Publicação
Rastreio de L. infantum no cão de gado transmontano, nos concelhos de Bragança, Vinhais, Macedo de Cavaleiros, Chaves e Montalegre
| Resumo: | A leishmaniose é uma doença parasitária, transmitida por um vetor, cujo hospedeiro principal é o cão. Caracteriza-se por uma panóplia de sinais clínicos e, por vezes, possuiu um longo período de doença assintomática. Por ser uma afeção em crescimento e muitas vezes negligenciada é necessário estudar a sua prevalência, de forma a adotar as medidas de controlo mais eficazes de combate a esta zoonose, não esquecendo o conjunto de fatores de risco que beneficiam a infeção. Em Portugal, especificamente, na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, caracterizada por um clima temperado mediterrânico propicio ao desenvolvimento vetorial, já se reportam focos de infeção desde a década de 90. O Cão de Gado Transmontano, com origem no mastim ibérico, resultou de um conjunto de genes deixados pelos antigos cães pastores, nas grandes transumâncias. Adaptou-se às terras transmontanas, ao seu percurso montanhoso, ganhou resistência ao clima adverso que por vezes se faz sentir e às variações de amplitude térmicas. É fundamentalmente um cão de trabalho (como verificado no rastreio, onde 85% dos cães são utilizados para guarda), que acompanha o gado durante o seu percurso diário, com o objetivo de o proteger de predadores externos. O objetivo do rastreio, que visou 80 cães de Gado Transmontano, foi, essencialmente, analisar uma raça que pela sua aptidão já por si constitui um fator de risco. Estes animais dormem principalmente na rua (83,75%), durante o dia acompanham e protegem o gado, contactando com possíveis locais de reprodução vetorial e também com possíveis hospedeiros silváticos, por exemplo o vetor P. ariasi desenvolve-se em ambientes mais húmidos, sendo que 91,25% (73/80) dos animais contacta ao longo do seu percurso com algum tipo de curso de água. Para além disto, 97,5% (78/80) contacta com outros cães e não recebe uma desparasitação farmacológica eficaz que o proteja da picada do flebótomo. A baixa prevalência resultante do rastreio (2,5%) poderá ser explicada pelo longo período assintomático que alguns cães apresentam, com baixa produção de anticorpos, sendo por isso de difícil deteção pelo teste rápido. Outra explicação depreende-se com a possível resistência que as raças autóctones possam ter desenvolvido, por viverem durante centenas de anos em locais endémicos. Todavia, será necessário realizar mais estudos para reforçar ou infirmar as conclusões deste trabalho. |
|---|---|
| Autores principais: | Pinto, Catarina Afonso |
| Assunto: | Leishmaniose Cão de Gado Transmontano fatores de risco Trás-os-Montes prevalência Leishmaniasis Transmontane Mastiff risk factors Trás-os-Montes prevalence |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A leishmaniose é uma doença parasitária, transmitida por um vetor, cujo hospedeiro principal é o cão. Caracteriza-se por uma panóplia de sinais clínicos e, por vezes, possuiu um longo período de doença assintomática. Por ser uma afeção em crescimento e muitas vezes negligenciada é necessário estudar a sua prevalência, de forma a adotar as medidas de controlo mais eficazes de combate a esta zoonose, não esquecendo o conjunto de fatores de risco que beneficiam a infeção. Em Portugal, especificamente, na região de Trás-os-Montes e Alto Douro, caracterizada por um clima temperado mediterrânico propicio ao desenvolvimento vetorial, já se reportam focos de infeção desde a década de 90. O Cão de Gado Transmontano, com origem no mastim ibérico, resultou de um conjunto de genes deixados pelos antigos cães pastores, nas grandes transumâncias. Adaptou-se às terras transmontanas, ao seu percurso montanhoso, ganhou resistência ao clima adverso que por vezes se faz sentir e às variações de amplitude térmicas. É fundamentalmente um cão de trabalho (como verificado no rastreio, onde 85% dos cães são utilizados para guarda), que acompanha o gado durante o seu percurso diário, com o objetivo de o proteger de predadores externos. O objetivo do rastreio, que visou 80 cães de Gado Transmontano, foi, essencialmente, analisar uma raça que pela sua aptidão já por si constitui um fator de risco. Estes animais dormem principalmente na rua (83,75%), durante o dia acompanham e protegem o gado, contactando com possíveis locais de reprodução vetorial e também com possíveis hospedeiros silváticos, por exemplo o vetor P. ariasi desenvolve-se em ambientes mais húmidos, sendo que 91,25% (73/80) dos animais contacta ao longo do seu percurso com algum tipo de curso de água. Para além disto, 97,5% (78/80) contacta com outros cães e não recebe uma desparasitação farmacológica eficaz que o proteja da picada do flebótomo. A baixa prevalência resultante do rastreio (2,5%) poderá ser explicada pelo longo período assintomático que alguns cães apresentam, com baixa produção de anticorpos, sendo por isso de difícil deteção pelo teste rápido. Outra explicação depreende-se com a possível resistência que as raças autóctones possam ter desenvolvido, por viverem durante centenas de anos em locais endémicos. Todavia, será necessário realizar mais estudos para reforçar ou infirmar as conclusões deste trabalho. |
|---|