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Avaliação da imunidade na doença hemorrágica viral e mixomatose em coelho bravo em Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O coelho bravo (Oryctolagus cuniculus) foi classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza como uma espécie em perigo de extinção, devido a >50% de redução da população durante a última década. Os vírus da Mixomatose (MYXV) e da Doença Hemorrágica do coelho (RHDV) são importantes causas do declínio observado nas populações desta espécie chave, no entanto, a sua epidemiologia não é, ainda, totalmente conhecida, sobretudo em relação à variante emergente do RHDV, GI.2. O papel do Médico Veterinário neste contexto, passa por desvendar a epidemiologia de ambos os agentes virais no coelho bravo e o presente estudo pretende contribuir de alguma forma para esse objetivo. Foi realizada uma análise sorológica semi-quantitativa longitudinal ao longo de 2 anos em duas populações portuguesas (Lezírias e Noudar) de O. c. algirus, num contexto de captura-marcação-recaptura. Os coelhos capturados foram identificados com um microchip subcutâneo. A informação relativa ao sexo, peso e comprimento da orelha foi registada e o índice de massa escalonado foi calculado como estimativa da condição corporal. Os 189 resultados de ELISA para anticorpos anti-MYXV e anti-GI.2 foram analisados através de modelos mistos lineares generalizados. No modelo da Doença Hemorrágica Viral (DHV) do coelho (R2=0,97), a relação quadrática da condição corporal (P<0,05) revelou picos de resultados de ELISA correspondentes a valores intermédios da variável independente. O local foi significativo no modelo da Mixomatose (R2=0,96), com maior seroprevalência nas Lezírias (P<0,05). Para a DHV, os valores de ELISA foram superiores em Noudar, entre os resultados seropositivos (P<0,001). O peso foi uma variável significativa para ambos os modelos. Foram encontradas evidências de anticorpos maternais em coelhos juvenis até aos 2 meses de idade. Os resultados seropositivos surgem a partir dos 5 meses de idade. Os valores preditos revelaram uma relação positiva entre os resultados ELISA e o tempo após a primeira captura. Identificou-se uma dinâmica sazonal de anticorpos significativa para o modelo da DHV. Os valores de ELISA mais altos foram observados em março, associado aos meses mais frios da época reprodutiva. A seroprevalência da amostra foi 30,2% e 57,7% para a DHV e Mixomatose. Os dados serológicos semi-quantitativos contêm informação epidemiológica, omitida nos resultados convertidos em seropositivo ou seronegativo. A sorologia semi-quantitativa suporta uma imunidade maternal passiva contra o MYXV e GI.2. A imunidade adquirida após uma infeção natural, é provavelmente duradoura. Estes dados são uma novidade sobretudo para a nova variante da DHV e para a subespécie O. c. algirus.
Autores principais:Coelho, Joana Magalhães Feijóo Prata
Assunto:Captura-marcação-recaptura Enzyme linked immunosorbent assay Variante GI.2 Estudo longitudinal Oryctolagus cuniculus algirus Capture-mark-recapture Enzyme linked immunosorbent assay GI.2 variant Longitudinal study Oryctolagus cuniculus algirus
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O coelho bravo (Oryctolagus cuniculus) foi classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza como uma espécie em perigo de extinção, devido a >50% de redução da população durante a última década. Os vírus da Mixomatose (MYXV) e da Doença Hemorrágica do coelho (RHDV) são importantes causas do declínio observado nas populações desta espécie chave, no entanto, a sua epidemiologia não é, ainda, totalmente conhecida, sobretudo em relação à variante emergente do RHDV, GI.2. O papel do Médico Veterinário neste contexto, passa por desvendar a epidemiologia de ambos os agentes virais no coelho bravo e o presente estudo pretende contribuir de alguma forma para esse objetivo. Foi realizada uma análise sorológica semi-quantitativa longitudinal ao longo de 2 anos em duas populações portuguesas (Lezírias e Noudar) de O. c. algirus, num contexto de captura-marcação-recaptura. Os coelhos capturados foram identificados com um microchip subcutâneo. A informação relativa ao sexo, peso e comprimento da orelha foi registada e o índice de massa escalonado foi calculado como estimativa da condição corporal. Os 189 resultados de ELISA para anticorpos anti-MYXV e anti-GI.2 foram analisados através de modelos mistos lineares generalizados. No modelo da Doença Hemorrágica Viral (DHV) do coelho (R2=0,97), a relação quadrática da condição corporal (P<0,05) revelou picos de resultados de ELISA correspondentes a valores intermédios da variável independente. O local foi significativo no modelo da Mixomatose (R2=0,96), com maior seroprevalência nas Lezírias (P<0,05). Para a DHV, os valores de ELISA foram superiores em Noudar, entre os resultados seropositivos (P<0,001). O peso foi uma variável significativa para ambos os modelos. Foram encontradas evidências de anticorpos maternais em coelhos juvenis até aos 2 meses de idade. Os resultados seropositivos surgem a partir dos 5 meses de idade. Os valores preditos revelaram uma relação positiva entre os resultados ELISA e o tempo após a primeira captura. Identificou-se uma dinâmica sazonal de anticorpos significativa para o modelo da DHV. Os valores de ELISA mais altos foram observados em março, associado aos meses mais frios da época reprodutiva. A seroprevalência da amostra foi 30,2% e 57,7% para a DHV e Mixomatose. Os dados serológicos semi-quantitativos contêm informação epidemiológica, omitida nos resultados convertidos em seropositivo ou seronegativo. A sorologia semi-quantitativa suporta uma imunidade maternal passiva contra o MYXV e GI.2. A imunidade adquirida após uma infeção natural, é provavelmente duradoura. Estes dados são uma novidade sobretudo para a nova variante da DHV e para a subespécie O. c. algirus.