Publicação
Reabilitação energética de quarteirões
| Resumo: | Os edifícios antigos representam até 40% do consumo total de energia do parque edificado da União Europeia. Qualquer ação com o objetivo de aumentar o desempenho térmico e energético dos edifícios antigos tem influência no consumo de energia à escala nacional. Contudo, existem dúvidas quanto à compatibilização e aplicação do conceito de “edifício com necessidades quase nulas de energia” (NZEB), disposto na diretiva EPBD 2010/31/EU, em edifícios antigos e património edificado. São levantadas questões acerca da profundidade/agressividade versus eficiência da intervenção, já que o impacte no valor patrimonial do edifício tem que ser residual ou nulo, enquanto o desempenho energético tem de aumentar significativamente. O quarteirão Pombalino do século XVIII, elemento que dá corpo ao Plano de Reconstrução de 1758 da zona baixa da cidade de Lisboa, atualmente designada de “Baixa Pombalina”, sofreu ao longo do tempo um conjunto de alterações que contribuíram para a progressiva delapidação do seu património tecnológico, tendo igualmente consequências nefastas no seu desempenho térmico e energético. Todavia, observámos que o seu desenho inicial possui características arquitetónicas e construtivas com potencial para alcançar o nível NZEB, caso seja adotada uma estratégia de reabilitação energética à escala do quarteirão, ao invés da abordagem usual por edifício ou fração singular. Assim, esta tese demonstra que uma estratégia assente em pacotes de intervenção de âmbito passivo e ativo, aplicada em dois casos de estudo [Q-H & T], reduz a necessidade e o consumo de energia primária para níveis NZEB com um impacte residual no seu valor patrimonial. Para tal, simulámos e comparámos os resultados de 35 pacotes, nos quais combinámos soluções de AVAC, AQS e aproveitamento FER local, com medidas aplicadas no corpo construído, utilizando uma metodologia Building Energy Simulation em dois Building Information Models usando o motor de simulação dinâmica EnergyPlus inserido no software Cypetherm Eplus. Os resultados mostram que um pacote de âmbito passivo otimizado reduz a necessidade energética para climatização em cerca de 56%, enquanto estratégias de ventilação noturna aumentam, aproximadamente 44%, o conforto térmico na estação quente. Na estação fria, observou-se que não é possível o aumento expressivo do conforto térmico apenas com soluções de âmbito passivo. No âmbito ativo, o pacote AVAC bomba de calor Ar-Ar/equipamento a biomassa sólida regista o consumo de energia primária mais baixo, enquanto os sistemas de aproveitamento FER se revelam fundamentais para alcançar um desempenho NZEB. Por fim, o Q-T [lado maior orientado N-S] regista melhor desempenho que o Q-H [lado maior orientado E-O] na generalidade dos parâmetros, alcançando nível NZEB em 7 pacotes versus 3 pacotes, respetivamente. Destes, apenas 3 pacotes são financeiramente viáveis, com um período de retorno do investimento inicial adicional inferior a 9 anos. |
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| Autores principais: | Duarte, Carlos Filipe Chambel |
| Assunto: | Património edificado Reabilitação Quarteirão Baixa Pombalina NZEB Historic building Energy retrofit Block NZEB Pombaline Quarter |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os edifícios antigos representam até 40% do consumo total de energia do parque edificado da União Europeia. Qualquer ação com o objetivo de aumentar o desempenho térmico e energético dos edifícios antigos tem influência no consumo de energia à escala nacional. Contudo, existem dúvidas quanto à compatibilização e aplicação do conceito de “edifício com necessidades quase nulas de energia” (NZEB), disposto na diretiva EPBD 2010/31/EU, em edifícios antigos e património edificado. São levantadas questões acerca da profundidade/agressividade versus eficiência da intervenção, já que o impacte no valor patrimonial do edifício tem que ser residual ou nulo, enquanto o desempenho energético tem de aumentar significativamente. O quarteirão Pombalino do século XVIII, elemento que dá corpo ao Plano de Reconstrução de 1758 da zona baixa da cidade de Lisboa, atualmente designada de “Baixa Pombalina”, sofreu ao longo do tempo um conjunto de alterações que contribuíram para a progressiva delapidação do seu património tecnológico, tendo igualmente consequências nefastas no seu desempenho térmico e energético. Todavia, observámos que o seu desenho inicial possui características arquitetónicas e construtivas com potencial para alcançar o nível NZEB, caso seja adotada uma estratégia de reabilitação energética à escala do quarteirão, ao invés da abordagem usual por edifício ou fração singular. Assim, esta tese demonstra que uma estratégia assente em pacotes de intervenção de âmbito passivo e ativo, aplicada em dois casos de estudo [Q-H & T], reduz a necessidade e o consumo de energia primária para níveis NZEB com um impacte residual no seu valor patrimonial. Para tal, simulámos e comparámos os resultados de 35 pacotes, nos quais combinámos soluções de AVAC, AQS e aproveitamento FER local, com medidas aplicadas no corpo construído, utilizando uma metodologia Building Energy Simulation em dois Building Information Models usando o motor de simulação dinâmica EnergyPlus inserido no software Cypetherm Eplus. Os resultados mostram que um pacote de âmbito passivo otimizado reduz a necessidade energética para climatização em cerca de 56%, enquanto estratégias de ventilação noturna aumentam, aproximadamente 44%, o conforto térmico na estação quente. Na estação fria, observou-se que não é possível o aumento expressivo do conforto térmico apenas com soluções de âmbito passivo. No âmbito ativo, o pacote AVAC bomba de calor Ar-Ar/equipamento a biomassa sólida regista o consumo de energia primária mais baixo, enquanto os sistemas de aproveitamento FER se revelam fundamentais para alcançar um desempenho NZEB. Por fim, o Q-T [lado maior orientado N-S] regista melhor desempenho que o Q-H [lado maior orientado E-O] na generalidade dos parâmetros, alcançando nível NZEB em 7 pacotes versus 3 pacotes, respetivamente. Destes, apenas 3 pacotes são financeiramente viáveis, com um período de retorno do investimento inicial adicional inferior a 9 anos. |
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