Publicação
Imunoterapia na artrite reumatóide em Portugal : avanços terapêuticos, riscos e benefícios
| Resumo: | A AR é uma doença inflamatória crónica, de causa desconhecida, abrange geralmente as articulações, podendo afectar qualquer órgão provocando as mais diversas manifestações clínicas. Neste tipo de patologia há uma desregulação do sistema imunitário, constituindo fonte de dor e incapacidade que pode ser temporária ou definitiva, apresentando graves repercussões a nível de Saúde Pública, a nível económico e social. A presente dissertação, pretende abordar de forma concisa as diversas formas de tratamento desta patologia com especial enfoque na utilização da Imunoterapia. Tem sido demonstrado que os DMARDs reduzem a actividade da doença, retardando a sua progressão, reduzindo a taxa de novas erosões articulares e melhorando a qualidade de vida. No entanto, a maioria dos doentes sentem apenas benefícios parciais com os DMARDs “tradicionais” e muitos não toleram o uso destes fármacos a longo prazo. Embora uma oportunidade única para intervenção possa existir no início do curso da doença, acredita-se que os DMARDs devam ser introduzidos em todas as fases da doença, mesmo em fases posteriores, com o objectivo claro na redução de sinais e sintomas, melhoria da função articular e progressão estrutural da doença. Durante os últimos anos, verificou-se um grande progresso no conhecimento da imunopatogénese das diferentes doenças inflamatórias. O avanço da Biotecnologia, novas técnicas de Biologia Molecular e Imunopatologia permitiu o desenvolvimento de agentes biológicos, conhecimento dos mecanismos específicos da patologia, levando à produção de moléculas (ex. proteínas altamente purificadas) capazes de estimular o sistema imunitário de modo a criar uma resposta imunitária capaz de retardar ou eliminar a progressão da doença. Em consequência, observámos a expansão de novas opções terapêuticas na AR com o desenvolvimento de terapias direccionadas especificamente para factores determinantes da inflamação, os medicamentos biológicos. A eficácia e segurança dos agentes biológicos e a janela de oportunidade que estes agentes terapêuticos proporcionam não invalindam no entanto a constante monitorização de efeitos adversos e ocorrências imprevistas. As diferenças entre agentes biológicos requerem per si pesquisa considerável, considerando diferentes populações, estadios da doença e melhoria da adequação para um ou outro agente em monoterapia ou em combinação com outros agentes terapêuticos. De futuro, são expectáveis melhorias nas abordagens combinadas, incluindo combinações de diferentes agentes biológicos. Até à data, as abordagens biológicas combinadas conduziram a um maior risco de infecção, no entanto,atingindo os alvos corretos ou adequando as doses administradas, esse risco aumentado poderá ser superado (1). O crescente número de dados dá credibilidade à crença de que o diagnóstico e início do tratamento precoce na AR são necessários para maximizar os benefícios a curto e longo prazo para o doente, proporcionando uma janela de oportunidade para uma modificação de fundo no curso da doença. Além da crescente ênfase na intervenção precoce, actualmente em Reumatologia preconiza-se um esforço continuo na melhoria das taxas de resposta global em doentes actuais e expansão da intervenção em populações não tratadas. O objectivo a longo prazo da intervenção terapêutica é atingir a remissão da doença (2). Tecnologias emergentes para a quantificação de auto-anticorpos e confirmação de sua utilidade clínica indicam e expandem o papel de marcadores sorológicos no diagnóstico da AR. O valor de diagnóstico predictivo do anti-CCP combinado com isoformas do FR sugere que a AR pode potencialmente ser identificada com base na sorologia. Considerando que esses auto-anticorpos estão presentes em indivíduos em fases anteriores ao desenvolvimento da doença, isso sugere um papel causal na patogênese da AR. A detecção de auto-anticorpos específicos pode assegurar a chave para o diagnóstico muito precoce da AR e assim a intervenção terapêutica pode ser instituída antes do desenvolvimento de erosões substanciais nas articulações. Já são claros os benefícios da terapia iniciada no período que antecede as manifestações clínicas da doença, uma vez que a detecção precoce da AR e a intervenção terapêutica são elementos chave na prevenção de danos nas articulações, inclusive nos doentes que apresentam FR negativo. Neste contexto, a especificidade dos anticorpos anti-CCP para o diagnóstico da AR, inclusive nos estadios inicias da doença e como marcador sorológico, aliado ao FR e PCR, constitui uma ferramenta útil como indicador de resposta a tratamento instituído no seguimento farmacoterapêutico de doentes com AR em combinação com dados clínicos nos diversos períodos de desenvolvimento da doença. |
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| Autores principais: | Repolho, Marta Batista da Rosa |
| Assunto: | Imunoterapia Artrite Reumatóide Agentes Biológicos Teses de mestrado - 2013 |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A AR é uma doença inflamatória crónica, de causa desconhecida, abrange geralmente as articulações, podendo afectar qualquer órgão provocando as mais diversas manifestações clínicas. Neste tipo de patologia há uma desregulação do sistema imunitário, constituindo fonte de dor e incapacidade que pode ser temporária ou definitiva, apresentando graves repercussões a nível de Saúde Pública, a nível económico e social. A presente dissertação, pretende abordar de forma concisa as diversas formas de tratamento desta patologia com especial enfoque na utilização da Imunoterapia. Tem sido demonstrado que os DMARDs reduzem a actividade da doença, retardando a sua progressão, reduzindo a taxa de novas erosões articulares e melhorando a qualidade de vida. No entanto, a maioria dos doentes sentem apenas benefícios parciais com os DMARDs “tradicionais” e muitos não toleram o uso destes fármacos a longo prazo. Embora uma oportunidade única para intervenção possa existir no início do curso da doença, acredita-se que os DMARDs devam ser introduzidos em todas as fases da doença, mesmo em fases posteriores, com o objectivo claro na redução de sinais e sintomas, melhoria da função articular e progressão estrutural da doença. Durante os últimos anos, verificou-se um grande progresso no conhecimento da imunopatogénese das diferentes doenças inflamatórias. O avanço da Biotecnologia, novas técnicas de Biologia Molecular e Imunopatologia permitiu o desenvolvimento de agentes biológicos, conhecimento dos mecanismos específicos da patologia, levando à produção de moléculas (ex. proteínas altamente purificadas) capazes de estimular o sistema imunitário de modo a criar uma resposta imunitária capaz de retardar ou eliminar a progressão da doença. Em consequência, observámos a expansão de novas opções terapêuticas na AR com o desenvolvimento de terapias direccionadas especificamente para factores determinantes da inflamação, os medicamentos biológicos. A eficácia e segurança dos agentes biológicos e a janela de oportunidade que estes agentes terapêuticos proporcionam não invalindam no entanto a constante monitorização de efeitos adversos e ocorrências imprevistas. As diferenças entre agentes biológicos requerem per si pesquisa considerável, considerando diferentes populações, estadios da doença e melhoria da adequação para um ou outro agente em monoterapia ou em combinação com outros agentes terapêuticos. De futuro, são expectáveis melhorias nas abordagens combinadas, incluindo combinações de diferentes agentes biológicos. Até à data, as abordagens biológicas combinadas conduziram a um maior risco de infecção, no entanto,atingindo os alvos corretos ou adequando as doses administradas, esse risco aumentado poderá ser superado (1). O crescente número de dados dá credibilidade à crença de que o diagnóstico e início do tratamento precoce na AR são necessários para maximizar os benefícios a curto e longo prazo para o doente, proporcionando uma janela de oportunidade para uma modificação de fundo no curso da doença. Além da crescente ênfase na intervenção precoce, actualmente em Reumatologia preconiza-se um esforço continuo na melhoria das taxas de resposta global em doentes actuais e expansão da intervenção em populações não tratadas. O objectivo a longo prazo da intervenção terapêutica é atingir a remissão da doença (2). Tecnologias emergentes para a quantificação de auto-anticorpos e confirmação de sua utilidade clínica indicam e expandem o papel de marcadores sorológicos no diagnóstico da AR. O valor de diagnóstico predictivo do anti-CCP combinado com isoformas do FR sugere que a AR pode potencialmente ser identificada com base na sorologia. Considerando que esses auto-anticorpos estão presentes em indivíduos em fases anteriores ao desenvolvimento da doença, isso sugere um papel causal na patogênese da AR. A detecção de auto-anticorpos específicos pode assegurar a chave para o diagnóstico muito precoce da AR e assim a intervenção terapêutica pode ser instituída antes do desenvolvimento de erosões substanciais nas articulações. Já são claros os benefícios da terapia iniciada no período que antecede as manifestações clínicas da doença, uma vez que a detecção precoce da AR e a intervenção terapêutica são elementos chave na prevenção de danos nas articulações, inclusive nos doentes que apresentam FR negativo. Neste contexto, a especificidade dos anticorpos anti-CCP para o diagnóstico da AR, inclusive nos estadios inicias da doença e como marcador sorológico, aliado ao FR e PCR, constitui uma ferramenta útil como indicador de resposta a tratamento instituído no seguimento farmacoterapêutico de doentes com AR em combinação com dados clínicos nos diversos períodos de desenvolvimento da doença. |
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