Publicação
Espiritualidade em cuidados paliativos : estados espirituais da família após a perda de um ente querido : perspectivas para o serviço social
| Resumo: | A espiritualidade é comummente associada à procura de sentido e verdade, encontro com a transcendência e sagrado. Este conceito envolve práticas observáveis, mas foca num nível experiencial relacionado com aspetos imateriais como o amor, o bem-estar e paz. Assim, o conceito de espiritualidade é difícil de definir, porque envolve aspetos que transcendem as palavras e a medição, não sendo contudo esta característica suficiente para justificar que a espiritualidade não seja objeto de investigação. O estudo sobre a espiritualidade após a perda de um ente querido, está intimamente ligado a um contexto e acontecimento de perda de uma referência significativa - cônjuge, figura parental ou filial dentro da dinâmica familiar -, cujo equilíbrio, face ao acontecimento inexorável da morte é normalmente muito abalado. Esta experiência desperta sentimentos de ambivalência, associados à perda da pessoa de referência e simultaneamente à necessidade da sua presença ainda que noutra forma de existência. Experienciam-se sentimentos díspares: intenções de dor e sofrimento espiritual, mas também de aceitação e de renascimento após a experiência da dor total e sofrimento espiritual, que se traduzem em sentimentos de angústia, solidão, incerteza, contribuindo para a reflexão e vivência do significado da espiritualidade e relação pessoal com a mesma. Esta energia dinâmica dos opostos pode conduzir a diferentes caminhos de busca de sentido, de transcendência e aprofundamento da espiritualidade, bem como ao desenvolvimento no relacionamento consigo e com o mundo. Neste processo tão complexo, o Assistente Social pela especificidade da sua actuação em que simultaneamente tem como clientes o doente e família, com formação específica poderá ver perspetivado um novo caminho profissional, no âmbito do apoio das necessidades espirituais da família. No estudo empírico desenvolvido adotou-se uma metodologia qualitativa, tendo por base a realização de entrevistas, a análise de conteúdo e a análise fenomenológica. Na análise qualitativa desenvolvida não se encontrou evidência de uma noção clara de espiritualidade entre os participantes deste estudo, nem se encontraram indícios de uma representação clara do que são necessidades espirituais, ou a identificação dos profissionais a quem apresentá-las. A família continua, no essencial, a contar com a família para apoiar-se espiritualmente. |
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| Autores principais: | Colimão, Maria do Carmo de Sandes de Oliveira, 1969- |
| Assunto: | Espiritualidade Estados espirituais Perda Necessidades Família |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A espiritualidade é comummente associada à procura de sentido e verdade, encontro com a transcendência e sagrado. Este conceito envolve práticas observáveis, mas foca num nível experiencial relacionado com aspetos imateriais como o amor, o bem-estar e paz. Assim, o conceito de espiritualidade é difícil de definir, porque envolve aspetos que transcendem as palavras e a medição, não sendo contudo esta característica suficiente para justificar que a espiritualidade não seja objeto de investigação. O estudo sobre a espiritualidade após a perda de um ente querido, está intimamente ligado a um contexto e acontecimento de perda de uma referência significativa - cônjuge, figura parental ou filial dentro da dinâmica familiar -, cujo equilíbrio, face ao acontecimento inexorável da morte é normalmente muito abalado. Esta experiência desperta sentimentos de ambivalência, associados à perda da pessoa de referência e simultaneamente à necessidade da sua presença ainda que noutra forma de existência. Experienciam-se sentimentos díspares: intenções de dor e sofrimento espiritual, mas também de aceitação e de renascimento após a experiência da dor total e sofrimento espiritual, que se traduzem em sentimentos de angústia, solidão, incerteza, contribuindo para a reflexão e vivência do significado da espiritualidade e relação pessoal com a mesma. Esta energia dinâmica dos opostos pode conduzir a diferentes caminhos de busca de sentido, de transcendência e aprofundamento da espiritualidade, bem como ao desenvolvimento no relacionamento consigo e com o mundo. Neste processo tão complexo, o Assistente Social pela especificidade da sua actuação em que simultaneamente tem como clientes o doente e família, com formação específica poderá ver perspetivado um novo caminho profissional, no âmbito do apoio das necessidades espirituais da família. No estudo empírico desenvolvido adotou-se uma metodologia qualitativa, tendo por base a realização de entrevistas, a análise de conteúdo e a análise fenomenológica. Na análise qualitativa desenvolvida não se encontrou evidência de uma noção clara de espiritualidade entre os participantes deste estudo, nem se encontraram indícios de uma representação clara do que são necessidades espirituais, ou a identificação dos profissionais a quem apresentá-las. A família continua, no essencial, a contar com a família para apoiar-se espiritualmente. |
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