Publicação
A relação pedagógica na Universidade : "ser-se caloiro"
| Resumo: | O trabalho que aqui se apresenta, inscreve-se no âmbito do estudo da relação pedagógica, assumindo-se como um contributo e uma oportunidade de pesquisa, numa área tão pouco explorada em Portugal, como é a da relação pedagógica no ensino superior universitário, particularmente no que se refere ao primeiro ano de estudos. Ao longo da nossa extensa trajectória como discente universitário, tivemos a oportunidade de, em três momentos distintos (ou quatro, se considerarmos o presente Curso de Mestrado) vivermos uma das experiências mais marcantes de qualquer aluno universitário: ser-se caloiro. Este conjunto de momentos inesquecíveis - e muitas vezes dolorosos - que vivemos como caloiro, enquanto aluno de diversos cursos de licenciatura do ensino superior universitário, foram intensamente evocados, aquando da nossa frequência das primeiras aulas deste Curso de Mestrado. Se estas recordações ficaram, subitamente, no nosso quotidiano, fruto de um processo de alunizaçâo que vivemos pela quarta vez, por outro lado, a nossa assistência às aulas da disciplina de Análise da Relação Pedagógica, leccionadas pela Professora Doutora Maria Teresa Estrela, despertaram em nós, uma vontade intensa de podermos contribuir de alguma forma, para tomar menos dolorosos, os momentos iniciais da experiência universitária, da esmagadora maioria dos alunos universitários. Sabemos bem, porque o vivemos pessoalmente, o que são esses primeiros dias, essas semanas iniciais, esses meses que não acabam, o ano que se passou de forma tão angustiante...Ao entrar para a Universidade, o aluno inicia uma nova dimensão da sua vida. De forma muitas vezes repentina, a sua realidade muda completamente. Uma nova e desconhecida instituição, novos professores, novos colegas, novos processos de ensino e de aprendizagem, novas exigências, novas responsabilidades, novas rotinas e, muitas vezes, longe da família, dos amigos de sempre, numa nova terra. São todos estes factores que irão, eventualmente, condicionar a capacidade relacionai do aluno. Se, em outros níveis de ensino, o estudo da relação pedagógica tem conhecido apreciáveis contributos, ao nível universitário, esta problemática encontra-se pouco explorada, sendo, em Portugal, um tema praticamente inexistente. Assim sendo, o estudo que aqui apresentamos, poderá, eventualmente, assumir dois propósitos concomitantes: contribuir para o estudo de um objecto de investigação, ao mesmo tempo que, pelo facto de o estudar, o ajuda a nascer. Ao delimitarmos o nosso campo de acção ao estudo da relação pedagógica no primeiro ano de Universidade, optámos por circunscrever o objecto de investigação à relação pedagógica, tal como ela é verbalizada pelos alunos. Para tal, elegemos como metodologia, a abordagem (auto) biográfica, a qual se concretizou na realização de entrevistas semi-directivas. A análise, que se sucedeu, baseou-se não só na estrutura referente que existia, como também nas opiniões que, livremente, os alunos foram entusiástica e generosamente expressando. Não podendo basear-se exclusivamente nas opiniões discentes, a definição, caracterização e compreensão de um sistema relacionai, é, no entanto, algo que não se conseguirá nunca à revelia dos alunos.Dado que exercemos a nossa actividade profissional na Universidade de Évora, delimitámos geograficamente o âmbito do nosso trabalho a este estabelecimento de ensino, facto que se tornava indispensável para conciliarmos, de forma adequada, as duas valências da nossa actividade profissional: lectiva e de investigação. O estudo, que se apresenta seguidamente, é composto por três partes fundamentais. Na primeira, propomos enquadrar teoricamente o objecto de estudo, balizando a própria trajectória investigativa. Na segunda parte, é descrita a investigação efectuada, apresentando-se os resultados obtidos. Na terceira e última parte, são apresentadas as conclusões que se nos ofereceram retirar do estudo efectuado, bem como sugeridas algumas propostas de futuras investigações que resultaram da génese de outras tantas interrogações. Como principais limitações deste estudo, referiremos as que resultam do facto de, também em questões de investigação, nos considerarmos caloiro, bem como aquelas que decorrem, naturalmente, da realidade subjectiva dos alunos com quem tivemos o privilégio de trabalhar. No entanto...são alunos reais, vivendo uma situação real, num determinado momento das suas vidas. Foi a sua realidade que nós quisemos conhecer. (...) |
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| Autores principais: | Nico, José Bravo |
| Assunto: | Teses de mestrado - 1995 Processos e estruturas educativas Relações professor-aluno Desenvolvimento individual Universidades Alunos |
| Ano: | 1995 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O trabalho que aqui se apresenta, inscreve-se no âmbito do estudo da relação pedagógica, assumindo-se como um contributo e uma oportunidade de pesquisa, numa área tão pouco explorada em Portugal, como é a da relação pedagógica no ensino superior universitário, particularmente no que se refere ao primeiro ano de estudos. Ao longo da nossa extensa trajectória como discente universitário, tivemos a oportunidade de, em três momentos distintos (ou quatro, se considerarmos o presente Curso de Mestrado) vivermos uma das experiências mais marcantes de qualquer aluno universitário: ser-se caloiro. Este conjunto de momentos inesquecíveis - e muitas vezes dolorosos - que vivemos como caloiro, enquanto aluno de diversos cursos de licenciatura do ensino superior universitário, foram intensamente evocados, aquando da nossa frequência das primeiras aulas deste Curso de Mestrado. Se estas recordações ficaram, subitamente, no nosso quotidiano, fruto de um processo de alunizaçâo que vivemos pela quarta vez, por outro lado, a nossa assistência às aulas da disciplina de Análise da Relação Pedagógica, leccionadas pela Professora Doutora Maria Teresa Estrela, despertaram em nós, uma vontade intensa de podermos contribuir de alguma forma, para tomar menos dolorosos, os momentos iniciais da experiência universitária, da esmagadora maioria dos alunos universitários. Sabemos bem, porque o vivemos pessoalmente, o que são esses primeiros dias, essas semanas iniciais, esses meses que não acabam, o ano que se passou de forma tão angustiante...Ao entrar para a Universidade, o aluno inicia uma nova dimensão da sua vida. De forma muitas vezes repentina, a sua realidade muda completamente. Uma nova e desconhecida instituição, novos professores, novos colegas, novos processos de ensino e de aprendizagem, novas exigências, novas responsabilidades, novas rotinas e, muitas vezes, longe da família, dos amigos de sempre, numa nova terra. São todos estes factores que irão, eventualmente, condicionar a capacidade relacionai do aluno. Se, em outros níveis de ensino, o estudo da relação pedagógica tem conhecido apreciáveis contributos, ao nível universitário, esta problemática encontra-se pouco explorada, sendo, em Portugal, um tema praticamente inexistente. Assim sendo, o estudo que aqui apresentamos, poderá, eventualmente, assumir dois propósitos concomitantes: contribuir para o estudo de um objecto de investigação, ao mesmo tempo que, pelo facto de o estudar, o ajuda a nascer. Ao delimitarmos o nosso campo de acção ao estudo da relação pedagógica no primeiro ano de Universidade, optámos por circunscrever o objecto de investigação à relação pedagógica, tal como ela é verbalizada pelos alunos. Para tal, elegemos como metodologia, a abordagem (auto) biográfica, a qual se concretizou na realização de entrevistas semi-directivas. A análise, que se sucedeu, baseou-se não só na estrutura referente que existia, como também nas opiniões que, livremente, os alunos foram entusiástica e generosamente expressando. Não podendo basear-se exclusivamente nas opiniões discentes, a definição, caracterização e compreensão de um sistema relacionai, é, no entanto, algo que não se conseguirá nunca à revelia dos alunos.Dado que exercemos a nossa actividade profissional na Universidade de Évora, delimitámos geograficamente o âmbito do nosso trabalho a este estabelecimento de ensino, facto que se tornava indispensável para conciliarmos, de forma adequada, as duas valências da nossa actividade profissional: lectiva e de investigação. O estudo, que se apresenta seguidamente, é composto por três partes fundamentais. Na primeira, propomos enquadrar teoricamente o objecto de estudo, balizando a própria trajectória investigativa. Na segunda parte, é descrita a investigação efectuada, apresentando-se os resultados obtidos. Na terceira e última parte, são apresentadas as conclusões que se nos ofereceram retirar do estudo efectuado, bem como sugeridas algumas propostas de futuras investigações que resultaram da génese de outras tantas interrogações. Como principais limitações deste estudo, referiremos as que resultam do facto de, também em questões de investigação, nos considerarmos caloiro, bem como aquelas que decorrem, naturalmente, da realidade subjectiva dos alunos com quem tivemos o privilégio de trabalhar. No entanto...são alunos reais, vivendo uma situação real, num determinado momento das suas vidas. Foi a sua realidade que nós quisemos conhecer. (...) |
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