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Museus (in)capacitantes : deficiência, acessibilidades e inclusão em museus de arte

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Resumo:O modelo social da deficiência, desenvolvido por pessoas com deficiência, desde os anos 1980, tem vindo a argumentar o papel dos diversos agentes sociais na criação de situações de incapacidade, de exclusão e de desigualdade social, no quotidiano das vidas das pessoas com deficiência. Rejeitando o modelo médico, dos anos 1960, baseia-se na responsabilidade social perante a problemática da deficiência, fundamentando-a numa questão de direitos humanos. No decurso deste pensamento, desde o século XXI, a Europa, abriu-se a estas reivindicações, dando orientações aos seus Estados-membros para agirem a favor da inclusão social, rumo a uma sociedade sem barreiras. No seguimento dessas orientações, Portugal produziu legislação específica para a participação plena dos cidadãos com deficiência. Entretanto, no mundo dos museus, novos princípios são desenvolvidos, projetando o lugar dos públicos no centro da sua dinâmica. As coleções e os museus passam a ser considerados como estando ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento. Na museologia, é criada uma corrente que, apoiada no modelo social da deficiência, considera que os museus têm o potencial para combater a desigualdade e a exclusão social das pessoas com deficiência/incapacitadas. Um pouco por todo mundo, surgem atividades em museus que procuram incluir os públicos com deficiência/incapacitados, através da oferta de programação específica. Portugal, imerso neste contexto, tem concretizado algumas iniciativas a favor da criação de acessos. No entanto, continua a existir um distanciamento que impede a participação das pessoas com deficiência/ incapacitadas no espaço museal. Com este trabalho de investigação, pretende-se conhecer toda a complexidade que tem envolvido a inclusão dos públicos com deficiência/incapacitados nos museus de arte, quer através da análise dos diferentes géneros de acesso, quer através da compreensão do seu lugar na sociedade atual e do passado. Para tal, foram realizados três estudos de caso, com grupos de pessoas com deficiência/incapacidade intelectual, visual e da comunidade Surda, através de visitas às exposições do CAMJAP e Museu Gulbenkian. O registo pessoal da autora plasmou essa análise permitindo comprometer o potencial dos museus na melhoria das suas vidas e como contributo para a harmonia social.
Autores principais:Martins, Patrícia Roque
Assunto:Teses de doutoramento - 2015 Museus de arte Acessibilidade Pessoas com dificuldade Museus inclusivos Públicos culturais
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O modelo social da deficiência, desenvolvido por pessoas com deficiência, desde os anos 1980, tem vindo a argumentar o papel dos diversos agentes sociais na criação de situações de incapacidade, de exclusão e de desigualdade social, no quotidiano das vidas das pessoas com deficiência. Rejeitando o modelo médico, dos anos 1960, baseia-se na responsabilidade social perante a problemática da deficiência, fundamentando-a numa questão de direitos humanos. No decurso deste pensamento, desde o século XXI, a Europa, abriu-se a estas reivindicações, dando orientações aos seus Estados-membros para agirem a favor da inclusão social, rumo a uma sociedade sem barreiras. No seguimento dessas orientações, Portugal produziu legislação específica para a participação plena dos cidadãos com deficiência. Entretanto, no mundo dos museus, novos princípios são desenvolvidos, projetando o lugar dos públicos no centro da sua dinâmica. As coleções e os museus passam a ser considerados como estando ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento. Na museologia, é criada uma corrente que, apoiada no modelo social da deficiência, considera que os museus têm o potencial para combater a desigualdade e a exclusão social das pessoas com deficiência/incapacitadas. Um pouco por todo mundo, surgem atividades em museus que procuram incluir os públicos com deficiência/incapacitados, através da oferta de programação específica. Portugal, imerso neste contexto, tem concretizado algumas iniciativas a favor da criação de acessos. No entanto, continua a existir um distanciamento que impede a participação das pessoas com deficiência/ incapacitadas no espaço museal. Com este trabalho de investigação, pretende-se conhecer toda a complexidade que tem envolvido a inclusão dos públicos com deficiência/incapacitados nos museus de arte, quer através da análise dos diferentes géneros de acesso, quer através da compreensão do seu lugar na sociedade atual e do passado. Para tal, foram realizados três estudos de caso, com grupos de pessoas com deficiência/incapacidade intelectual, visual e da comunidade Surda, através de visitas às exposições do CAMJAP e Museu Gulbenkian. O registo pessoal da autora plasmou essa análise permitindo comprometer o potencial dos museus na melhoria das suas vidas e como contributo para a harmonia social.