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Avaliação da eficácia do Fosfato de Toceranib em canídeos com melanoma oral : estudo retrospetivo de 8 casos clínicos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Na espécie canina, o melanoma é a neoplasia oral mais prevalente, tendo uma distinta capacidade de invasão local e metastização à distância. Atualmente, a doença metastática é a principal causa de morte, sendo a procura de estratégias terapêuticas sistémicas, um desafio. Nesse sentido, os inibidores dos recetores da tirosina-quinase (ITQ) têm alcançado resultados promissores em oncologia humana e tido uma crescente aplicabilidade em várias neoplasias nos animais de companhia. Este estudo incide sobre a avaliação do efeito terapêutico do Fosfato de Toceranib como único tratamento de modo paliativo ou como tratamento adjuvante, com outras terapias, no melanoma oral, tendo como objetivo caracterizar o Tempo Mediano de Sobrevida (MST) e o Tempo de Sobrevida Sem Progressão de Doença (PFS) nestas circunstâncias. Para o cálculo destes parâmetros, efetuou-se uma análise de sobrevivência, com curvas de Kaplan Meier, bem como para o estudo dos fatores de prognóstico. A amostra compreendeu 8 cães maioritariamente do sexo feminino (62,5%) e de raça definida (75%), com uma mediana de 12 (10,3-14,5) anos de idade, seguidos no Hospital Escolar Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa e no Centro Veterinário Jamor, entre março de 2022 e outubro de 2023. Estes estavam distribuídos pelos estadios II (50%), III (12,5%) e IV (37,5%), havendo um predomínio dos melanomas amelanóticos (62,5%). Todos tinham a confirmação histológica do diagnóstico, mas apenas 3 cães (37,5%) realizaram um estadiamento completo, com a avaliação do tumor primário, das metástases viscerais e dos linfonodos regionais, justificando a razoável frequência de metástases pulmonares (37,5%) e a inesperada e reduzida prevalência de metástases linfáticas (12,5%). Não se documentaram metástases abdominais. A metastização não foi um fator de prognóstico negativo no estudo, não reduzindo significativamente o MST (P = 0,051). A cirurgia é um dos pilares do tratamento para o melanoma oral, tendo sido realizada na generalidade dos casos (62,5%). Complementarmente, usou-se a quimioterapia convencional com a carboplatina (50%) e a metronómica com a ciclofosfamida (12,5%), além do Fosfato de Toceranib (100%). Constatou-se um aumento notável do MST (P = 0,046) e PFS (P = 0,046) com múltiplos tratamentos, face à administração isolada do ITQ, que aliada à sua baixa taxa de resposta efetiva (12,5%) e progressão da doença mais precoce (43 dias) neste estudo, realça a utilização preferencial deste fármaco como terapia adjuvante. Contudo, tanto como tratamento paliativo (274 dias) como complementar (415 dias), houve um incremento do MST face à literatura, podendo assim ser um recurso terapêutico a considerar
Autores principais:Caria, Ana Margarida da Silva
Assunto:Cão Fosfato de toceranib Melanoma Metástase Oncologia Dog Toceranib phosphate Melanoma Metastasis Oncology
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Na espécie canina, o melanoma é a neoplasia oral mais prevalente, tendo uma distinta capacidade de invasão local e metastização à distância. Atualmente, a doença metastática é a principal causa de morte, sendo a procura de estratégias terapêuticas sistémicas, um desafio. Nesse sentido, os inibidores dos recetores da tirosina-quinase (ITQ) têm alcançado resultados promissores em oncologia humana e tido uma crescente aplicabilidade em várias neoplasias nos animais de companhia. Este estudo incide sobre a avaliação do efeito terapêutico do Fosfato de Toceranib como único tratamento de modo paliativo ou como tratamento adjuvante, com outras terapias, no melanoma oral, tendo como objetivo caracterizar o Tempo Mediano de Sobrevida (MST) e o Tempo de Sobrevida Sem Progressão de Doença (PFS) nestas circunstâncias. Para o cálculo destes parâmetros, efetuou-se uma análise de sobrevivência, com curvas de Kaplan Meier, bem como para o estudo dos fatores de prognóstico. A amostra compreendeu 8 cães maioritariamente do sexo feminino (62,5%) e de raça definida (75%), com uma mediana de 12 (10,3-14,5) anos de idade, seguidos no Hospital Escolar Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Lisboa e no Centro Veterinário Jamor, entre março de 2022 e outubro de 2023. Estes estavam distribuídos pelos estadios II (50%), III (12,5%) e IV (37,5%), havendo um predomínio dos melanomas amelanóticos (62,5%). Todos tinham a confirmação histológica do diagnóstico, mas apenas 3 cães (37,5%) realizaram um estadiamento completo, com a avaliação do tumor primário, das metástases viscerais e dos linfonodos regionais, justificando a razoável frequência de metástases pulmonares (37,5%) e a inesperada e reduzida prevalência de metástases linfáticas (12,5%). Não se documentaram metástases abdominais. A metastização não foi um fator de prognóstico negativo no estudo, não reduzindo significativamente o MST (P = 0,051). A cirurgia é um dos pilares do tratamento para o melanoma oral, tendo sido realizada na generalidade dos casos (62,5%). Complementarmente, usou-se a quimioterapia convencional com a carboplatina (50%) e a metronómica com a ciclofosfamida (12,5%), além do Fosfato de Toceranib (100%). Constatou-se um aumento notável do MST (P = 0,046) e PFS (P = 0,046) com múltiplos tratamentos, face à administração isolada do ITQ, que aliada à sua baixa taxa de resposta efetiva (12,5%) e progressão da doença mais precoce (43 dias) neste estudo, realça a utilização preferencial deste fármaco como terapia adjuvante. Contudo, tanto como tratamento paliativo (274 dias) como complementar (415 dias), houve um incremento do MST face à literatura, podendo assim ser um recurso terapêutico a considerar