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Melanoma da úvea : uma revisão da literatura

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O melanoma da úvea, embora raro, é a neoplasia maligna intraocular primária mais comum no adulto, podendo localizar-se na coróide (90%), corpo ciliar (6%) ou íris (4%). A incidência anual é de cerca 5.2 casos por milhão, afetando predominantemente indivíduos caucasianos. O diagnóstico assenta em caraterísticas clínicas e imagiológicas. As características tumorais e apresentação clínica são bastante variáveis: o melanoma uveal pode ser assintomático ou condicionar alterações visuais, ectrópio, corectopia ou dor ocular. O exame clínico deve ser complementado com documentação fotográfica e exame ultrassonográfico. É ainda importante distinguir o melanoma de outras condições, sendo o nevus o principal diagnóstico diferencial. Normalmente não se realizam biópsias para efeitos de diagnóstico. Todavia, estas podem ser importantes para análise histológica, citogenética e molecular, permitindo obter informação prognóstica. Atualmente têm sido preferidas terapêuticas conservadoras para o tratamento do tumor primário – especialmente a radioterapia – em detrimento da enucleação. Porém, embora permita conservar o globo ocular, a radioterapia associa-se a complicações a longo prazo que podem comprometer a visão. Nos últimos anos, assistiu-se a vários progressos na compreensão da biologia do melanoma da úvea, nomeadamente alterações genéticas e vias de sinalização intracelular envolvidas, o que tem permitindo o desenvolvimento de novas armas terapêuticas. Além disso, a atual abordagem terapêutica do tumor primário permite obter bons resultados. Contudo, a taxa de mortalidade tem-se mantido inalterada nas últimas décadas. Isto deve-se, em parte, ao facto de cerca de metade dos doentes desenvolver metástases (predominantemente hepáticas) e não existirem ainda terapêuticas eficazes na doença avançada. Urge assim a necessidade de identificar os melanomas uveais num estadio precoce, desenvolver terapêuticas eficazes em contexto metastático e adjuvante e identificar doentes com maior risco de desenvolver doença metastática que poderão beneficiar de terapêutica adjuvante e de ser incluídos em ensaios clínicos.
Autores principais:Serranito, Maria Salomé Sousa
Assunto:Melanoma da úvea Melanoma da coroideia Melanoma do corpo ciliar Melanoma da íris Oftalmologia
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O melanoma da úvea, embora raro, é a neoplasia maligna intraocular primária mais comum no adulto, podendo localizar-se na coróide (90%), corpo ciliar (6%) ou íris (4%). A incidência anual é de cerca 5.2 casos por milhão, afetando predominantemente indivíduos caucasianos. O diagnóstico assenta em caraterísticas clínicas e imagiológicas. As características tumorais e apresentação clínica são bastante variáveis: o melanoma uveal pode ser assintomático ou condicionar alterações visuais, ectrópio, corectopia ou dor ocular. O exame clínico deve ser complementado com documentação fotográfica e exame ultrassonográfico. É ainda importante distinguir o melanoma de outras condições, sendo o nevus o principal diagnóstico diferencial. Normalmente não se realizam biópsias para efeitos de diagnóstico. Todavia, estas podem ser importantes para análise histológica, citogenética e molecular, permitindo obter informação prognóstica. Atualmente têm sido preferidas terapêuticas conservadoras para o tratamento do tumor primário – especialmente a radioterapia – em detrimento da enucleação. Porém, embora permita conservar o globo ocular, a radioterapia associa-se a complicações a longo prazo que podem comprometer a visão. Nos últimos anos, assistiu-se a vários progressos na compreensão da biologia do melanoma da úvea, nomeadamente alterações genéticas e vias de sinalização intracelular envolvidas, o que tem permitindo o desenvolvimento de novas armas terapêuticas. Além disso, a atual abordagem terapêutica do tumor primário permite obter bons resultados. Contudo, a taxa de mortalidade tem-se mantido inalterada nas últimas décadas. Isto deve-se, em parte, ao facto de cerca de metade dos doentes desenvolver metástases (predominantemente hepáticas) e não existirem ainda terapêuticas eficazes na doença avançada. Urge assim a necessidade de identificar os melanomas uveais num estadio precoce, desenvolver terapêuticas eficazes em contexto metastático e adjuvante e identificar doentes com maior risco de desenvolver doença metastática que poderão beneficiar de terapêutica adjuvante e de ser incluídos em ensaios clínicos.