Publicação

Estudo longitudinal sobre factores de risco biomorfológicos e psicossociais associados aos problemas músculo-esqueléticos da coluna lombar em adolescentes

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: As lombalgias constituiem um “problema de saúde pública” nas sociedades desenvolvidas, que se inicia durante a adolescência e que afectou, afecta ou virá a afectar uma parte significativa da população na sua vida activa. Tipo de estudo e objectivos: levantamento epidemiológico, prospectivo, longitudinal (tipo survey) com a finalidade de (1) determinar a prevalência e incidência de dores lombares, caracterizando o seu padrão de ocorrência em jovens adolescentes com idades entre os 11 e os 17 anos, ao longo do seu crescimento.; (2) analisar a associação entre comportamento da dor lombar e as variáveis físicas e psicossociais. Metodologia: a amostra constituida por 171 alunos dos 239 iniciais, entre os 11 e os 17 anos de idade, avaliados em três momentos de avaliação, com seis meses de de intervalo entre eles, num conjunto de variáveis biomorfológicas e psicossociais. Aplicou‐se um questionário de auto‐resposta previamente validado, instrumentos e testes específicos para a avaliação das variáveis antropométricas e a escala de auto‐conceito de Piers‐Harris. Tratamento dos dados: estatística descritiva e a análise de regressão logistica bivariada e multivariada, entre o comportamento da dor lombar e as variáveis independentes com determinação do nível de significância e do risco relativo estimado (Odds rátios ‐ OR) para um intervalo de confiança de 95%. Resultados e Discussão: A prevalência semestral de dor lombar variou entre os 11,1% e os 20,5% e a incidência anual foi de 6,4%, constituindo um dos valores mais baixos encontrados em estudos longitudinais. As dores lombares persistentes ocorreram em 11,1% dos sujeitos. As raparigas (p=0,021; OR =11,605: IC 95%: 1,456 – 92,493), com alterações posturais (p=0,114; OR=2,569; IC 95%: 0,797 – 8,277) e com scores de autoconceito mais baixos (p=0,016; OR =0,254; IC 95%: 0,083 – 7,778) constituiram o grupo de maior risco para reportarem dores lombares persistentes. A lombalgia inespecífica, tendo uma etiologia multifactorial, requer uma análise multivariada entre os factores biomorfológicos e psicossociais e de preferência em estudos de seguimento. Conclusões: a história de dor lombar inespecífica, é na maioria das vezes de natureza benigna e considerada como um “acontecimento natural” e de evolução espontânea. Contudo, pelo menos um em cada dez jovens apresentaram dores lombares persistentes que podem ser preditivas de problemas na vida futura.
Autores principais:Oliveira, Raul Alexandre Nunes da Silva
Assunto:Adolescentes Estudo epidemiológico Factores de risco Lombalgia Saúde pública
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução: As lombalgias constituiem um “problema de saúde pública” nas sociedades desenvolvidas, que se inicia durante a adolescência e que afectou, afecta ou virá a afectar uma parte significativa da população na sua vida activa. Tipo de estudo e objectivos: levantamento epidemiológico, prospectivo, longitudinal (tipo survey) com a finalidade de (1) determinar a prevalência e incidência de dores lombares, caracterizando o seu padrão de ocorrência em jovens adolescentes com idades entre os 11 e os 17 anos, ao longo do seu crescimento.; (2) analisar a associação entre comportamento da dor lombar e as variáveis físicas e psicossociais. Metodologia: a amostra constituida por 171 alunos dos 239 iniciais, entre os 11 e os 17 anos de idade, avaliados em três momentos de avaliação, com seis meses de de intervalo entre eles, num conjunto de variáveis biomorfológicas e psicossociais. Aplicou‐se um questionário de auto‐resposta previamente validado, instrumentos e testes específicos para a avaliação das variáveis antropométricas e a escala de auto‐conceito de Piers‐Harris. Tratamento dos dados: estatística descritiva e a análise de regressão logistica bivariada e multivariada, entre o comportamento da dor lombar e as variáveis independentes com determinação do nível de significância e do risco relativo estimado (Odds rátios ‐ OR) para um intervalo de confiança de 95%. Resultados e Discussão: A prevalência semestral de dor lombar variou entre os 11,1% e os 20,5% e a incidência anual foi de 6,4%, constituindo um dos valores mais baixos encontrados em estudos longitudinais. As dores lombares persistentes ocorreram em 11,1% dos sujeitos. As raparigas (p=0,021; OR =11,605: IC 95%: 1,456 – 92,493), com alterações posturais (p=0,114; OR=2,569; IC 95%: 0,797 – 8,277) e com scores de autoconceito mais baixos (p=0,016; OR =0,254; IC 95%: 0,083 – 7,778) constituiram o grupo de maior risco para reportarem dores lombares persistentes. A lombalgia inespecífica, tendo uma etiologia multifactorial, requer uma análise multivariada entre os factores biomorfológicos e psicossociais e de preferência em estudos de seguimento. Conclusões: a história de dor lombar inespecífica, é na maioria das vezes de natureza benigna e considerada como um “acontecimento natural” e de evolução espontânea. Contudo, pelo menos um em cada dez jovens apresentaram dores lombares persistentes que podem ser preditivas de problemas na vida futura.