Publicação
O processo de metamorfose da mulher acima dos trinta e cinco anos em mãe : uma teoria específica da situação
| Resumo: | A ocorrência da maternidade depois dos 35 anos é uma tendência que se tem vindo a observar nos países desenvolvidos, incluindo Portugal. Ser mãe neste extremo da vida reprodutiva implica riscos para a saúde, porque os órgãos em geral, e principalmente os reprodutores, encontram-se numa fase de declínio das suas funções. Contudo, uma maior maturidade psicológica associada a melhores condições sociais e de saúde, podem determinar resultados favoráveis. Este estudo pretende responder à questão de investigação “Como se desenvolve o processo de transição para a maternidade depois dos 35 anos?”. Tendo como finalidade “Compreender o processo de transição das mulheres em situação de maternidade depois dos 35 anos”, procurámos identificar os momentos-chave experienciado pelas mães depois dos 35 anos, as facilidades, dificuldades, estratégias, intervenções facilitadoras e os resultados da transição para o papel maternal. Afaf Meleis (2010) e Ramona Mercer (2004) foram as autoras que suportaram teoricamente o estudo. Como referencial metodológico recorremos à perspetiva construcionista da Grounded Theory de Kathy Charmaz (2014). Para a recolha de dados utilizámos a entrevista semiestruturada, o método Photovoice e a notas de campo. Para a seleção das participantes, na amostragem inicial definimos critérios de inclusão, sendo posteriormente utilizada a amostragem teórica. Na análise dos dados foi utilizado o método das comparações constantes na codificação inicial, focalizada e teórica. Foram realizadas 26 entrevistas a 21 participantes, no hospital ou no domicílio das mulheres, com duração variável entre 30 a 120 minutos e recolhidas 35 fotografias de 6 participantes. Os resultados permitiram a construção de um modelo compreensivo da experiência de transição para a maternidade depois dos 35 anos, designado “Metamorfose em Mãe”, como um processo que integra as seguintes categorias: “Consciencializando o desejo de ser mãe”, “Escolhendo o momento certo”, “Confrontandose com o lado obscuro”, “Cuidando de si” e “Ser outra”. Estas categorias foram-se desenrolando a par e passo com as fases do processo de transição, nomeadamente: surgimento do evento crítico, reestruturação de objetivos, consciencialização da vulnerabilidade associada à transição, recuperação através do reequilíbrio e compensação, reestruturação de comportamentos e responsabilidades e incorporação da identidade. Concomitantemente, a identidade das participantes foi sofrendo alterações ao longo do processo de transição, às quais denominámos de identidade questionada, identidade planeada, identidade ameaçada, identidade (re valorizada, identidade aceite e identidade incorporada. As transformações nestas identidades surgiram da antecipação do papel materno, da constatação da insuficiência do papel, da necessidade de suplementação e de clarificação do papel. Dos resultados salientamos as dificuldades experienciadas pelas mães por volta do 2º mês, que desocultaram um lado obscuro da maternidade, desconhecido das mães e ocultado pelas mulheres e, a necessidade de cuidarem de si para ultrapassarem essas dificuldades. As repercussões desta compreensão são discutidas ao nível da prática, da investigação e da docência. |
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| Autores principais: | Santos, Maria Anabela Ferreira dos, 1958- |
| Assunto: | Teses de doutoramento - 2018 Maternidade tardia Enfermagem |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A ocorrência da maternidade depois dos 35 anos é uma tendência que se tem vindo a observar nos países desenvolvidos, incluindo Portugal. Ser mãe neste extremo da vida reprodutiva implica riscos para a saúde, porque os órgãos em geral, e principalmente os reprodutores, encontram-se numa fase de declínio das suas funções. Contudo, uma maior maturidade psicológica associada a melhores condições sociais e de saúde, podem determinar resultados favoráveis. Este estudo pretende responder à questão de investigação “Como se desenvolve o processo de transição para a maternidade depois dos 35 anos?”. Tendo como finalidade “Compreender o processo de transição das mulheres em situação de maternidade depois dos 35 anos”, procurámos identificar os momentos-chave experienciado pelas mães depois dos 35 anos, as facilidades, dificuldades, estratégias, intervenções facilitadoras e os resultados da transição para o papel maternal. Afaf Meleis (2010) e Ramona Mercer (2004) foram as autoras que suportaram teoricamente o estudo. Como referencial metodológico recorremos à perspetiva construcionista da Grounded Theory de Kathy Charmaz (2014). Para a recolha de dados utilizámos a entrevista semiestruturada, o método Photovoice e a notas de campo. Para a seleção das participantes, na amostragem inicial definimos critérios de inclusão, sendo posteriormente utilizada a amostragem teórica. Na análise dos dados foi utilizado o método das comparações constantes na codificação inicial, focalizada e teórica. Foram realizadas 26 entrevistas a 21 participantes, no hospital ou no domicílio das mulheres, com duração variável entre 30 a 120 minutos e recolhidas 35 fotografias de 6 participantes. Os resultados permitiram a construção de um modelo compreensivo da experiência de transição para a maternidade depois dos 35 anos, designado “Metamorfose em Mãe”, como um processo que integra as seguintes categorias: “Consciencializando o desejo de ser mãe”, “Escolhendo o momento certo”, “Confrontandose com o lado obscuro”, “Cuidando de si” e “Ser outra”. Estas categorias foram-se desenrolando a par e passo com as fases do processo de transição, nomeadamente: surgimento do evento crítico, reestruturação de objetivos, consciencialização da vulnerabilidade associada à transição, recuperação através do reequilíbrio e compensação, reestruturação de comportamentos e responsabilidades e incorporação da identidade. Concomitantemente, a identidade das participantes foi sofrendo alterações ao longo do processo de transição, às quais denominámos de identidade questionada, identidade planeada, identidade ameaçada, identidade (re valorizada, identidade aceite e identidade incorporada. As transformações nestas identidades surgiram da antecipação do papel materno, da constatação da insuficiência do papel, da necessidade de suplementação e de clarificação do papel. Dos resultados salientamos as dificuldades experienciadas pelas mães por volta do 2º mês, que desocultaram um lado obscuro da maternidade, desconhecido das mães e ocultado pelas mulheres e, a necessidade de cuidarem de si para ultrapassarem essas dificuldades. As repercussões desta compreensão são discutidas ao nível da prática, da investigação e da docência. |
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