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Caracterização hidrológica das descargas de águas subterrâneas ao largo do Algarve

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Resumo:Este trabalho foi realizado no âmbito do Projeto de I&D ”FREEZE - Submarine FREshwater ischargEs: characteriZation and Evaluation study on their impact on the Algarve coastal ecosystem”, que decorreu de 2010 a 2013, tendo como principal objetivo o estudo das Descargas de Águas Subterrâneas (DAS) na região dos Olhos de Água, no Algarve. Estas descargas de água doce podem ocorrer na praia (descargas intertidais) e também na plataforma continental, sendo visíveis a partir da praia em dias de mar particularmente calmo, e bem conhecidas pelos pescadores locais. No âmbito do referido projeto, realizaram-se três campanhas oceanográficas (Novembro de 2012, Abril de 2013 e Novembro de 2013), na região em frente aos Olhos de Água. Na última campanha, ocuparam-se também duas regiões onde a probabilidade de encontrar as DAS era reduzida: ao largo de Albufeira e frente à Praia da Falésia. Analisaram-se os dados de condutividade, temperatura e profundidade (CTD) das 196 estações realizadas: 166 frente a Olhos de Água, 20 ao largo de Albufeira e 10 frente à Praia da Falésia. As profundidades das estações variaram entre 2 e 30 m, ficando a área de estudo restringida à distância máxima de três milhas náuticas (≈ 5;6 km) da costa, face às reduzidas dimensões da embarcação disponível para a realização desta componente do projeto. A análise dos perfis de temperatura, salinidade e densidade e as respetivas variações dos parâmetros face à presença e/ou proximidade das DAS, permitiu identificar os locais onde as DAS têm um sinal forte em toda a coluna de água e os locais em que as DAS foram detetadas junto ao fundo. Na maioria das estações analisadas, o sinal das descargas foi detetado a várias profundidades na coluna de água ou mesmo à superfície, dando uma possível indicação da trajetória das plumas das descargas. Verificou-se que as DAS têm um carácter recorrente, pois foram detetadas nos mesmos locais tanto em anos considerados secos como chuvosos, sendo o sinal das últimas muito mais evidente. O sinal das DAS junto ao fundo foi encontrado preferencialmente a profundidades compreendidas entre 7 e 16 m. Estas descargas detetadas a partir dos dados de CTD foram corroboradas com os resultados da análise de perfis de reflexão sísmica de alta resolução, que identificaram a ocorrência de DAS segundo antigos corredores que correspondem a paleolinhas de costa. Também foram identificadas algumas DAS alinhadas com estruturas e falhas geológicas, que possivelmente controlam estas saídas.
Autores principais:Frazão, Helena Cristina Vieira
Assunto:Descargas de águas subterrâneas Olhos de Água (Algarve) Salinidade CTD Precipitação Plataforma Continental Teses de mestrado - 2016
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Este trabalho foi realizado no âmbito do Projeto de I&D ”FREEZE - Submarine FREshwater ischargEs: characteriZation and Evaluation study on their impact on the Algarve coastal ecosystem”, que decorreu de 2010 a 2013, tendo como principal objetivo o estudo das Descargas de Águas Subterrâneas (DAS) na região dos Olhos de Água, no Algarve. Estas descargas de água doce podem ocorrer na praia (descargas intertidais) e também na plataforma continental, sendo visíveis a partir da praia em dias de mar particularmente calmo, e bem conhecidas pelos pescadores locais. No âmbito do referido projeto, realizaram-se três campanhas oceanográficas (Novembro de 2012, Abril de 2013 e Novembro de 2013), na região em frente aos Olhos de Água. Na última campanha, ocuparam-se também duas regiões onde a probabilidade de encontrar as DAS era reduzida: ao largo de Albufeira e frente à Praia da Falésia. Analisaram-se os dados de condutividade, temperatura e profundidade (CTD) das 196 estações realizadas: 166 frente a Olhos de Água, 20 ao largo de Albufeira e 10 frente à Praia da Falésia. As profundidades das estações variaram entre 2 e 30 m, ficando a área de estudo restringida à distância máxima de três milhas náuticas (≈ 5;6 km) da costa, face às reduzidas dimensões da embarcação disponível para a realização desta componente do projeto. A análise dos perfis de temperatura, salinidade e densidade e as respetivas variações dos parâmetros face à presença e/ou proximidade das DAS, permitiu identificar os locais onde as DAS têm um sinal forte em toda a coluna de água e os locais em que as DAS foram detetadas junto ao fundo. Na maioria das estações analisadas, o sinal das descargas foi detetado a várias profundidades na coluna de água ou mesmo à superfície, dando uma possível indicação da trajetória das plumas das descargas. Verificou-se que as DAS têm um carácter recorrente, pois foram detetadas nos mesmos locais tanto em anos considerados secos como chuvosos, sendo o sinal das últimas muito mais evidente. O sinal das DAS junto ao fundo foi encontrado preferencialmente a profundidades compreendidas entre 7 e 16 m. Estas descargas detetadas a partir dos dados de CTD foram corroboradas com os resultados da análise de perfis de reflexão sísmica de alta resolução, que identificaram a ocorrência de DAS segundo antigos corredores que correspondem a paleolinhas de costa. Também foram identificadas algumas DAS alinhadas com estruturas e falhas geológicas, que possivelmente controlam estas saídas.