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"Viver as emoções" : planeamento e avaliação de um programa de aprendizagem sócio-emocional com dança educacional

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As intervenções na área da promoção da saúde mental e do bem-estar podem desempenhar um papel decisivo no desenvolvimento positivo das crianças e dos adolescentes, nomeadamente os programas de Aprendizagem Sócio-Emocional desenvolvidos nas escolas. A presente investigação centrou-se no processo de construção, de implementação e de avaliação do programa Viver as Emoções, destinado ao desenvolvimento de competências sócio-emocionais em alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico. Este é um programa universal e extra-curricular, representando uma abordagem inovadora aos programas de Aprendizagem Sócio-Emocional, ao utilizar actividades de Dança Educacional. O programa envolve conteúdos nos cinco principais domínios da Aprendizagem Sócio-Emocional: auto-conhecimento, consciência social, auto-regulação, competências relacionais e tomada de decisão responsável. Além disso, inclui igualmente conteúdos multiculturais, com o objectivo de tornar a intervenção sensível à crescente diversidade cultural das escolas. A primeira fase da investigação envolveu o planeamento e a construção do programa. Um primeiro estudo empírico foi realizado, integrando um estudo de caso de uma escola portuguesa dos 2º e 3º ciclos do ensino básico. Este estudo inicial envolveu a realização de entrevistas a representantes escolares (N= 2) e de grupos focais (N= 22) e questionários de auto-relato (N= 21) a alunos, bem como um workshop com um grupo de alunos, o qual foi avaliado através de questionários de auto-relato (N=6). O estudo incluiu ainda a avaliação da qualidade de construção do programa por parte de um painel de especialistas (N= 3). Os resultados deste primeiro estudo indicaram (a) a existência de necessidades sócio-emocionais nos alunos nos cinco principais domínios da Aprendizagem Sócio-Emocional; (b) uma elevada receptividade dos alunos relativamente ao tipo de actividades e de conteúdos do programa; (c) uma elevada qualidade de construção do programa. A primeira fase da investigação integrou ainda outros dois estudos empíricos, relativos à análise de propriedades psicométricas de duas medidas de avaliação da eficácia do programa. Os principais resultados do segundo estudo empírico, incidindo na avaliação de uma medida no âmbito da tomada de decisão responsável, a medida de Negociação Interpessoal do Relationship Questionnaire, numa amostra de alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico português (N= 197), indicaram adequadas propriedades psicométricas. Quanto ao terceiro estudo empírico, focalizado nas escalas do Mental Health Continuum - Short-Form, realizado com uma amostra de alunos do 1º ciclo do ensino básico português (N= 208) e com uma amostra de alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico português (N= 216), os principais resultados sugerem que esta é uma medida adequada para avaliar o bem-estar subjectivo. A segunda fase da presente investigação consistiu na avaliação da eficácia e da qualidade de implementação do programa, mediante a realização de dois estudos empíricos. O estudo sobre a avaliação da eficácia do programa foi realizado em três escolas portuguesas com alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico. O desenho da avaliação envolveu grupos de alunos que participaram no programa (N= 45) e grupos de controlo (N= 38), constituídos por alunos que participaram noutro tipo de actividades extra-curriculares, com a mesma duração e frequência que o programa. Os efeitos foram medidos com base em questionários preenchidos pelos alunos (N= 83) e pelos seus Directores de Turma, no início e no final da intervenção, para avaliar os cinco principais domínios da Aprendizagem Sócio-Emocional, o bem-estar subjectivo e o envolvimento na escolaridade. Os principais resultados deste estudo revelaram que os alunos que participaram no programa aumentaram significativamente as suas competências sócio-emocionais de auto-regulação e relacionais, comparativamente com os alunos da condição de controlo. Relativamente ao bem-estar subjectivo e ao envolvimento na escolaridade, não foram encontradas diferenças significativas entre ambos os grupos. O último estudo empírico, referente à avaliação da qualidade de implementação do programa, envolveu instrumentos de medida da receptividade dos alunos (N= 98) e da fiabilidade da implementação. Os principais resultados deste último estudo indicaram (a) uma elevada receptividade dos alunos face ao programa; (b) uma adequada fiabilidade do programa; (c) um efeito preditor da receptividade dos alunos nos efeitos do programa. Em conclusão, é possível afirmar que o programa Viver as Emoções assume relevância social e elevada validade, além de ter sido eficaz no desenvolvimento de competências sócio-emocionais de auto-regulação e relacionais e de ter revelado uma elevada receptividade por parte dos alunos. Deste modo, o programa oferece um conjunto de importantes implicações, tanto para o conhecimento científico, como para a prática psicológica em contexto escolar.
Autores principais:Salgado Pereira, Nádia
Assunto:Teses de doutoramento - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:As intervenções na área da promoção da saúde mental e do bem-estar podem desempenhar um papel decisivo no desenvolvimento positivo das crianças e dos adolescentes, nomeadamente os programas de Aprendizagem Sócio-Emocional desenvolvidos nas escolas. A presente investigação centrou-se no processo de construção, de implementação e de avaliação do programa Viver as Emoções, destinado ao desenvolvimento de competências sócio-emocionais em alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico. Este é um programa universal e extra-curricular, representando uma abordagem inovadora aos programas de Aprendizagem Sócio-Emocional, ao utilizar actividades de Dança Educacional. O programa envolve conteúdos nos cinco principais domínios da Aprendizagem Sócio-Emocional: auto-conhecimento, consciência social, auto-regulação, competências relacionais e tomada de decisão responsável. Além disso, inclui igualmente conteúdos multiculturais, com o objectivo de tornar a intervenção sensível à crescente diversidade cultural das escolas. A primeira fase da investigação envolveu o planeamento e a construção do programa. Um primeiro estudo empírico foi realizado, integrando um estudo de caso de uma escola portuguesa dos 2º e 3º ciclos do ensino básico. Este estudo inicial envolveu a realização de entrevistas a representantes escolares (N= 2) e de grupos focais (N= 22) e questionários de auto-relato (N= 21) a alunos, bem como um workshop com um grupo de alunos, o qual foi avaliado através de questionários de auto-relato (N=6). O estudo incluiu ainda a avaliação da qualidade de construção do programa por parte de um painel de especialistas (N= 3). Os resultados deste primeiro estudo indicaram (a) a existência de necessidades sócio-emocionais nos alunos nos cinco principais domínios da Aprendizagem Sócio-Emocional; (b) uma elevada receptividade dos alunos relativamente ao tipo de actividades e de conteúdos do programa; (c) uma elevada qualidade de construção do programa. A primeira fase da investigação integrou ainda outros dois estudos empíricos, relativos à análise de propriedades psicométricas de duas medidas de avaliação da eficácia do programa. Os principais resultados do segundo estudo empírico, incidindo na avaliação de uma medida no âmbito da tomada de decisão responsável, a medida de Negociação Interpessoal do Relationship Questionnaire, numa amostra de alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico português (N= 197), indicaram adequadas propriedades psicométricas. Quanto ao terceiro estudo empírico, focalizado nas escalas do Mental Health Continuum - Short-Form, realizado com uma amostra de alunos do 1º ciclo do ensino básico português (N= 208) e com uma amostra de alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico português (N= 216), os principais resultados sugerem que esta é uma medida adequada para avaliar o bem-estar subjectivo. A segunda fase da presente investigação consistiu na avaliação da eficácia e da qualidade de implementação do programa, mediante a realização de dois estudos empíricos. O estudo sobre a avaliação da eficácia do programa foi realizado em três escolas portuguesas com alunos dos 2º e 3º ciclos do ensino básico. O desenho da avaliação envolveu grupos de alunos que participaram no programa (N= 45) e grupos de controlo (N= 38), constituídos por alunos que participaram noutro tipo de actividades extra-curriculares, com a mesma duração e frequência que o programa. Os efeitos foram medidos com base em questionários preenchidos pelos alunos (N= 83) e pelos seus Directores de Turma, no início e no final da intervenção, para avaliar os cinco principais domínios da Aprendizagem Sócio-Emocional, o bem-estar subjectivo e o envolvimento na escolaridade. Os principais resultados deste estudo revelaram que os alunos que participaram no programa aumentaram significativamente as suas competências sócio-emocionais de auto-regulação e relacionais, comparativamente com os alunos da condição de controlo. Relativamente ao bem-estar subjectivo e ao envolvimento na escolaridade, não foram encontradas diferenças significativas entre ambos os grupos. O último estudo empírico, referente à avaliação da qualidade de implementação do programa, envolveu instrumentos de medida da receptividade dos alunos (N= 98) e da fiabilidade da implementação. Os principais resultados deste último estudo indicaram (a) uma elevada receptividade dos alunos face ao programa; (b) uma adequada fiabilidade do programa; (c) um efeito preditor da receptividade dos alunos nos efeitos do programa. Em conclusão, é possível afirmar que o programa Viver as Emoções assume relevância social e elevada validade, além de ter sido eficaz no desenvolvimento de competências sócio-emocionais de auto-regulação e relacionais e de ter revelado uma elevada receptividade por parte dos alunos. Deste modo, o programa oferece um conjunto de importantes implicações, tanto para o conhecimento científico, como para a prática psicológica em contexto escolar.