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A avaliação da expressão imunohistoquímica de Ki-67 e EGFR em carcinoma de células escamosas orais em cão

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O carcinoma de células escamosas oral (CCEO) é uma neoplasia maligna de origem epitelial e é um dos tumores mais prevalentes na cavidade oral do cão. Apesar da cirurgia ser considerada o tratamento curativo, são muitas vezes necessárias terapias neoadjuvantes e adjuvantes e existe ainda uma necessidade de compreender melhor o comportamento e o prognóstico deste tumor. O presente estudo teve como objetivo principal avaliar por técnica de imunohistoquímica (IHQ) a expressão do marcador de proliferação Ki-67 e do Recetor do Fator de Crescimento Epidérmico (EGFR) no CCEO e averiguar a presença de associações com o prognóstico. Foram incluídos 43 casos de CCEO cujos tumores se encontravam conservados em blocos de parafina. Para cada caso foi consultado o registo de variáveis clínicas e de prognóstico, nomeadamente a idade (<10 anos ou ³10 anos), raça, sexo, localização primária, localização rostral vs. caudal, estadiamento TNM, ocorrência de recidiva, tempo de sobrevivência global (SG) e intervalo livre de doença (LD). As amostras tumorais foram processadas a partir de cortes de 3μm para a coloração em hematoxilina-eosina (H&E) e para o estudo imunohistoquímico. Este incluiu uma recuperação antigénica (RA) (digestão enzimática com pepsina para o EGFR e citrato ph=6.0 para o Ki- 67); incubação com o anticorpo primário (EGFR – Policlonal, Abcam; Ki-67 – Monoclonal, Dako) e um polímero como sistema de deteção. A expressão de EGFR foi avaliada de forma cega por um patologista, através do sistema de graduação Herceptest. A expressão de Ki-67 foi avaliada de forma automática, definindo o índice deste marcador de forma percentual calculada a partir da contagem de pelo menos 1000 células. A mediana foi o valor de cut-off utilizado para diferenciar os tumores com baixa ou alta expressão de Ki-67. Foi realizada a análise estatística dos resultados recorrendo a um software comercial onde se fizeram testes não paramétricos e análises de sobrevivência. Na análise de sobrevivência foram encontradas algumas limitações por falta de dados relativamente às variáveis clínicas e por censura de casos cujos animais tinham morrido por causas não relacionadas ou se encontravam vivos no momento da realização deste estudo. Os valores do índice de Ki-67 variaram entre 6.79% e 85%, com uma média de 45.1% e mediana de 51.68%. Não foi encontrada qualquer associação estatística com as restantes variáveis. Quanto à expressão de EGFR, 7.1% foram classificados com score 0, todos os restantes casos mostraram positividade para o EGFR: 40.5% com score 1+, 19% com score 2+ e 33.3% com score 3+. A marcação de EGFR encontrava-se significativamente associada com o grau de diferenciação tumoral, mas não com as restantes variáveis. A análise de sobrevivência mostrou que animais com metastização linfática viveram significativamente menos (p=.010) e uma tendência para uma sobrevivência menor em tumores de localização tonsilar. Os resultados obtidos neste estudo são preliminares, mas clinicamente relevantes, uma vez que fornecem informação que apoia a escolha de outras estratégias de tratamento e mostra diferenças no comportamento biológico entre localizações intra-orais.
Autores principais:Pimentel, António Melo Vasconcelos
Assunto:Carcinoma de células escamosas oral Ki-67 Recetores ErbB Imunohistoquímica Cirurgia oncológica Squamous Cell Carcinoma of Head and Neck Ki-67 Antigen ErbB Receptors Immunohistochemistry Surgical Oncology
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O carcinoma de células escamosas oral (CCEO) é uma neoplasia maligna de origem epitelial e é um dos tumores mais prevalentes na cavidade oral do cão. Apesar da cirurgia ser considerada o tratamento curativo, são muitas vezes necessárias terapias neoadjuvantes e adjuvantes e existe ainda uma necessidade de compreender melhor o comportamento e o prognóstico deste tumor. O presente estudo teve como objetivo principal avaliar por técnica de imunohistoquímica (IHQ) a expressão do marcador de proliferação Ki-67 e do Recetor do Fator de Crescimento Epidérmico (EGFR) no CCEO e averiguar a presença de associações com o prognóstico. Foram incluídos 43 casos de CCEO cujos tumores se encontravam conservados em blocos de parafina. Para cada caso foi consultado o registo de variáveis clínicas e de prognóstico, nomeadamente a idade (<10 anos ou ³10 anos), raça, sexo, localização primária, localização rostral vs. caudal, estadiamento TNM, ocorrência de recidiva, tempo de sobrevivência global (SG) e intervalo livre de doença (LD). As amostras tumorais foram processadas a partir de cortes de 3μm para a coloração em hematoxilina-eosina (H&E) e para o estudo imunohistoquímico. Este incluiu uma recuperação antigénica (RA) (digestão enzimática com pepsina para o EGFR e citrato ph=6.0 para o Ki- 67); incubação com o anticorpo primário (EGFR – Policlonal, Abcam; Ki-67 – Monoclonal, Dako) e um polímero como sistema de deteção. A expressão de EGFR foi avaliada de forma cega por um patologista, através do sistema de graduação Herceptest. A expressão de Ki-67 foi avaliada de forma automática, definindo o índice deste marcador de forma percentual calculada a partir da contagem de pelo menos 1000 células. A mediana foi o valor de cut-off utilizado para diferenciar os tumores com baixa ou alta expressão de Ki-67. Foi realizada a análise estatística dos resultados recorrendo a um software comercial onde se fizeram testes não paramétricos e análises de sobrevivência. Na análise de sobrevivência foram encontradas algumas limitações por falta de dados relativamente às variáveis clínicas e por censura de casos cujos animais tinham morrido por causas não relacionadas ou se encontravam vivos no momento da realização deste estudo. Os valores do índice de Ki-67 variaram entre 6.79% e 85%, com uma média de 45.1% e mediana de 51.68%. Não foi encontrada qualquer associação estatística com as restantes variáveis. Quanto à expressão de EGFR, 7.1% foram classificados com score 0, todos os restantes casos mostraram positividade para o EGFR: 40.5% com score 1+, 19% com score 2+ e 33.3% com score 3+. A marcação de EGFR encontrava-se significativamente associada com o grau de diferenciação tumoral, mas não com as restantes variáveis. A análise de sobrevivência mostrou que animais com metastização linfática viveram significativamente menos (p=.010) e uma tendência para uma sobrevivência menor em tumores de localização tonsilar. Os resultados obtidos neste estudo são preliminares, mas clinicamente relevantes, uma vez que fornecem informação que apoia a escolha de outras estratégias de tratamento e mostra diferenças no comportamento biológico entre localizações intra-orais.