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Effectiveness of protected areas for wildcat (Felis silvestris silvestris) conservation: from general hybridization patterns to local environmental drivers

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Resumo:A perturbação de origem antrópica pode ser uma ameaça significativa para a vida selvagem e, consequentemente, os impactos associados à presença do Homem e das suas atividades nas paisagens naturais, tais como a conversão/destruição do habitat, sobrepastoreio e introdução de espécies exóticas, podem promover reduções significativas nas áreas de distribuição das espécies, ou mesmo levar à sua extinção (Chapin et al. 2000). Especificamente, a introdução/dispersão de taxa exóticos, intencional ou não, ou a conversão/modificação do habitat natural em agro ou silvo-ecossistemas, têm adicionado desafios à sobrevivência de espécies que já se encontram num estado de conservação débil, ao poderem promover a hibridação entre taxa selvagens e animais domésticos (Rhymer and Simberloff 1996; Allendorf et al. 2001; Todesco et al. 2016). A hibridação pode gerar a perda de diversidade genética e fitness dos indivíduos, bem como aumentar a probabilidade da extinção de espécies e/ou populações (Seehausen et al. 2008; Crispo et al. 2011; Todesco et al. 2016). A introdução de espécies invasoras na área de distribuição das nativas selvagens pode facilitar o contacto entre duas espécies que anteriormente seria improvável ou inexistente, devido à distribuição alopátrica, e consequentemente promover a hibridação. Para além disso, a conversão/modificação do habitat pode facilitar o contacto entre as espécies doméstica e selvagens, ao facilitar a incursão das primeiras em áreas naturais contíguas. Por outro lado, pode levar a um isolamento de populações silvestres (Rhymer and Simberloff 1996; Holderegger and Di Giulio 2010; Storfer et al. 2010), resultando numa redução de fluxo genético. Um dos exemplos mais documentados de hibridação entre taxa selvagem e doméstico é o caso entre o gato-bravo europeu (Felis silvestris silvestris Schreber, 1777) e o gato doméstico (Felis silvestris catus). Desde o início do século XX, as populações de gato-bravo na Europa apresentaram uma tendência decrescente, principalmente devido à perda de habitat de qualidade, fragmentação de habitat e perseguição direta (Yamaguchi et al. 2015). Simultaneamente, houve uma expansão e generalização da distribuição do gato doméstico na Europa e, consequentemente, uma maior sobreposição com a distribuição do gato-bravo, aumentando a probabilidade de encontros entre ambas as espécies (Steyer et al. 2018). Atualmente, e com base em dados genéticos, são reconhecidas na Europa cinco principais grupos biogeográficos de gato-bravo: Península Ibérica, Itália, Escócia, Sudeste continental e Noroeste continental (Mattucci et al. 2016). Globalmente, o gato-bravo está classificado como ‘Pouco Preocupante’ segundo a lista vermelha da IUCN (Yamaguchi et al. 2015). No entanto, na Europa, existem variações regionais/nacionais nas tendências populacionais e nos graus de fragmentação das populações que, associadas a uma redução da área de distribuição da espécie, contribuíram para que, em vários países, o estatuto de ameaça seja mais elevado (ex. Vulnerável e Quase ameaçado, em Portugal e Espanha, respetivamente; Cabral et al. 2005; López-Martín et al. 2007), e que este felino tenha sido incluído nas listagem de espécies mencionada na CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção), Diretiva das Habitats e Convenção de Berna (Nowell and Jackson 1996). Apesar disso, devido aos inúmeros esforços de conservação focados no gato-bravo, algumas populações deste felídeo apresentam uma tendência populacional positiva (Steyer et al. 2016; Nussberger et al. 2018). Na maioria das regiões da Europa, e nos grupos biogeográficos, a hibridação entre o gato-bravo e o doméstico já foi detetada (Beaumont et al. 2001; Kitchener et al. 2005; Pierpaoli et al. 2003; Lecis et al. 2006; Oliveira et al. 2008a, b; Hertwig et al. 2009; Nussberger et al. 2014; Steyer et al. 2018), realçando que este processo pode ser mais uma ameaça significativa para conservação do gato-bravo em toda a sua distribuição europeia. Vários fatores podem promover especificamente o contacto entre estas duas espécies de felinos, nomeadamente: o declínio de populações de gato-bravo depauperadas e que, devido a isso, a escolha do parceiro sexual é dificultada, levando a uma procura nas áreas de distribuição do gato doméstico; a expansão geográfica das populações de gato-bravo com uma tendência populacional positiva e que, por isso, passam a utilizar áreas onde o gato doméstico ocorre; e a deterioração da qualidade do habitat, com a expansão das paisagens alteradas pelo Homem, que facilita as incursões do gato doméstico nos redutos naturais habitados pelo congénere silvestre. Apesar destes processos serem frequentemente apontados como causas da hibridação entre estes dois felinos, ainda é pouco claro quais os reais fatores e mecanismos que podem contribuir para promover o contacto entre as duas espécies na Europa (Beugin et al. 2018; Oliveira et al. 2018; Steyer et al. 2018). Para além do grau de hibridação, que nos dá uma medida da integridade genética de uma população, e por isso, do seu fitness e valor conservacionista, a abundância/densidade é uma métrica que reflete a integridade populacional da espécie numa região, e permite aferir tendências populacionais (Wright and Hubbell 1983) e viabilidade e risco de extinção das espécies (Purvis et al. 2000). A estimativa das abundâncias/densidades é, assim, um dos parâmetros fundamentais para suportar cientificamente políticas de conservação de sucesso, em particular para espécies ameaçadas (Stephens et al. 2015). Diversas abordagens metodológicas têm sido empregues para gerar estas estimativas, mas, recentemente, o uso de armadilhagem fotográfica, que permite o estudo de espécies elusivas de carnívoros (Karanth et al. 2006), possibilitou o surgimento de modelos estatísticos, baseados em dados de deteção/ocorrência com identificação individual, que geram estimativas de densidades populacionais: modelos espaciais de captura-recaptura (ECR) (Efford 2004; Borchers and Efford 2008; Royle and Young 2008; Efford et al. 2009; Royle et al. 2014). Apesar das estimativas de abundância/densidades serem cruciais para uma gestão eficaz de espécies silvestres, a verdade é que, para muitos grupos biogeográficos deste mesocarnívoro ameaçado, estes dados não estão muitas vezes disponíveis para serem usados pelos gestores de vida silvestre e do território. Um bom exemplo deste padrão é a Península Ibérica, onde as populações de gato-bravo têm vindo, globalmente, a apresentar uma tendência negativa, e estimativas de densidades populacionais baixas (Cabral et al. 2005; Lozano et al. 2007; Sobrino et al. 2009). Este panorama pouco animador, tem sido associado à perseguição humana, fragmentação/conversão do habitat e a diminuição da abundância da sua principal presa na região Mediterrânea, o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus; Gil-Sánchez et al. 1999; Lozano et al. 2003). Apesar de existirem vários trabalhos em Portugal focados no estudo da ecologia do gato-bravo (Sarmento 1996; Oliveira et al. 2008a, b; Monterroso et al. 2009; Oliveira et al. 2018), ainda existe uma falta de conhecimento sobre as tendências populacionais e densidades das populações portuguesas. Tendo em conta este panorama geral, e por forma a preencher estas lacunas de informação, o presente estudo visa: 1) aferir quais os fatores que estão, a nível Europeu e metapopulacional, a promover a hibridação entre gato doméstico e gato-bravo e avaliar a eficácia das áreas protegidas como ferramenta para assegurar a integridade genética do gato-bravo e; 2) estimar, pela primeira vez, a densidade de uma população portuguesa de gato bravo, que habita uma das áreas protegidas do país (Parque Natural de Montesinho), e determinar os fatores ambientais que a condicionam. No capítulo I analisámos 964 amostras biológicas, morfologicamente identificadas como gato-bravo, recolhidas em 13 países Europeus, com o objetivo de determinar quais os fatores que influenciam a integridade genética de gato-bravo e a eficácia da rede Europeia de áreas protegidas, globalmente e por grupo biogeográfico. No geral, a integridade genética é elevada. Contudo as metapopulações Ibérica e Escocesa apresentaram valores mais baixos. A qualidade do habitat (maior proporção de floresta e matos, e menor proporção de regiões dominadas por zonas humanizadas) parece estar associada a valores elevados de integridade genética, apresentando diferentes padrões nas metapopulações. Relativamente á eficácia das áreas protegidas (APs), a rede Europeia aparenta ser eficaz na conservação da integridade genética deste felino, enquanto que as APs da Península Ibérica e as localizadas na região onde ocorre a metapopulação Noroeste de gato-bravo aparentam ser menos eficazes. Estes resultados contribuem para diagnosticar, de uma forma mais abrangente, a nível Europeu, o problema da hibridação entre o gato-bravo e doméstico, e os padrões detetados contribuem para a definição de diretrizes de gestão mais sólidas que permitam garantir a conservação do gato-bravo em toda a sua distribuição Europeia. No capítulo II usámos modelos espaciais de captura-recaptura (ECR) para determinar a densidade populacional de gato-bravo dentro de uma área protegida – Parque Natural de Montesinho – em Portugal. Identificámos 9 indivíduos com um esforço de amostragem de 3477 noites. A densidade de gato-bravo estimada foi de 0,119±0,065 gato-bravo/Km2 . Os valores estimados de densidade aumentam quando as zonas humanizadas estão mais afastadas, ou seja, quando existe menor perturbação humana e menor probabilidade de presença de gato doméstico. Os nossos resultados indicam também que o Parque Natural de Montesinho parece ter condições ambientais adequadas para a espécie, uma vez que ela ocorre em densidades semelhantes às detetadas em outras áreas protegida da Ibéria e o gato doméstico parece estar ausente da área de distribuição do gato-bravo, no P.N. Montesinho. Por estas razões, esta área protegida pode ser uma ferramenta importante na estratégia de conservação deste felino Este estudo providencia dados importantes para a conservação desta espécie no contexto europeu, providenciando informação cientificamente válida sobre a integridade genética e populacional do gato bravo, crucial para que gestores das áreas protegidas e decisores políticos (regionais e nacionais) possam ter informação de base para criar regulamentos, planos de gestão e políticas adequadas a proteger os recursos chave para o gato-bravo, quer a nível da Europa quer a nível de metapopulações específicas. Ambos os capítulos evidenciam o papel crucial das APs para a conservação desta espécie ameaçada, apesar dos diferentes processos ecológicos analisados (integridade genética e densidade populacional).
Autores principais:Matias, Gonçalo Ferreira Machado
Assunto:Gato-bravo Europeu Integridade genética Gestão de áreas protegidas Densidade populacional Conservação Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A perturbação de origem antrópica pode ser uma ameaça significativa para a vida selvagem e, consequentemente, os impactos associados à presença do Homem e das suas atividades nas paisagens naturais, tais como a conversão/destruição do habitat, sobrepastoreio e introdução de espécies exóticas, podem promover reduções significativas nas áreas de distribuição das espécies, ou mesmo levar à sua extinção (Chapin et al. 2000). Especificamente, a introdução/dispersão de taxa exóticos, intencional ou não, ou a conversão/modificação do habitat natural em agro ou silvo-ecossistemas, têm adicionado desafios à sobrevivência de espécies que já se encontram num estado de conservação débil, ao poderem promover a hibridação entre taxa selvagens e animais domésticos (Rhymer and Simberloff 1996; Allendorf et al. 2001; Todesco et al. 2016). A hibridação pode gerar a perda de diversidade genética e fitness dos indivíduos, bem como aumentar a probabilidade da extinção de espécies e/ou populações (Seehausen et al. 2008; Crispo et al. 2011; Todesco et al. 2016). A introdução de espécies invasoras na área de distribuição das nativas selvagens pode facilitar o contacto entre duas espécies que anteriormente seria improvável ou inexistente, devido à distribuição alopátrica, e consequentemente promover a hibridação. Para além disso, a conversão/modificação do habitat pode facilitar o contacto entre as espécies doméstica e selvagens, ao facilitar a incursão das primeiras em áreas naturais contíguas. Por outro lado, pode levar a um isolamento de populações silvestres (Rhymer and Simberloff 1996; Holderegger and Di Giulio 2010; Storfer et al. 2010), resultando numa redução de fluxo genético. Um dos exemplos mais documentados de hibridação entre taxa selvagem e doméstico é o caso entre o gato-bravo europeu (Felis silvestris silvestris Schreber, 1777) e o gato doméstico (Felis silvestris catus). Desde o início do século XX, as populações de gato-bravo na Europa apresentaram uma tendência decrescente, principalmente devido à perda de habitat de qualidade, fragmentação de habitat e perseguição direta (Yamaguchi et al. 2015). Simultaneamente, houve uma expansão e generalização da distribuição do gato doméstico na Europa e, consequentemente, uma maior sobreposição com a distribuição do gato-bravo, aumentando a probabilidade de encontros entre ambas as espécies (Steyer et al. 2018). Atualmente, e com base em dados genéticos, são reconhecidas na Europa cinco principais grupos biogeográficos de gato-bravo: Península Ibérica, Itália, Escócia, Sudeste continental e Noroeste continental (Mattucci et al. 2016). Globalmente, o gato-bravo está classificado como ‘Pouco Preocupante’ segundo a lista vermelha da IUCN (Yamaguchi et al. 2015). No entanto, na Europa, existem variações regionais/nacionais nas tendências populacionais e nos graus de fragmentação das populações que, associadas a uma redução da área de distribuição da espécie, contribuíram para que, em vários países, o estatuto de ameaça seja mais elevado (ex. Vulnerável e Quase ameaçado, em Portugal e Espanha, respetivamente; Cabral et al. 2005; López-Martín et al. 2007), e que este felino tenha sido incluído nas listagem de espécies mencionada na CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção), Diretiva das Habitats e Convenção de Berna (Nowell and Jackson 1996). Apesar disso, devido aos inúmeros esforços de conservação focados no gato-bravo, algumas populações deste felídeo apresentam uma tendência populacional positiva (Steyer et al. 2016; Nussberger et al. 2018). Na maioria das regiões da Europa, e nos grupos biogeográficos, a hibridação entre o gato-bravo e o doméstico já foi detetada (Beaumont et al. 2001; Kitchener et al. 2005; Pierpaoli et al. 2003; Lecis et al. 2006; Oliveira et al. 2008a, b; Hertwig et al. 2009; Nussberger et al. 2014; Steyer et al. 2018), realçando que este processo pode ser mais uma ameaça significativa para conservação do gato-bravo em toda a sua distribuição europeia. Vários fatores podem promover especificamente o contacto entre estas duas espécies de felinos, nomeadamente: o declínio de populações de gato-bravo depauperadas e que, devido a isso, a escolha do parceiro sexual é dificultada, levando a uma procura nas áreas de distribuição do gato doméstico; a expansão geográfica das populações de gato-bravo com uma tendência populacional positiva e que, por isso, passam a utilizar áreas onde o gato doméstico ocorre; e a deterioração da qualidade do habitat, com a expansão das paisagens alteradas pelo Homem, que facilita as incursões do gato doméstico nos redutos naturais habitados pelo congénere silvestre. Apesar destes processos serem frequentemente apontados como causas da hibridação entre estes dois felinos, ainda é pouco claro quais os reais fatores e mecanismos que podem contribuir para promover o contacto entre as duas espécies na Europa (Beugin et al. 2018; Oliveira et al. 2018; Steyer et al. 2018). Para além do grau de hibridação, que nos dá uma medida da integridade genética de uma população, e por isso, do seu fitness e valor conservacionista, a abundância/densidade é uma métrica que reflete a integridade populacional da espécie numa região, e permite aferir tendências populacionais (Wright and Hubbell 1983) e viabilidade e risco de extinção das espécies (Purvis et al. 2000). A estimativa das abundâncias/densidades é, assim, um dos parâmetros fundamentais para suportar cientificamente políticas de conservação de sucesso, em particular para espécies ameaçadas (Stephens et al. 2015). Diversas abordagens metodológicas têm sido empregues para gerar estas estimativas, mas, recentemente, o uso de armadilhagem fotográfica, que permite o estudo de espécies elusivas de carnívoros (Karanth et al. 2006), possibilitou o surgimento de modelos estatísticos, baseados em dados de deteção/ocorrência com identificação individual, que geram estimativas de densidades populacionais: modelos espaciais de captura-recaptura (ECR) (Efford 2004; Borchers and Efford 2008; Royle and Young 2008; Efford et al. 2009; Royle et al. 2014). Apesar das estimativas de abundância/densidades serem cruciais para uma gestão eficaz de espécies silvestres, a verdade é que, para muitos grupos biogeográficos deste mesocarnívoro ameaçado, estes dados não estão muitas vezes disponíveis para serem usados pelos gestores de vida silvestre e do território. Um bom exemplo deste padrão é a Península Ibérica, onde as populações de gato-bravo têm vindo, globalmente, a apresentar uma tendência negativa, e estimativas de densidades populacionais baixas (Cabral et al. 2005; Lozano et al. 2007; Sobrino et al. 2009). Este panorama pouco animador, tem sido associado à perseguição humana, fragmentação/conversão do habitat e a diminuição da abundância da sua principal presa na região Mediterrânea, o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus; Gil-Sánchez et al. 1999; Lozano et al. 2003). Apesar de existirem vários trabalhos em Portugal focados no estudo da ecologia do gato-bravo (Sarmento 1996; Oliveira et al. 2008a, b; Monterroso et al. 2009; Oliveira et al. 2018), ainda existe uma falta de conhecimento sobre as tendências populacionais e densidades das populações portuguesas. Tendo em conta este panorama geral, e por forma a preencher estas lacunas de informação, o presente estudo visa: 1) aferir quais os fatores que estão, a nível Europeu e metapopulacional, a promover a hibridação entre gato doméstico e gato-bravo e avaliar a eficácia das áreas protegidas como ferramenta para assegurar a integridade genética do gato-bravo e; 2) estimar, pela primeira vez, a densidade de uma população portuguesa de gato bravo, que habita uma das áreas protegidas do país (Parque Natural de Montesinho), e determinar os fatores ambientais que a condicionam. No capítulo I analisámos 964 amostras biológicas, morfologicamente identificadas como gato-bravo, recolhidas em 13 países Europeus, com o objetivo de determinar quais os fatores que influenciam a integridade genética de gato-bravo e a eficácia da rede Europeia de áreas protegidas, globalmente e por grupo biogeográfico. No geral, a integridade genética é elevada. Contudo as metapopulações Ibérica e Escocesa apresentaram valores mais baixos. A qualidade do habitat (maior proporção de floresta e matos, e menor proporção de regiões dominadas por zonas humanizadas) parece estar associada a valores elevados de integridade genética, apresentando diferentes padrões nas metapopulações. Relativamente á eficácia das áreas protegidas (APs), a rede Europeia aparenta ser eficaz na conservação da integridade genética deste felino, enquanto que as APs da Península Ibérica e as localizadas na região onde ocorre a metapopulação Noroeste de gato-bravo aparentam ser menos eficazes. Estes resultados contribuem para diagnosticar, de uma forma mais abrangente, a nível Europeu, o problema da hibridação entre o gato-bravo e doméstico, e os padrões detetados contribuem para a definição de diretrizes de gestão mais sólidas que permitam garantir a conservação do gato-bravo em toda a sua distribuição Europeia. No capítulo II usámos modelos espaciais de captura-recaptura (ECR) para determinar a densidade populacional de gato-bravo dentro de uma área protegida – Parque Natural de Montesinho – em Portugal. Identificámos 9 indivíduos com um esforço de amostragem de 3477 noites. A densidade de gato-bravo estimada foi de 0,119±0,065 gato-bravo/Km2 . Os valores estimados de densidade aumentam quando as zonas humanizadas estão mais afastadas, ou seja, quando existe menor perturbação humana e menor probabilidade de presença de gato doméstico. Os nossos resultados indicam também que o Parque Natural de Montesinho parece ter condições ambientais adequadas para a espécie, uma vez que ela ocorre em densidades semelhantes às detetadas em outras áreas protegida da Ibéria e o gato doméstico parece estar ausente da área de distribuição do gato-bravo, no P.N. Montesinho. Por estas razões, esta área protegida pode ser uma ferramenta importante na estratégia de conservação deste felino Este estudo providencia dados importantes para a conservação desta espécie no contexto europeu, providenciando informação cientificamente válida sobre a integridade genética e populacional do gato bravo, crucial para que gestores das áreas protegidas e decisores políticos (regionais e nacionais) possam ter informação de base para criar regulamentos, planos de gestão e políticas adequadas a proteger os recursos chave para o gato-bravo, quer a nível da Europa quer a nível de metapopulações específicas. Ambos os capítulos evidenciam o papel crucial das APs para a conservação desta espécie ameaçada, apesar dos diferentes processos ecológicos analisados (integridade genética e densidade populacional).