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Eutanásia e suicídio medicamente assistido : atitude dos médicos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Os médicos desempenham um papel importante ao nivel das decisões em fim de vida, sendo que no último século o progresso técnico e científico conduziu a uma mudança nos padrões da morte, com as doenças degenerativas, oncológicas e crónicas ocupando um lugar de destaque em termos de mortalidade. Vive-se durante mais tempo, mas nem sempre com uma melhor qualidade de vida. A morte e o morrer são muitas vezes escondidas da sociedade, e por vezes até do próprio moribundo, suscitando mais sofrimento e dificuldade em lidar com a morte. Embora a eutanásia e o suicidio assistido existam desde a antiguidade, continuam a ser temas controversos, não só devido às questões legais que lhe são inerentes, mas também, e sobretudo, devido às questões éticas associadas. Apesar de ser legal em alguns países, em Portugal, a morte assistida não se encontra regulamentada. Contudo, variados autores têm estudado estas temática, embora em Portugal não existam muitos estudo, particularmente do ponto de vista do médico. Com este estudo procurou-se obter mais informações sobre o que pensam os médicos portugueses sobre a eutanásia e o suicidio assistido, bem como sobre as suas atitudes face a eventuais pedidos. Este estudo foi do tipo descritivo, quantitativo, correlacional e transversal e teve lugar na Ilha Madeira. O instrumento utilizado foi o questionário realizado por Ferraz Gonçalves em 2006 sobre as atitudes dos oncologistas portugueses face à eutanásia e ao suicidio assistido. Os dados foram posteriormente analisados com o programa SPSS. A amostra foi constituída por 183 médicos com idades compreendidas entre os 25 e os 65 anos, a maioria dos quais pertencendo ao género feminino (73,8%). Apesar da maioria dos médicos recusar-se a praticar eutanásia no quadro legal vigente (48,1%), o número daqueles predispostos a realizá-la aumentava se a mesma fosse legalizada. A maioria dos inquiridos (65,6%) pensam que a eutanásia deveria ser permitida em Portugal. Contudo, o número daqueles que pensam que o suicidio assistido deveria ser legalizado é menor (46,9%). A maioria discorda com o alargamento dos conceitos de eutanásia e suicídio assistido a doentes não terminais. Apenas 10,9% dos médicos alguma vez recebeu um pedido de eutanásia e sómente 2,2% receberam pedidos de suicidio medicamente assistido. Nenhum médico referiu ter participado de uma morte assistida. Contudo, a maioria gostaria de poder optar pela morte assistido no caso de padecer de uma doença terminal. Finalmente, embora a maioria dos médicos concordasse que os cuidados paliativos resolviam a maioria se não todos os pedidos de morte assistida, apenas uma minoria apresentava formação nesta área, o que nos remete para a necessidade de investir a este nível.
Autores principais:Freitas, Helena Sofia Rodrigues Fragoeiro de Gouveia e, 1984-
Assunto:Eutanásia Suicidio medicamente assistido Decisões em fim de vida Morte assistida Cuidados paliativos Teses de mestrado - 2017
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os médicos desempenham um papel importante ao nivel das decisões em fim de vida, sendo que no último século o progresso técnico e científico conduziu a uma mudança nos padrões da morte, com as doenças degenerativas, oncológicas e crónicas ocupando um lugar de destaque em termos de mortalidade. Vive-se durante mais tempo, mas nem sempre com uma melhor qualidade de vida. A morte e o morrer são muitas vezes escondidas da sociedade, e por vezes até do próprio moribundo, suscitando mais sofrimento e dificuldade em lidar com a morte. Embora a eutanásia e o suicidio assistido existam desde a antiguidade, continuam a ser temas controversos, não só devido às questões legais que lhe são inerentes, mas também, e sobretudo, devido às questões éticas associadas. Apesar de ser legal em alguns países, em Portugal, a morte assistida não se encontra regulamentada. Contudo, variados autores têm estudado estas temática, embora em Portugal não existam muitos estudo, particularmente do ponto de vista do médico. Com este estudo procurou-se obter mais informações sobre o que pensam os médicos portugueses sobre a eutanásia e o suicidio assistido, bem como sobre as suas atitudes face a eventuais pedidos. Este estudo foi do tipo descritivo, quantitativo, correlacional e transversal e teve lugar na Ilha Madeira. O instrumento utilizado foi o questionário realizado por Ferraz Gonçalves em 2006 sobre as atitudes dos oncologistas portugueses face à eutanásia e ao suicidio assistido. Os dados foram posteriormente analisados com o programa SPSS. A amostra foi constituída por 183 médicos com idades compreendidas entre os 25 e os 65 anos, a maioria dos quais pertencendo ao género feminino (73,8%). Apesar da maioria dos médicos recusar-se a praticar eutanásia no quadro legal vigente (48,1%), o número daqueles predispostos a realizá-la aumentava se a mesma fosse legalizada. A maioria dos inquiridos (65,6%) pensam que a eutanásia deveria ser permitida em Portugal. Contudo, o número daqueles que pensam que o suicidio assistido deveria ser legalizado é menor (46,9%). A maioria discorda com o alargamento dos conceitos de eutanásia e suicídio assistido a doentes não terminais. Apenas 10,9% dos médicos alguma vez recebeu um pedido de eutanásia e sómente 2,2% receberam pedidos de suicidio medicamente assistido. Nenhum médico referiu ter participado de uma morte assistida. Contudo, a maioria gostaria de poder optar pela morte assistido no caso de padecer de uma doença terminal. Finalmente, embora a maioria dos médicos concordasse que os cuidados paliativos resolviam a maioria se não todos os pedidos de morte assistida, apenas uma minoria apresentava formação nesta área, o que nos remete para a necessidade de investir a este nível.