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Cultura Estratégica Chinesa e Sua Operacionalização no Mar

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Resumo:Esta investigação assentou na moldura conceptual de cultura estratégica para entender de que modo a China tem incorporado o poder marítimo na prossecução da sua política externa. Visando alcançar a consecução desse objetivo, aplicou-se a metodologia multicase study (ou multiple-case study) em uma abordagem que conjugou a análise da cultura estratégica chinesa com as bases teóricas da Geopolítica em um panorama geohistórico. O cruzamento de matrizes teórico-conceptuais, dirigido pela metodologia de multicase study/multiple-case study, possibilitou traçar um estudo pormenorizado que identificou algumas tendências geohistóricas da relação operacional da cultura estratégica chinesa com o elemento marítimo. A análise geohistórica permitiu compreender que apesar das orientações geográficas da cultura estratégica chinesa serem marcadas por uma regularidade continental, elas expressam-se em diferentes vertentes consoante os constrangimentos e as oportunidades apresentados pelos ambientes externo e interno. Por conseguinte, o crescimento marítimo da República Popular da China e as ambições globais consagradas na Maritime Silk Road são manifestações de uma cultura estratégica emergente voltada para a defesa ativa e para o realismo, assente em interesses estratégicos tangíveis, como a necessidade de desenvolvimento, proteção e segurança das linhas globais de comunicação marítima, o comércio, e a diversificação das opções estratégicas. Essa cultura estratégica nascente foi moldada por um ambiente externo em que as ameaças regionais externas às fronteiras terrestres da China diminuíram consideravelmente após a queda da União Soviética, e os centros económicos e produtivos foram deslocados para a costa marítima. Semelhantemente, as reformas promovidas por Deng Xiaoping impulsionaram a emergência dessa cultura estratégica em desenvolvimento. Entretanto, embora as evidências apontem para uma tendência de crescente construção e adoção do poder marítimo por parte da China nos âmbitos económico, militar e científico, há dados que indicam o sentido contrário, revelando que uma fração significativa dos recursos estratégicos são empregues em uma disposição continental decorrente não apenas da condição geográfica da China, mas da instabilidade interna ao norte e oeste do território e em Hong Kong. Esse constrangimento imposto pelo ambiente interno funciona como uma força limitante da materialização de uma cultura estratégica plenamente marítima.
Autores principais:Araújo, Lauro Borges Correia de
Assunto:Cultura estratégica chinesa Poder marítimo Continental Geopolítica Política externa Estratégia Chinese strategic culture Seapower Continental Geopolitics Foreign policy Strategy
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Esta investigação assentou na moldura conceptual de cultura estratégica para entender de que modo a China tem incorporado o poder marítimo na prossecução da sua política externa. Visando alcançar a consecução desse objetivo, aplicou-se a metodologia multicase study (ou multiple-case study) em uma abordagem que conjugou a análise da cultura estratégica chinesa com as bases teóricas da Geopolítica em um panorama geohistórico. O cruzamento de matrizes teórico-conceptuais, dirigido pela metodologia de multicase study/multiple-case study, possibilitou traçar um estudo pormenorizado que identificou algumas tendências geohistóricas da relação operacional da cultura estratégica chinesa com o elemento marítimo. A análise geohistórica permitiu compreender que apesar das orientações geográficas da cultura estratégica chinesa serem marcadas por uma regularidade continental, elas expressam-se em diferentes vertentes consoante os constrangimentos e as oportunidades apresentados pelos ambientes externo e interno. Por conseguinte, o crescimento marítimo da República Popular da China e as ambições globais consagradas na Maritime Silk Road são manifestações de uma cultura estratégica emergente voltada para a defesa ativa e para o realismo, assente em interesses estratégicos tangíveis, como a necessidade de desenvolvimento, proteção e segurança das linhas globais de comunicação marítima, o comércio, e a diversificação das opções estratégicas. Essa cultura estratégica nascente foi moldada por um ambiente externo em que as ameaças regionais externas às fronteiras terrestres da China diminuíram consideravelmente após a queda da União Soviética, e os centros económicos e produtivos foram deslocados para a costa marítima. Semelhantemente, as reformas promovidas por Deng Xiaoping impulsionaram a emergência dessa cultura estratégica em desenvolvimento. Entretanto, embora as evidências apontem para uma tendência de crescente construção e adoção do poder marítimo por parte da China nos âmbitos económico, militar e científico, há dados que indicam o sentido contrário, revelando que uma fração significativa dos recursos estratégicos são empregues em uma disposição continental decorrente não apenas da condição geográfica da China, mas da instabilidade interna ao norte e oeste do território e em Hong Kong. Esse constrangimento imposto pelo ambiente interno funciona como uma força limitante da materialização de uma cultura estratégica plenamente marítima.