Publicação
Tratamento da infeção por clostridium difficile recorrente : alguma novidade para além da antibioterapia?
| Resumo: | Atualmente a infeção por Clostridium difficile representa a principal causa de diarreia associada aos cuidados de saúde. Nos últimos anos tem-se assistido a um aumento da sua incidência aliado ao surgimento de episódios com gravidade crescente, cada vez mais refratários à terapêutica e mais recorrentes. A patogénese da infeção por Clostridium difficile envolve um conjunto de fatores, destacando-se a disbiose da microbiota intestinal, a colonização por uma estirpe toxicogénica e fatores de risco dependentes do hospedeiro. A antibioterapia continua a ser o tratamento de eleição, porém, tem um efeito paradoxal ao perpetuar a disbiose da microbiota intestinal e a alteração da composição de metabolitos fecais, sendo que a sua utilização é considerada o fator de risco major para desenvolvimento desta infeção. Os inúmeros avanços nas investigações relativas à patogénese da infeção por Clostridium difficile e o aumento das taxas de recorrência têm motivado o desenvolvimento de novas estratégias para o tratamento de infeções recorrentes e sua prevenção. Atualmente, a única terapêutica não-antibiótica recomendada internacionalmente, é o transplante fecal. No entanto, a imunoterapia tem ganho cada vez mais destaque e, muito recentemente, foi aprovado pela Food and Drug Administration um anticorpo monoclonal anti-toxina B (Bezlotoxumab) para o uso na prevenção das infeções recorrentes. Este foi um passo importante na evolução do tratamento de infeções bacterianas uma vez que é o primeiro anticorpo aprovado para o efeito. As várias opções terapêuticas apresentadas parecem ser promissoras, mas é importante salientar a importância da realização de um maior número de estudos randomizados, controlados e em maior escala, de modo a que seja possível a obtenção de dados relativamente aos benefícios a longo prazo e custo-efetividade das várias alternativas, assim como o estabelecimento de orientações internacionais padronizadas para a sua utilização na prática clínica. |
|---|---|
| Autores principais: | Resende, Maria Miguel Soares |
| Assunto: | Clostridium difficile Microbiota intestinal Transplante fecal Antibioterapia Doenças transmissíveis |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Atualmente a infeção por Clostridium difficile representa a principal causa de diarreia associada aos cuidados de saúde. Nos últimos anos tem-se assistido a um aumento da sua incidência aliado ao surgimento de episódios com gravidade crescente, cada vez mais refratários à terapêutica e mais recorrentes. A patogénese da infeção por Clostridium difficile envolve um conjunto de fatores, destacando-se a disbiose da microbiota intestinal, a colonização por uma estirpe toxicogénica e fatores de risco dependentes do hospedeiro. A antibioterapia continua a ser o tratamento de eleição, porém, tem um efeito paradoxal ao perpetuar a disbiose da microbiota intestinal e a alteração da composição de metabolitos fecais, sendo que a sua utilização é considerada o fator de risco major para desenvolvimento desta infeção. Os inúmeros avanços nas investigações relativas à patogénese da infeção por Clostridium difficile e o aumento das taxas de recorrência têm motivado o desenvolvimento de novas estratégias para o tratamento de infeções recorrentes e sua prevenção. Atualmente, a única terapêutica não-antibiótica recomendada internacionalmente, é o transplante fecal. No entanto, a imunoterapia tem ganho cada vez mais destaque e, muito recentemente, foi aprovado pela Food and Drug Administration um anticorpo monoclonal anti-toxina B (Bezlotoxumab) para o uso na prevenção das infeções recorrentes. Este foi um passo importante na evolução do tratamento de infeções bacterianas uma vez que é o primeiro anticorpo aprovado para o efeito. As várias opções terapêuticas apresentadas parecem ser promissoras, mas é importante salientar a importância da realização de um maior número de estudos randomizados, controlados e em maior escala, de modo a que seja possível a obtenção de dados relativamente aos benefícios a longo prazo e custo-efetividade das várias alternativas, assim como o estabelecimento de orientações internacionais padronizadas para a sua utilização na prática clínica. |
|---|