uma economia mais resiliente. Os últimos dez anos de circuitos curtos agroalimentares/ circuitos de proximidade em Portugal foram marcados por avanços significativos, mas também reforçaram que persistem muitos dos desafios à sua implementação. No período de pandemia voltaram a ganhar popularidade. Isso deveu-se a uma série de fatores, como o crescente interesse dos consumidores por alimentos frescos e de qualidade, a preocupação com o impacto ambiental da produção de alimentos e algum (pouco) apoio do governo português aos CCA. Em artigos escritos entre 2013 e 2014, os autores argumentaram que os CCA poderiam contribuir para a criação de emprego, a preservação da cultura e do património rural e a melhoria da qualidade de vida das comunidades rurais. No mesmo período foram descritos os principais desafios que os CCA enfrentavam, como a falta de infraestruturas, a falta de capacitação a nível de segurança e higiene alimentar, de comunicação e marketing, e a falta de regulamentação fácil e flexível para facilitar a sua implementação e agilização. Hoje os desafios à gestão dos CCA ou aos circuitos curtos de proximidade persistem, invocando-se ainda a necessidade de os produtores acreditarem na criação de valor de que são garante, verificando-se ainda que a maioria dos consumidores manifesta alguma desconfiança nestas formas alternativas de comercialização e que a governança mantém muitas das barreiras ao incentivo de mercados locais ou outras formas de CCA. Mantendo-se a necessidade de lhes conferir a necessária visibilidade e acesso aos circuitos curtos agroalimentares, é necessário adotar estratégias que promovam a consciência dos seus benefícios, facilitem o contato direto entre produtores e consumidores e tornem essas iniciativas mais atraentes para a população. Nesta comunicação discutem-se as intervenções passíveis de organizar para: Destacar a importância da compra local para apoiar a economia da região e a sustentabilidade ambiental; Despertar o interesse dos consumidores justificando-se a promoção na forma de campanhas de divulgação nos meios de comunicação social; Melhorar a literacia, introduzindo o conceito e a compreensão dos seus benefícios nos programas educacionais de promoção da alimentação saudável e sustentável nas escolas (envolvendo também as famílias); Incrementar a capacitação dos produtores em áreas específicas de suporte aos CCA; Dinamizar mais redes de apoio entre produtores, consumidores e organizações não governamentais que promovam os circuitos curtos, compartilhem conhecimentos, recursos e experiências para fortalecer estas iniciativas. O compromisso contínuo com a promoção de uma agricultura "mais" local, sustentável e consciente é essencial para garantir um futuro mais resiliente e saudável para a população portuguesa e o meio ambiente. Apesar de ser consensual que os CCA representam uma oportunidade para os produtores, consumidores e para o meio ambiente, mostra-se necessário um maior envolvimento de todas as partes envolvidas, especialmente a nível municipal para que possam alcançar todo o seu potencial para o desenvolvimento rural. |
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| Autores principais: | Carvalho, José |
| Outros Autores: | Ruivo, Paula |
| Assunto: | Resumo |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Instituto Politécnico de Santarém |
| Idioma: | português |
| Origem: | Revista UIIPS |
| Resumo: | Os Circuitos Curtos agroalimentares (CCA) são uma forma sustentável e socialmente justa de produzir e consumir alimentos. Esta forma de organização da distribuição alimentar pode contribuir positivamente para a criação de uma economia mais resiliente. Os últimos dez anos de circuitos curtos agroalimentares/ circuitos de proximidade em Portugal foram marcados por avanços significativos, mas também reforçaram que persistem muitos dos desafios à sua implementação. No período de pandemia voltaram a ganhar popularidade. Isso deveu-se a uma série de fatores, como o crescente interesse dos consumidores por alimentos frescos e de qualidade, a preocupação com o impacto ambiental da produção de alimentos e algum (pouco) apoio do governo português aos CCA. Em artigos escritos entre 2013 e 2014, os autores argumentaram que os CCA poderiam contribuir para a criação de emprego, a preservação da cultura e do património rural e a melhoria da qualidade de vida das comunidades rurais. No mesmo período foram descritos os principais desafios que os CCA enfrentavam, como a falta de infraestruturas, a falta de capacitação a nível de segurança e higiene alimentar, de comunicação e marketing, e a falta de regulamentação fácil e flexível para facilitar a sua implementação e agilização. Hoje os desafios à gestão dos CCA ou aos circuitos curtos de proximidade persistem, invocando-se ainda a necessidade de os produtores acreditarem na criação de valor de que são garante, verificando-se ainda que a maioria dos consumidores manifesta alguma desconfiança nestas formas alternativas de comercialização e que a governança mantém muitas das barreiras ao incentivo de mercados locais ou outras formas de CCA. Mantendo-se a necessidade de lhes conferir a necessária visibilidade e acesso aos circuitos curtos agroalimentares, é necessário adotar estratégias que promovam a consciência dos seus benefícios, facilitem o contato direto entre produtores e consumidores e tornem essas iniciativas mais atraentes para a população. Nesta comunicação discutem-se as intervenções passíveis de organizar para: Destacar a importância da compra local para apoiar a economia da região e a sustentabilidade ambiental; Despertar o interesse dos consumidores justificando-se a promoção na forma de campanhas de divulgação nos meios de comunicação social; Melhorar a literacia, introduzindo o conceito e a compreensão dos seus benefícios nos programas educacionais de promoção da alimentação saudável e sustentável nas escolas (envolvendo também as famílias); Incrementar a capacitação dos produtores em áreas específicas de suporte aos CCA; Dinamizar mais redes de apoio entre produtores, consumidores e organizações não governamentais que promovam os circuitos curtos, compartilhem conhecimentos, recursos e experiências para fortalecer estas iniciativas. O compromisso contínuo com a promoção de uma agricultura "mais" local, sustentável e consciente é essencial para garantir um futuro mais resiliente e saudável para a população portuguesa e o meio ambiente. Apesar de ser consensual que os CCA representam uma oportunidade para os produtores, consumidores e para o meio ambiente, mostra-se necessário um maior envolvimento de todas as partes envolvidas, especialmente a nível municipal para que possam alcançar todo o seu potencial para o desenvolvimento rural. |
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