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Avaliação da capacidade de formação de biofilme por organismos da microbiota oral e do potencial antimicrobiano de óleos essenciais

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A microbiota oral é constituída por uma comunidade microbiana muito diversa incluindo espécies de bactérias pertencentes a Enterococcus, Streptococcus e Actinomyces. Estas bactérias, são conhecidas por formarem comunidades dinâmicas de células sésseis que interagem e aderem irreversivelmente a um substrato sólido e umas às outras. Ao mesmo tempo, uma construção de substâncias extracelulares poliméricas (SEP) vão embeber e proteger as estirpes produtoras, conferindo proteção contra agentes exteriores. Estes biofilmes são uma grave questão de saúde pública devido à sua contribuição para infeções e eventual falha terapêutica, bem como por facilitarem as trocas genéticas entre as diferentes bactérias. Nos dias de hoje, os compostos naturais, como os óleos essenciais -OEs-, estão a ser estudados como alternativas para penetrarem no biofilme e eliminarem as bactérias presentes, contribuindo para a erradicação destas estruturas. Os OEs são metabolitos secundários produzidos por plantas cada vez mais utilizados como agentes antimicrobianos; os OEs de cravo, oregão e tomilho estão entre os mais promissores. Este trabalho teve como objetivo avaliar bactérias presentes na microbiota oral na respetiva capacidade de produzir biofilmes, em culturas puras e mistas. Foram testadas diferentes condições experimentais (composição do meio, diferentes temperaturas e diferentes tempos de incubação). Os resultados mostraram que o meio Brain Heart Infusion suplementado com mucsina (uma simulação in vitro do ambiente oral), 48 h de incubação à temperatura ambiente favoreceram a formação de biofilme em culturas puras e polimicrobianas. Posteriormente, fez-se um screening dos OEs de cravo, oregão e tomilho procurando avaliar a sua capacidade de controlar o crescimento bacteriano. Os ensaios usando o método da microdiluição permitiram a determinação da concentração mínima inibitória (CMI), concentração mínima bactericida (CMB) e concentração mínima de erradicação de biofilme (CMEB). Os OEs do cravo e tomilho mostraram os resultados mais promissores podendo ser considerados boas alternativas antimicrobianas. Para confirmar esta afirmação foi desenvolvido um modelo de “escova-de-dentes”. Para simular uma escova-de-dentes contaminada com microrganismos, foram inoculadas fibras de nylon com as bactérias orais em estudo. Após a formação de biofilme, foram testados os óleos essenciais de tomilho, de óregão e de cravo a diferentes concentrações na capacidade de provocar a disrupção da matriz e eliminar as bactérias. Os resultados demonstraram o potencial antimicrobiano dos óleos essenciais de tomilho e de cravo confirmando a possibilidade da utilização destes compostos naturais como alternativas válidas aos desinfetantes tradicionais e outros agentes antimicrobianos até agora utilizados na microbiota oral.
Autores principais:Aires, Andreia Sofia Roque
Assunto:Microbiota oral Biofilme Actividade antimicrobiana Óleos essenciais Teses de mestrado - 2018
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A microbiota oral é constituída por uma comunidade microbiana muito diversa incluindo espécies de bactérias pertencentes a Enterococcus, Streptococcus e Actinomyces. Estas bactérias, são conhecidas por formarem comunidades dinâmicas de células sésseis que interagem e aderem irreversivelmente a um substrato sólido e umas às outras. Ao mesmo tempo, uma construção de substâncias extracelulares poliméricas (SEP) vão embeber e proteger as estirpes produtoras, conferindo proteção contra agentes exteriores. Estes biofilmes são uma grave questão de saúde pública devido à sua contribuição para infeções e eventual falha terapêutica, bem como por facilitarem as trocas genéticas entre as diferentes bactérias. Nos dias de hoje, os compostos naturais, como os óleos essenciais -OEs-, estão a ser estudados como alternativas para penetrarem no biofilme e eliminarem as bactérias presentes, contribuindo para a erradicação destas estruturas. Os OEs são metabolitos secundários produzidos por plantas cada vez mais utilizados como agentes antimicrobianos; os OEs de cravo, oregão e tomilho estão entre os mais promissores. Este trabalho teve como objetivo avaliar bactérias presentes na microbiota oral na respetiva capacidade de produzir biofilmes, em culturas puras e mistas. Foram testadas diferentes condições experimentais (composição do meio, diferentes temperaturas e diferentes tempos de incubação). Os resultados mostraram que o meio Brain Heart Infusion suplementado com mucsina (uma simulação in vitro do ambiente oral), 48 h de incubação à temperatura ambiente favoreceram a formação de biofilme em culturas puras e polimicrobianas. Posteriormente, fez-se um screening dos OEs de cravo, oregão e tomilho procurando avaliar a sua capacidade de controlar o crescimento bacteriano. Os ensaios usando o método da microdiluição permitiram a determinação da concentração mínima inibitória (CMI), concentração mínima bactericida (CMB) e concentração mínima de erradicação de biofilme (CMEB). Os OEs do cravo e tomilho mostraram os resultados mais promissores podendo ser considerados boas alternativas antimicrobianas. Para confirmar esta afirmação foi desenvolvido um modelo de “escova-de-dentes”. Para simular uma escova-de-dentes contaminada com microrganismos, foram inoculadas fibras de nylon com as bactérias orais em estudo. Após a formação de biofilme, foram testados os óleos essenciais de tomilho, de óregão e de cravo a diferentes concentrações na capacidade de provocar a disrupção da matriz e eliminar as bactérias. Os resultados demonstraram o potencial antimicrobiano dos óleos essenciais de tomilho e de cravo confirmando a possibilidade da utilização destes compostos naturais como alternativas válidas aos desinfetantes tradicionais e outros agentes antimicrobianos até agora utilizados na microbiota oral.