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Ensaios sobre a eficiência das instituições de microfinanças

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Resumo:O presente trabalho parte do pressuposto de que as microfinanças constituem uma importante estratégia de inclusão social, económica e financeira dos povos ao redor do mundo. Por permitir que, através da oferta de serviços financeiros às populações desfavorecidas e excluídas do sector financeiro tradicional, elas possam empreender, poupar e adquirir variados activos domésticos. Assim como, lhes permitirá investir na educação de seus filhos. Neste contexto, avaliar factores externos e internos que contribuem para o sucesso ou insucesso das microfinanças constitui um desafio permanente neste sector. Daí que, a tese engloba três artigos interdependentes. Todos eles se concentram em países membros da comunidade para o desenvolvimento da África Austral (SADC). No primeiro artigo, avaliamos a eficiência social e financeira em 18 instituições de microfinanças (IMFs) da região no ano de 2016. Os resultados indicam maiores scores de eficiência financeira comparativamente a eficiência social. O que poderá sugerir que as instituições de microfinanças têm uma abordagem mais institucionalista em detrimento da abordagem welfarista. Encontramos igualmente evidência de que, fornecer serviços financeiros às mulheres e a toda população desfavorecida, permite gerar receitas. No entanto, as instituições financeiras não bancárias (IFNBs) e as organizações não-governamentais (ONGs), são mais eficientes relativamente as cooperativas de crédito (Ccop) e os bancos (B). No segundo artigo, avaliamos a relação entre o nível de desenvolvimento do sector financeiro e o desempenho social e financeiro em 32 IMFs, no período entre 2007 a 2016. Empregamos o índice de desenvolvimento financeiro desenvolvido pelo fundo monetário internacional (IMF). Os resultados sugerem que as IMFs que operam na região austral de África, prosperam em países onde o sector financeiro é mais desenvolvido, verificando-se também que, tendem a emprestar menores quantias por cliente (ainda que globalmente emprestem mais). As ONGs mostraram ter menor alcance em termos de carteira de crédito relativamente aos Bancos, cooperativas e IFNBs. No terceiro e último artigo, avaliamos o impacto que a presença da mulher no conselho de administração, gestão sénior, ou enquanto oficiais de crédito, têm no desempenho social e financeiro 35 IMFs, no período entre 2010 a 2016. Os resultados indicam que, existe uma relação negativa entre a presença da mulher no conselho de administração e o retorno sobre o ativo. Contudo, encontramos evidência de que a inclusão de mulheres no nível operacional (mulheres oficiais de crédito) gera um impacto positivo no desempenho social das IMFs
Autores principais:Agostinho, Elsa Assiaty de Lourenço António
Assunto:eficiência das microfinanças desempenho das microfinanças desenvolvimento do sector financeiro Género países membros da SADC microfinance efficiency microfinance performance financial sector development Gender SADC member countries
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O presente trabalho parte do pressuposto de que as microfinanças constituem uma importante estratégia de inclusão social, económica e financeira dos povos ao redor do mundo. Por permitir que, através da oferta de serviços financeiros às populações desfavorecidas e excluídas do sector financeiro tradicional, elas possam empreender, poupar e adquirir variados activos domésticos. Assim como, lhes permitirá investir na educação de seus filhos. Neste contexto, avaliar factores externos e internos que contribuem para o sucesso ou insucesso das microfinanças constitui um desafio permanente neste sector. Daí que, a tese engloba três artigos interdependentes. Todos eles se concentram em países membros da comunidade para o desenvolvimento da África Austral (SADC). No primeiro artigo, avaliamos a eficiência social e financeira em 18 instituições de microfinanças (IMFs) da região no ano de 2016. Os resultados indicam maiores scores de eficiência financeira comparativamente a eficiência social. O que poderá sugerir que as instituições de microfinanças têm uma abordagem mais institucionalista em detrimento da abordagem welfarista. Encontramos igualmente evidência de que, fornecer serviços financeiros às mulheres e a toda população desfavorecida, permite gerar receitas. No entanto, as instituições financeiras não bancárias (IFNBs) e as organizações não-governamentais (ONGs), são mais eficientes relativamente as cooperativas de crédito (Ccop) e os bancos (B). No segundo artigo, avaliamos a relação entre o nível de desenvolvimento do sector financeiro e o desempenho social e financeiro em 32 IMFs, no período entre 2007 a 2016. Empregamos o índice de desenvolvimento financeiro desenvolvido pelo fundo monetário internacional (IMF). Os resultados sugerem que as IMFs que operam na região austral de África, prosperam em países onde o sector financeiro é mais desenvolvido, verificando-se também que, tendem a emprestar menores quantias por cliente (ainda que globalmente emprestem mais). As ONGs mostraram ter menor alcance em termos de carteira de crédito relativamente aos Bancos, cooperativas e IFNBs. No terceiro e último artigo, avaliamos o impacto que a presença da mulher no conselho de administração, gestão sénior, ou enquanto oficiais de crédito, têm no desempenho social e financeiro 35 IMFs, no período entre 2010 a 2016. Os resultados indicam que, existe uma relação negativa entre a presença da mulher no conselho de administração e o retorno sobre o ativo. Contudo, encontramos evidência de que a inclusão de mulheres no nível operacional (mulheres oficiais de crédito) gera um impacto positivo no desempenho social das IMFs